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Roteiro de dois dias em Barcelona: história, arte e cultura

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Dois dias em Barcelona: Vista da cidade a partir do Castelo de Montjuïc

Um roteiro de dois dias em Barcelona, Espanha, com boas doses de história, arte e cultura. Experiências e informações detalhadas para planejar sua viagem: onde e quando ir, quanto custa e como chegar.

No Castelo de Montjuïc. Orla e Mar Mediterrâneo ao fundo. Foto: Cris Nery

Já faz um tempo, mas não poderia deixar de contar um pouco mais sobre minha viagem a Barcelona, capital da Catalunha (Catalunya), além de Gaudí. A experiência de viajar sozinha para outro país é muito boa, nos enriquece e fortalece, sabe. Faz a gente perceber o quanto é imenso, incrivelmente desconhecido e apaixonante esse mundão.

Por isso, nos faz sentir realmente livres, sem amarras, e ver que a gente pode e merece conhecer, experimentar, sentir, abrir nossas mentes e corações sem limites e padrões pré-estabelecidos. E Barcelona, a capital da Catalunha (Espanha), com sua história, beleza, arte, gente de todo o tipo e todo lugar e o belíssimo Mar Mediterrâneo, ah.. transpira e inspira LIBERDADE!

Foi um roteiro de dois dias em Barcelona, apenas, mas adoráveis e inesquecíveis! Mas uma amiga, a Cris Nery, de Belo Horizonte, que estava estudando na cidade, me acompanhou em alguns passeios. Isso foi bem legal também, tão longe de casa encontrar e passar um tempinho com uma conterrânea e sua deliciosa “mineirice”.

Língua preserva cultura catalã

Na Catalunha, fala-se o Espanhol (Castelhano) também, mas entre os locais a conversa é em Catalão, língua românica originária do Latim, que é a essência da cultura do seu povo. Embora ainda não saiba além do básico, adoro o Espanhol, mas do pouco que ouvi também achei interessante o Catalão, que a mim pareceu uma mistura do Espanhol, com o Francês e o Português.

Tem gente de lá que acha mesmo o Catalão mais próximo do Português do que o Espanhol. De fato, todas elas têm a mesma origem, o Latim. Adorei saber como a força das classes mais populares foi fundamental para preservar a cultura desse povo ao longo dos séculos. Por isso, em homenagem ao povo catalão, acrescento neste texto, em itálico, a tradução para a língua original dos nomes próprios e de locais turísticos mencionados.

Turismo na capital da Catalunha em momento histórico

Fachada da Câmara Municipal de Barcelona (Ajuntament), em Novembro de 2017

Então, a Catalunha (Catalunya) é uma comunidade autônoma da Espanha (Espanya), com histórico de várias tentativas de independência, o que a tornaria um país. Digo isso porque minha visita foi no comecinho de Novembro de 2017, pouco depois do referendo popular, que resultou em 90% a favor da independência da Catalunha, e da sua auto declaração de independência, período marcado por repressão por parte do governo central Espanhol, protestos e prisões.

Naqueles dias, as ruas de Barcelona já estavam tranquilas, mas os sinais de tensão ainda eram visíveis, como o forte aparato de segurança ao redor da sede do governo Catalão (Palau de la Generalitat) e faixas de protesto estendidas em prédios e até mesmo na sede do Município de Barcelona (Ajuntament). Neste vídeo de 10 minutos, é possível compreender o processo histórico-político da Catalunha:

Vídeo “A História da Catalunha em 10 minutos”, da Carki Produções

Mas os sinais de tensão eram mais visíveis na Cidade Velha (Ciutat Vella), que inclui a região conhecida como Bairro Gótico (Barri Gòtic). Faixas dependuradas em prédios estampavam rostos de líderes do movimento independentista, que haviam sido presos ou censurados pelo governo Espanhol.

Cidade Velha: faixa de protesto contra a repressão ao movimento independentista

Confesso que em princípio fiquei com receio de visitar a cidade como turista em meio a essa situação, mas percebi que fui privilegiada por estar lá nesse momento histórico importante para o povo catalão. E que se desenrola até hoje, com algumas lideranças detidas ainda e protestos pela libertação deles e por um novo referendo. Foi marcante!

Roteiro de dois dias em Barcelona: passeando entre 2 mil anos de história

Capela de Santa Ágata, construída sobre muralha romana, em Barcelona

Andei pela Cidade Velha (Ciutat Vella) de Barcelona à noite e rapidamente pela manhã, quando visitei o Museu Picasso. É belíssima! Uma das coisas mais interessantes que vi foi a Capela de Santa Ágata (Capella de Santa Àgata), em estilo gótico, construída no século 14 sobre ruínas da antiga muralha romana. Fica na Praça Ramón Berenguer o Grande ( Plaça Ramón Berenguer el Gran), que marca o centro do Bairro Gótico (Barri Gòtic), no coração da antiga cidade romana e também do período medieval.

Ruelas do Bairro Gótico, em Barcelona

A Cidade Velha (Ciutat Vella) é a área de ocupação mais antiga de Barcelona, tem nada menos que 2 mil anos e permaneceu fechada por suas muralhas até 1854. É muita história! Apesar de não ter podido entrar em alguns locais que gostaria, já que era noite, andar pelas ruelas de pedra, observar a arquitetura, monumentos e as pessoas foi muito bacana!

Encontramos até um cantor de ópera fazendo uma apresentação pelo caminho. Rs. Tanto o palácio do governo catalão quanto o da Câmara Municipal ou Município de Barcelona (equivalente à prefeitura) são em estilo neoclássico e ficam frente a frente na Praça Sant Jaume (Plaça Sant Jaume).

Praça Real no Bairro Gótico

Praça Real, no Bairro Gótico, em Barcelona, Espanha

E por falar em Praça, uma das mais bonitas que vi foi a Praça Real (Plaça Reial), no Bairro Gótico de Barcelona (Barri Gòtic) também, bem próximo da Rambla. A Praça é cercada por edifícios sustentados por colunas, que funcionam como dezenas de pórticos. Foi construída na metade do século XIX, com objetivo de enaltecer a monarquia.

Agradável, rodeada por palmeiras imperiais, duas belas luminárias projetadas por Gaudí e uma fonte (de las Tres Gracias). Mas hoje é considerada reduto boêmio, com vários bares, restaurantes e casa de espetáculos. Pois foi justamente em um desses bares que me sentei na minha primeira noite na cidade, para comer e beber uma cervesa, como dizem cerveja em Catalão.

Detalhes na porta principal da Catedral de Barcelona

Também pude ver a fachada da Catedral de Barcelona (de la Santa Creu i Santa Eulàlia). Em estilo predominantemente gótico, a igreja começou a ser construída em 1298, mas a obra só terminou seis séculos depois! A grande escadaria e a riqueza de detalhes impressionam. Assim, o passeio noturno pelo bairro gótico acabou com um delicioso churros com chocolate quente, uma das guloseimas preferidas dos catalães. Ah, o blog Viajei Bonito tem ótimas dicas de locais onde comer bem e barato em Barcelona. Confira!

Roteiro de dois em Barcelona inclui Museu Picasso

Pátio interno do Museu Picasso, em Barcelona

O Museu Picasso, em Barcelona, reúne obras que contam a história dos anos de formação do jovem espanhol Pablo Picasso (1881-1973), que se tornaria um dos maiores artistas de todos os tempos. Nascido em Málaga, viveu em Barcelona com a família por nove anos, mas sempre manteve relações com a cidade, tanto que contribuiu com a criação do museu, aberto em 1963.

A coleção permanente do Museu Picasso tem 4.251 itens, além de obras do ano de 1917, da série “Las Meninas” e uma coleção de gravuras. Mas para quem só consegue pensar no cubismo quando se fala em Picasso, a visita acrescenta, mostra como surgiu e evoluiu o multiartista que revolucionou o mundo das artes no século XX. Um dos quadros que mais me impressionou é o “Ciencia y Caridad” (1897).

Além da imagem forte e impactante, achei interessante o fato dele ter usado o pai e uma “mendiga” como modelos. Não é permitido tirar fotos nos ambientes internos, mas é possível ver pequenas imagens de algumas obras, inclusive dessa que mencionei, no site do Museu Picasso.

Mas o prédio que abriga o Museu, por si só, é um espetáculo! A sede ocupa cinco palácios na Rua Montcada, construídos entre os séculos XIII e XIV em estilo gótico.

Museu Picasso  

Visitando o Castelo de Montijuïc em Barcelona

Entrada principal do Castelo de Montjuïc, com Ponte Levadiça, em Barcelona

Outro local histórico super interessante que visitei em Barcelona é o Castelo de Montijuïc (Castillo de Montijuïc). Embora tenha sido rápido, por conta do horário apertado para embarcar no voo de volta a Lisboa, gostei muito e pude apreciar uma linda vista do mar, do Porto, e uma panorâmica da cidade.

Torre de Guaita, no Castelo de Montjuïc, em Barcelona

Justamente por ter essa localização estratégica, a fortaleza militar foi determinante em vários momentos da história de Barcelona. Estudos arqueológicos indicam a ocupação da área desde o período pré-histórico, mas os registros começam lá por 1.073, com a construção de uma torre de vigilância no topo da montanha, a 173 metros de altura, denominada Torre de Guaita.

Pátio de Armas (Pati D’ Armes o Quadrat), no Castelo de Montjuïc, em Barcelona

Em 1640, a área foi murada e deu lugar a um recinto militar, que seria protagonista de várias guerras. Uma das principais foi a Guerra da Sucessão (1705-1714), que provocou sérios danos nas edificações. As obras de remodelação, concluídas em 1.779, definiram a estrutura mantida até hoje.

Achei curioso o fato de que a fortaleza não foi usada somente para defender a cidade, mas também para atacá-la em vários momentos, quando ocupada por tropas inimigas.

Tortura e mortes no Castelo de Montjuïc

Corredor no interior do Castelo de Montjuïc, em Barcelona

Entre os episódios da história do Castelo, foi interessante saber que foi ocupado por tropas de Napoleão Bonaparte, em 1808. Além disso, também serviu de palco para a tortura e morte durante períodos obscuros, como a Guerra Civil (1936-1939) e o Franquismo, regime totalitário de tendência nazifascista, nas décadas seguintes.

Panorâmica de Barcelona a partir do Castelo de Montjuïc

Na Guerra Civil, quase 1,5 mil pessoas foram presas e aproximadamente 250 foram executadas no Castelo de Montjuïc, a maioria acusada de traição e espionagem contra a República. Por isso, durante o Franquismo, como sede do Conselho de Guerra, no Castelo foram sentenciados e mortos pelo Regime importantes presos políticos, a exemplo do presidente da Catalunha, Lluís de Companys, em 1940.

Uma “fortaleza” para o povo catalão

Vista do Mar Mediterrâneo a partir do Castelo de Montjuïc, em Barcelona

Então, desde 2007 o Castelo de Montujuïc pertence ao Município de Barcelona (Ajuntament), passando a ter apenas destinação civil, social e cultural. Por isso, funciona como um tipo de museu da história do Castelo e, por consequência, de Barcelona e da Catalunha, e também sedia exposições relacionadas e shows.

Entre as construções, além da Torre de Guaita, acho importante ver o Fosso de Santa Elena (Fossat de Santa Elena), onde ocorreram as execuções; o Pátio de Armas (Pati D´Armes O Quadrat); a Ponte Levadiça (Pont Levadís I Façana), na entrada principal; O Caminho Coberto (El Camí Cobert), Os Fossos (Els Fossats), o Hornabeque (Hornabec) e o Revellín (Revellí), entre outros, que permitem compreender a estrutura defensiva da fortaleza.

Castelo de Montjuïc

Passeio por La Rambla em roteiro de dias em Barcelona

A diversidade étnica, social e cultural em La Rambla, Barcelona

Passear por La Rambla é imperdível e inevitável, mesmo em um roteiro de dois em Barcelona apenas, delicioso e emocionante. La Rambla é uma via de pedestres, um grande calçadão arborizado, cercado de comércios e serviços tradicionais, como o Mercado da Boqueria (Mercat de la Boquería). Nas duas noites que passei pelo Mercado já estava fechado, infelizmente, mas dizem que é muito interessante: “o mais antigo e completo mercado de alimentos da cidade”. Por isso, está na minha lista de prioridades quando voltar.

Foi emocionante passear por La Rambla porque tem história, como tudo em Barcelona, claro, mas alguns são especiais.. Sua construção, em 1766, marca o início da era moderna, já que até então as ruas da cidade eram todas estreitas. Mas um dos fatos históricos mais recentes (assustador e triste) tinha ocorrido há menos de três meses da minha visita: o atentado com uma Van, que atropelou e matou quatorze pessoas e feriu centenas na Rambla, em Agosto de 2017.

A Rambla me pareceu um tipo de ponto de encontro da diversidade de Barcelona. Isso porque observei a circulação de pessoas de várias etnias e alguns estrangeiros ao longo da Rambla, oferecendo os mais variados itens. La Rambla tem 1,2 km de extensão, informa o Turismo de Barcelona em sua página oficial, ligando o Mirador de Colom (à beira mar) e a Praça de Catalunha (Plaça de Catalunya).

Mercado da Boqueria

Praça de Catalunha e Praia de Barceloneta

Fontes coloridas na Praça de Catalunha

A Praça de Catalunha é, possivelmente, o principal ponto de encontro da cidade, palco de eventos sociais e políticos. Pois a localização é estratégica: fica entre a Cidade Velha e l’Eixample, área mais moderna, onde está o Passeio de Gràcia (Passeig de Gràcia), com suas construções extravagantes, lojas elegantes e luxuosas. Foi inaugurada em 1927 pelo Rei Alfonso XIII. Tem várias esculturas e duas fontes, que fazem um belo espetáculo noturno, com suas águas “coloridas”.

Fim de tarde na Praia de Barceloneta, com Cris (à direita)

Apesar da correria desse roteiro de dois em Barcelona, ainda consegui passear pelo calçadão da Praia de Barceloneta (Platja de la Barceloneta). Era um final de tarde de Outono, por isso não me lembro de ter visto banhistas, mas o visual é muito bonito! Tudo limpo e organizado. Próximo dali, vários restaurantes especialistas em pratos com frutos do mar. Foi em um deles que almocei uma Paella, com direito à Sangria e sobremesa.

Praça de Catalunha

Praia de Barceloneta

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Resumo do meu roteiro de dois dias em Barcelona

Praça de Espanha, em Barcelona

Bem, foi o que consegui ver nesse roteiro de dois dias em Barcelona, além do Parque Güell (Park Güell) e uma rápida passada pela Basílica da Sagrada Família, que você pode conferir no post Descobrindo Gaudí em Barcelona. A seguir, compartilho o roteiro resumido para dar ideia de como organizar seu tempo na cidade:

DIA 1 em Barcelona: Chegada no Aeoporto por volta das 14h30. De metrô, chegada ao Hotel no Bairro de Gràcia pelas 16h. Descanso. Passeio à noite pelo Bairro de Gràcia, pela Rambla, Praça Real, Passeio de Gràcia e jantar.

DIA 2 em Barcelona: Café da manhã em padaria no Bairro de Gràcia e visita ao Parque Güell pela manhã. Almoço, passeio por Barceloneta, Basílica da Sagrada Família (exterior) e Praça de Catalunha à tarde. Caminhada por Passeio de Gràcia, Rambla e Bairro Gótico, com direito a espiadas em duas livrarias e pausas para lanches e bebidas à noite.

DIA 3 em Barcelona: Museu Picasso e Castelo de Montjuïc pela manhã, sem pausa para almoço. De Metrô, volta ao Aeroporto e embarque às 15h.

Onde ficar para roteiro de dois dias em Barcelona

Em Barcelona, fiquei hospedada em um hotel no Bairro de Gràcia, o Catalonia Park Güell. Quarto pequeno e simples, mas limpo e confortável. O principal motivo da escolha desse hotel foi a proximidade ao Park Güell, prioridade no meu roteiro, mas um pouco distante dos outros locais turísticos da cidade.

Dicas de transporte em Barcelona

Por dentro do metrô de Barcelona

Em meu roteiro de dois dias em Barcelona usei apenas transporte coletivo público. A excessão foi uma rápida corrida de táxi entre a Praça de Espanha e o Castelo de Montjuïc, por conta do horário apertado.

Isso porque a rede de metrô em Barcelona é ótima, te leva a praticamente toda a cidade e funciona até a meia noite durante a semana e até as 2h às sextas e sábados. Os ônibus são novos, confortáveis e têm Wi-fi.

Meu cartão de transporte comprei na entrada da estação de metrô do aeroporto de Barcelona (auto-atendimento). Optei por um T10, por 14,50 Euros, para uso ilimitado por 48 horas em todos os meios de transporte coletivos da cidade, pois só fiquei dois dias.

Há outras opções, conforme o período que for ficar e o quanto pretenda usar. Nos arredores da cidade tem umas ladeiras consideráveis, viu, mas alguns lances de escada rolante (a céu aberto, isso mesmo) ajudam! Vale consultar mais detalhes e valores atualizados dos cartões de transporte em Barcelona.

Para ganhar mais tempo, em uma próxima visita a Barcelona, além de me hospedar em um hotel na região central, pretendo garantir uma internet móvel que funcione, para poder me guiar por GPS. A reveure, Barcelona!

E você, já foi ou pretende ir a Barcelona? O que mais gostou ou quer muito ver? Conte nos comentários!

Referências

A viagem de Michele da Costa, jornalista e autora do Embarque40Mais, com roteiro de dois em Barcelona, foi inteiramente custeada por ela. As únicas gratuidades foram de ingressos ao Museu Picasso e ao Castelo de Montjuïc, como imprensa credenciada. Texto e fotos do post são de autoria dela (Direitos Reservados).

Com informações do Turismo de Barcelona e do Museu Picasso, disponíveis nos sites oficiais em Fevereiro de 2019.

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