Descobrindo Gaudí em Barcelona

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Do Parque Güell avista-se a Sagrada Família, em Barcelona (Espanha) 

Por Michele da Costa

Foram apenas 48 horas, mas o suficiente para me apaixonar por Barcelona, capital da Catalunha (Espanha) e umas das cidades mais badaladas da Europa, e por Gaudí, arquiteto catalão modernista reconhecido mundialmente por sua originalidade e inovação. Não à toa, a história contemporânea da cidade de Barcelona e a história dele estão entrelaçadas. As obras de Antoni Gaudí i Cornet (1852-1926) podem ser vistas em toda parte da cidade, do belíssimo Parque Güell, passando por praças e avenidas até a majestosa e imponente Sagrada Família (em construção).

Essa humilde jornalista aqui, que já tinha ouvido falar de Gaudí, mas nunca havia se debruçado sobre sua história e obra, pôde aprender in loco, ao vivo e em cores. Claro que não foi o suficiente, mas apenas uma introdução, um delicioso aperitivo. Saí de Barcelona já fazendo planos de voltar e espero que não demore muito! Então vamos lá, compartilhar com vocês o que pude assimilar e registrar em imagens, o que me deixa muito contente.

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Colunas que sustentam um dos viadutos projetados por Gaudí no Parque Güell, em Barcelona

Parque Güell

Minha visita mais demorada foi ao Parque Güell, um condomínio residencial de alto padrão que não deu certo. Gaudí foi contratado pelo empreendedor Eusebi Güell Bacigalupi para projetar a urbanização da área, que abrigaria sessenta lotes residenciais. As obras começaram em 1900 e foram interrompidas em 1914, com apenas duas residências construídas, uma delas a casa modelo, que se tornou moradia de Gaudí e hoje é a Casa Museu Gaudí. Güel faleceu em 1918. Pouco depois a área foi comprada pelo Município de Barcelona para se tornar um parque público e em 1984 o Parque Güell foi considerado Patrimônio Mundial pela Unesco.

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Interior da Sala Hipostila, no Parque Güell (Barcelona, Espanha)

Acho que levei quase 4 horas para percorrer todo o Parque Güell, com área total de 171,8 mil m2, parando nos miradouros para apreciar as lindas vistas de Barcelona, passando pelos viadutos e escadarias, visitando a Casa Museu Gaudí e a Zona Monumental, que inclui o Pórtico da Lavadeira, a Casa Larrard, a Casa do Guarda, a Escadaria Monumental, a Sala Hipostila, os Jardins de Áustria e a Praça da Natureza (esta em obras, por isso não pude entrar, infelizmente). Os acessos ao Museu e à Zona Monumental são cobrados (5,50 e 8 Euros respectivamente, à ocasião da visita: novembro de 2017).

Árvores de pedra

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Emoção por ver de perto essa obra incrível de Gaudí no Parque Güell (Barcelona, Espanha)

As coisas mais lindas que vi no Parque Güell, em Barcelona, foram a rampa e os viadutos, que começam no acesso Pasaje de Sant Josep de La Muntanya, contornam a Praça da Natureza e seguem até uma parte mais alta do terreno. Em perfeita harmonia e integração com a natureza, estas estruturas são sustentadas por colunas de pedras que se erguem do chão como se fossem árvores. Não cansava de olhar e observar cada detalhe, como o Pórtico da Lavadeira, assim chamado porque uma das suas colunas de pedra compõe a imagem de uma mulher com instrumentos do ofício, ou mesmo os efeitos de luz e sombra daquela manhã ensolarada na capital da Catalunha.

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Detalhes no teto da Sala Hipostila, no Parque Güell, em Barcelona (Espanha)

Embora muita gente eleja o terraço da Praça da Natureza o lugar mais lindo do Parque Güell, acho que a Sala Hipostila, na parte inferior, não fica a dever nada. É um espaço coberto sustentado por 86 colunas estriadas. A ideia de Gaudí era que a Sala fosse um espaço de uso comum dos moradores do condomínio, como um mercado, por exemplo. Mas o destaque é o teto, construído com a técnica da abóbada catalã, onde há pequenas cúpulas revestidas com cerâmica quebrada, esculturas e medalhões coloridos que formam desenhos muito diferentes. A criação deste espaço teve a colaboração de Josep Maria Jujol.

Outro ponto muito bonito do Parque Güell é a Escadaria Monumental, parada obrigatória para apreciar a salamandra (ou dragão) de Gaudí, escultura também recoberta por cerâmica colorida. Em 1925, Gaudí se mudou do Parque Güell para a Sagrada Família (considerado seu mais importante projeto) com o objetivo de acompanhar as obras de perto, mas faleceu meses depois (10/06/1926), prestes a completar 74 anos, após ser atropelado por um bonde em Barcelona. Seu corpo foi sepultado na cripta da Sagrada Família.

Museu

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Sala na Casa Museu Gaudí, que abriga uma maquete da Sagrada Família, em Barcelona

Desde 1963, a casa no Parque Güell, onde o arquiteto viveu por quase vinte anos, abriga um museu com objetos pessoais e móveis projetados por ele. Toda a renda obtida é revertida às obras da Sagrada Família. Entre as coisas que mais me chamou atenção no Museu está justamente uma pequena maquete da Sagrada Família, exposta em uma sala cercada de janelas que dão uma boa visão do parque e da cidade de Barcelona, além das cadeiras de Gaudí, que parecem muito confortáveis. Entre os espaços recriados estão o quarto, o banheiro e um oratório do arquiteto. No jardim da casa também pode-se observar algumas peças dele confeccionadas em ferro.

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Sagrada Família: considerada a maior obra de Gaudí

As obras do Templo Expiatório da Sagrada Família começaram em 1882 e permanecem, com conclusão prevista para 2026. Gaudí foi nomeado arquiteto responsável em 1883. Entre outras obras de Gaudí a céu aberto em Barcelona, que pude observar nesta viagem, estão a Casa Batló, edifício situado no Passeio de Gràcia que foi remodelado por Gaudí em 1903; e a Casa Milà (ou La Pedrera), também no Passeio de Gràcia, prédio projetado por Gaudí em 1906. Vi, ainda, duas luminárias projetadas pelo então jovem arquiteto na Praça Real, que fica no Bairro Gótico.

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Casa Batló

O estilo singular e extravagante de Gaudí pode ser reconhecido rapidamente, pois difere de tudo ao seu entorno. Em Barcelona, também visitei o Museu Picasso e o Castelo de Montjüic. Andei por La Rambla, Passeio de Gràcia, Bairro Gótico, pela praia de Barceloneta e Praça de Catalunha, mas sobre isso vou falar em outro post.

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Luminária de Gaudí na Praça Real, em Barcelona

Dicas:

    • 1- Antes de comprar um chip para usar na cidade, verifique se a operadora de telefonia celular e internet 4G funciona bem em toda a área. Embora a sinalização dos locais turísticos seja ótima em Barcelona e as pessoas sejam atenciosas aos pedidos de informação, poder guiar-se por um GPS te fará ganhar tempo.
    • 2- Se possível, use o transporte público de Barcelona, sai muito em conta. A rede de metrô é ótima, te leva a praticamente toda a cidade e funciona até a meia noite durante a semana e até as 2h às sextas e sábados. Os ônibus são novos, confortáveis e tem Wi-fi. Os cartões de transporte são vendidos na entrada da estação de metrô do aeroporto (auto-atendimento).

3- Os moradores de Barcelona falam catalão, idioma oficial da cidade, e espanhol (castelhano), mas você pode se comunicar com eles em inglês ou até se virar com um “portunhol”, rs.

4- O aeroporto fica em uma região afastada do centro da cidade de Barcelona, então saia com bastante antecedência quando for pegar o voo de volta.

5- Se for ao Parque Güell, comece a visita pela entrada principal, que dá acesso à Zona Monumental. E pegue uma condução até a entrada, pois a subida é considerável.

    • Michele da Costa é jornalista e autora do blog

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3 comentários em “Descobrindo Gaudí em Barcelona

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