Um passeio de trem pela nossa história

Por Michele da Costa

Além de divertido, o passeio de trem entre as cidades de Campinas e Jaguariúna (SP-Brasil) é uma boa oportunidade para conhecer ou relembrar um pouco da história ferroviária brasileira e da cultura de uma época que ficou para trás na virada do milênio, com a desativação do transporte de passageiros no estado de São Paulo. O trem turístico, mais conhecido como Maria Fumaça, percorre o trecho mais antigo da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (linha-tronco), hoje com 24,5 quilômetros de extensão.

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Cia Mogiana chegou a ter quase 2 mil quilômetros de linhas férreas em SP e MG

A Cia Mogiana foi fundada em 1872 para escoar a produção de café da região e chegou a ter quase 2 mil quilômetros de linhas, que serviram aos estados de São Paulo e Minas Gerais. Até a década de 1970, esta linha, usada hoje pela Maria Fumaça, dava acesso a ramais ferroviários de onde partiam trens para outras regiões e estados, por isso era chamada de “tronco”. Eu nasci em 1973, dois anos depois da criação da Fepasa (Ferrovia Paulista S/A), que fundiu todas as companhias ferroviárias paulistas, entre elas a Cia Mogiana.

Então, ainda tive o privilégio de andar de trem algumas vezes, partindo da estação Central de Campinas, hoje denominada “Estação Cultura Prefeito Antônio da Costa Santos”. Lembro de ir com minha avó Luiza para a cidade natal dela, Santo Antônio da Alegria (SP), divisa com MG. Como o trem não ia até a cidade, a gente tinha que completar a viagem de ônibus ou de carona no caminhão que levava leite das fazendas antes mesmo do sol raiar.

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Apreciando a paisagem e relembrando minhas viagens de trem na infância

Nessa época eu era bem pequena, mas teve um outro passeio, quando eu já tinha uns 10 ou 12 anos, do qual me lembro nitidamente porque foi muito especial! Fui com meus primos e tio, de Campinas a São Paulo, no vagão restaurante, almoçando, observando belas paisagens e lá passeamos na Estação da Luz. Durante o passeio que fizemos na Maria Fumaça recentemente, em um belo domingo de Junho, eu e meus convidados: a Cleide e o Lima, pudemos relembrar estas e outras viagens de trem que marcaram nossas vidas de forma muito especial.

O Passeio

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Explicação sobre o funcionamento da locomotiva a vapor

Pouco antes do embarque, na estação Anhumas (Campinas), integrantes da equipe explicaram sobre o funcionamento da locomotiva a vapor e sua importância histórica. Eles colocam fogo nas caldeiras, literalmente! As crianças têm lugar reservado bem à frente. Uma das curiosidades que aprendi foi sobre a necessidade de jogar areia nos trilhos para garantir a aderência do trem.

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Visão interna de um dos vagões do trem, com o Trio Maria Fumaça ao fundo

Todos à bordo, seguimos em direção à Jaguariúna ao som do apito da locomotiva e ritmados pelo delicioso chacoalhar do trem. Passamos por outras quatro estações antes de chegar à Jaguariúna: Pedro Américo, Tanquinho, Desembargador Furtado e Carlos Gomes. Em Carlos Gomes, vimos vários vagões antigos para restauro. No caminho, monitores contam histórias e curiosidades, a exemplo do maestro que empresta o nome à Estação: Carlos Gomes, nascido em Campinas em 1836 e consagrado mundialmente.

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Estação Carlos Gomes, que leva o nome do maestro nascido em Campinas

Entre as paisagens: o que restou de algumas fazendas, vilas antigas e o Rio Atibaia (foto destacada), principal fonte de abastecimento de água da população de Campinas. A estação Jaguariúna, de 1945, é muito bonita e bem preservada. A “Estrela da Mogiana”, como era chamada, foi uma das mais importantes para o transporte ferroviário paulista, pois fazia a ligação com outros ramais.

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Chegada à bela Estação Jaguariúna, a “estrela da Mogiana”

A parada em Jaguariúna é de aproximadamente trinta minutos, tempo suficiente para dar uma boa olhada em tudo: museu ferroviário (fechado), feira de artesanato e belos detalhes, como o tradicional relógio da estação e um jardim muito florido. De volta ao trem, seguimos direto para Anhumas apreciando as músicas de época tocadas pelo animado Trio Maria Fumaça (Jairzinho do Acordeon e Cia) e um belo por de Sol. Veja as fotos a seguir:

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Agora, assista ao vídeo desse passeio Por dentro da Maria Fumaça Campinas e confira as dicas, a seguir:

  • A Estação Anhumas fica bem próxima ao Shopping Galleria Campinas e conta com estacionamento no local (sem custo adicional).
  • Se possível, compre os ingressos antecipadamente pelo site da Maria Fumaça ou chegue com antecedência de uma hora, pois a fila da bilheteria costuma ser grande pouco antes do embarque.
  • Se gosta de fotografar ou filmar, prefira assentos no último vagão, pra fazer aquela imagem do trem fazendo a curva, mas muito cuidado: não é permitido colocar partes do corpo para fora das janelas, é perigoso!
  • As janelas dos trens são baixas, fique de olho nas crianças!
  • Se precisar, dê preferência para usar os banheiros das estações, pois os dos trens não são legais.
  • O vagão bar é um dos espaços mais agradáveis do trem: para ficar lá, basta consumir algo oferecido pela equipe. Os preços das bebidas são razoáveis e aceitam cartões bancários.
  • Uma boa opção é fazer somente o percurso de ida até Jaguariúna (1h30), pela manhã, e de lá aproveitar o dia ou o final de semana para visitar outras cidades do Circuito das Águas Paulista, como Pedreira, Amparo, Serra Negra e Monte Alegre do Sul.

Serviço:

Os passeios são realizados aos sábados, domingos e feriados, partindo de Campinas e de Jaguariúna. Também é possível optar pelo percurso só de ida ou somente até Tanquinho. O percurso completo (ida e volta) leva aproximadamente 3h30 e custa R$ 150,00 (R$ 75,00 para crianças até 12 anos e beneficiários de lei da meia entrada, como estudantes, professores, pessoas com necessidades especiais e pessoas com mais de 60 anos de idade). Obs.: Informações obtidas em 03/07/2018 no site da Maria Fumaça Campinas, onde pode-se ver os horários e outros detalhes.

Com certeza, se andou de trem nessa época, você também deve ter algumas histórias pra contar. Que tal usar o espaço de comentários para compartilhar com a gente uma dessas lembranças?

Agradecimento: Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF)- Regional Campinas, responsável pela operação do trem turístico Maria Fumaça Campinas desde 1984, e seus colaboradores.

Michele da Costa é jornalista e autora do Embarque40Mais. Saiba mais sobre ela e a proposta do blog AQUI

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