Risco Covid-19 em avião: vírus atinge 1 em cada 27 milhões

Ao contrário do que muita gente imagina, estudos recentes indicam que o risco de ser infectado por Covid-19 durante uma viagem de avião é muito baixo. Apenas 44 casos foram relatados entre 1,2 bilhão de passageiros transportados, desde o início do ano.

Assim, uma pessoa em cada 27 milhões de viajantes a bordo de aeronaves teria sido infectada pelo novo coronavírus. Esses casos relatados tiveram sua transmissão associada a uma viagem de avião, incluindo casos confirmados, prováveis e potenciais. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou os dados no início de Outubro.

Ainda que esse número esteja subestimado, a associação avalia que os resultados são positivos: “Mesmo que 90% dos casos não fossem relatados, seria um caso para cada 2,7 milhões de viajantes. Achamos esses números extremamente reconfortantes”, diz David Powell, Conselheiro Médico da IATA.

Ele acrescenta que a grande maioria dos casos publicados ocorreu antes da obrigatoriedade do uso de máscaras a bordo, o que reduziu ainda mais os riscos de transmissão do novo coronavírus. Por isso, desde 11 de Maio as principais companhias aéreas passaram a exigir de todos os passageiros e tripulantes o uso de proteção facial dentro dos aviões.

Máscara obrigatória para reduzir risco de Covid-19 em avião

Dessa forma, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou a obrigatoriedade do uso de máscara em aviões e aeroportos. Além disso, recomendou o distanciamento entre passageiros nas aeronaves, entre outras medidas de prevenção à Covid-19 em viagens de avião.

No entanto, a maioria das companhias aéreas não seguiu à risca essa recomendação de espaçamento entre assentos. Elas alegaram que era desnecessário, devido ao “baixo risco de transmissão”.

Só que, na ocasião, as Cias se baseavam em informações pontuais, agora ampliadas com dados globais e estudos realizados por fabricantes de aeronaves e pelo Comando de Transportes dos EUA (US Transcom).

Simulação nos EUA atesta eficiência na purificação do ar em aeronaves

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Estudos apontam risco de transmissão do coronavírus em avião é muito baixo

O estudo da US Transcom incluiu mais de 300 liberações de aerossol, simulando um passageiro infectado com COVID-19, com e sem máscara. Dessa maneira, as simulações foram feitas em aeronaves Boeing 767-300 e 777-200 de corredor duplo da United Airlines, durante oito dias.

Então, os resultados mostraram que o aerossol foi rapidamente diluído pelas altas taxas de troca de ar em uma cabine de aeronave. As partículas de aerossol permaneceram detectáveis por menos de seis minutos em média.

Assim, o sistema dos aviões removeu as partículas 15 vezes mais rápido do que um sistema de ventilação doméstico comum, nos dois modelos testados. Também foi de 5 a 6 vezes mais rápido que o recomendado para centros cirúrgicos de hospitais ou salas de isolamento de pacientes.

A US Transcom realizou os testes em Agosto, nos tipos de aeronaves usados para transportar funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O estudo foi em parceria com a Boeing, United Airlines, Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA), Zeteo Tech, S3i e o National Strategic Research Institute da Universidade de Nebraska.

Fluxo do ar limita propagação de vírus da Covid-19 em avião

Para melhor compreender a circulação do ar em suas aeronaves, a @Boeing compartilhou uma animação no Twitter (vídeo acima).

As pesquisas de dinâmica de fluidos computacional (CFD), realizadas pela Airbus, Boeing e Embraer em suas aeronaves, também apontaram baixo risco de transmissão do coronavírus a bordo.

Embora com metodologias um pouco diferentes, todas confirmaram que os sistemas de circulação de ar das aeronaves controlam o movimento das partículas na cabine, limitando a propagação de vírus.

As fabricantes avaliam que isso ocorre porque os filtros de ar (HEPA) possuem elevada eficiência, altas taxas de renovação e um fluxo de ar que opera de cima para baixo, além da barreira natural provocada pelo encosto dos assentos. Por isso, garantem que o sistema reduz com eficiência o risco de transmissão de doenças a bordo já em tempos normais.

Risco de Covid-19 em avião é reduzido com uso de máscara

Dessa forma, a IATA avalia que o uso de máscara como medida de prevenção representa uma proteção adicional significativa, “aumentando a segurança de sentar-se próximo a outro passageiro na cabine de uma aeronave, em relação à maioria dos outros ambientes fechados”.

Outro dado interessante é que a maioria das aeronaves troca o ar de 20 a 30 vezes por hora. Enquanto isso, em um escritório essa troca acontece em média de 2 a 3 vezes por hora e em escolas de 10 a 15 vezes por hora. Além disso, os filtros HEPA removem do ar das cabines dos aviões 99,9% de bactérias e vírus.

Airbus, Boeing e Embraer fabricam as aeronaves utilizadas pelas principais Cias aéreas em operação no Brasil e no mundo. Você pode conferir mais detalhes sobre os estudos das fabricantes na publicação da IATA.

Referências:

  • A jornalista Michele da Costa redigiu e editou o texto sobre o risco de Covid-19 em avião, com informações da Assessoria de Imprensa da IATA. Todos os direitos reservados.
  • A IATA representa aproximadamente 290 companhias aéreas, que compõem 82% do tráfego aéreo global.

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6 Comments

  1. Carla Alexandra Fernandes Mota

    2 de novembro de 2020 at 06:18

    Não vou deixar de andar de avião não. Risco Covid-19 em avião é mesmo muito reduzido. Não tem razão alguma para a gente ter medo. É só se proteger, cuidar de si e dos outros. Como em tudo na vida, cara.

    • Pois é, Carla.. penso que, embora baixo, o risco de covid-19 em avião exista, claro, mas como em qualquer outro ambiente da nossa rotina, como supermercado, banco, etc. Segundo alguns estudos, o risco seria até maior nesses outros locais. Então, o jeito é nos proteger e aos outros, como você bem disse. Boas viagens, abraço!

  2. Post esclarecedor!! Confesso que apesar do risco de contrair covid-19 em avião seja pequeno, eu não não tive coragem de encarar! Rs mas em breve terei que sair da toca, né?

    • Fico contente que nosso post sobre os riscos de covid-19 em avião tenha contribuído, Dhebora! Temos buscado trazer informações que possam ser úteis aos viajantes nesse período tão difícil. Acho que a gente vai ter que se adaptar a essa nova realidade, pois, mesmo com uma vacina, podem surgir mutações do coronavírus e outros, infelizmente. Abraço!

  3. Luciana Rodrigues

    29 de outubro de 2020 at 05:50

    Nunca pensei que o risco de Covid em avião fosse tão pequeno, mas o que deve ser mesmo incômodo é ter que fazer voos longos com máscara!

    • Verdade, Luciana, eu também não sei se conseguiria ficar com máscara muitas horas seguidas. Por isso, devo recomeçar com uma viagem mais curta. Mas, com certeza, o uso da máscara é extremamente necessário para reduzir o risco de Covid-19 em avião. Um abraço!

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