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Adote um Renoir do MASP! Doações até 27 de Dezembro

Além de contribuir com uma grande causa, valores podem ser recuperados com declaração de IR. Veja obras do MASP restauradas com campanha e saiba como doar!

O quadro “Rosa e azul – As meninas Cahen d’Anvers”, pintado em 1881 por Pierre-Auguste Renoir, uma das mais icônicas do acervo do MASP, foi indicada para restauração com a campanha “Adote uma Obra” de 2019. O projeto, existente desde 2017, viabiliza a arrecadação de recursos por meio de doações de imposto de renda para a preservação do acervo do museu. 

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Sofia Hennen, responsável pelo núcleo de conservação e restauro do MASP, explica: “O quadro de Renoir foi escolhido por apresentar algumas zonas de pintura frágeis, além de alguns problemas estéticos, tais como irregularidades no verniz”. 

O primeiro passo é fazer um estudo aprofundado da técnica e do estado da obra para que depois seja escolhido o tratamento adequado. Um especialista em pintura francesa do século 19, ainda em definição, ficará responsável pelo processo. A primeira edição da ação, há dois anos, custeou o restauro de “O Escolar”, de Van Gogh, feito no Museu Van Gogh, em Amsterdã.

Obras de Portinari já foram restauradas

Doações de 2018 permitiram restauro de “Retirantes” (1944) e outras duas obras de Portinari. Foto: João Musa

Em 2018, a obra do MASP adotada foi “Retirantes”, de Candido Portinari. A pintura do modernista brasileiro passa pela última etapa de tratamento e deve retornar ao acervo ainda neste ano. 

Além de “Retirantes”, a equipe de conservação e restauro do MASP estudou e tratou duas outras obras de Portinari: “Criança morta” e “Enterro na rede”, também de 1944. O trabalho em conjunto nas três telas permitiu ganhos e sinergias, já que as obras têm diversos pontos de contato e parecem ter sido criadas como uma série. 

Em Abril, os três quadros foram submetidos a diferentes exames científicos, realizados por uma equipe do Instituto de Física da USP (IFUSP). Em seguida, as obras receberam diagnóstico e prescrição por uma equipe formada por restauradores do MASP e externos, do ateliê De Vera Artes, escolhidos pela experiência com obras de Portinari. 

As três obras, que tinham passado por intervenções e restauros ao longo dos anos, apresentavam bom estado de conservação, mas mostravam problemas pontuais como falta de tensão nas telas, craquelês (fissuras), pequenas perdas na camada pictórica e irregularidade no verniz. O tratamento incluiu limpeza, reintegração cromática e aplicação de verniz, entre outros. 

Como adotar uma obra do MASP:

pintura de menino com chapéu e blusa azul
“O escolar”, de Van Gogh (1888), foi primeira obra restaurada pela campanha. Foto: MASP

É muito simples doar! Acesse o site do MASP, clique no botão “Quero doar” e preencha o cadastro com seus dados e o valor da doação. Na sequência, o museu enviará uma mensagem ao seu e-mail com os dados bancários. Após identificado o pagamento, receberá o recibo de mecenato, que deverá ser anexado à declaração do imposto de renda.

O valor mínimo da doação é de R$ 300. Caso o contribuinte tenha imposto a ser restituído, a doação aumenta o valor da restituição. Pessoas jurídicas também podem adotar uma obra do MASP, como garante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, porém com alíquotas de dedução diferenciadas. 

Qualquer pessoa pode doar, desde que seja optante pela declaração “modelo completo” e não ultrapasse o limite global de 6% do IR devido. No mesmo link de doação o interessado também encontra respostas para as dúvidas mais frequentes. A data limite para doação é 27 de Dezembro de 2019. 

Sobre o MASP

O MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) fica na Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP. Telefone: (11) 3149-5959. Funcionamento: de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); Terça Grátis Qualicorp das 10h às 20h (bilheteria até 19h30). Ingressos: R$ 40 (entrada); R$ 20 (meia-entrada).

  • Com informações e fotos fornecidas pela Assessoria de Imprensa do MASP.

Exposições no MASP colocam desigualdade de gênero em debate

Duas exposições no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) colocam em debate a desigualdade de gênero: Histórias das Mulheres e Histórias Feministas. Na cidade de São Paulo-SP, de 23 de Agosto a 17 de Novembro de 2019, com entrada gratuita às terças-feiras. O objetivo é resgatar e difundir o trabalho de artistas mulheres e pensar sobre possíveis desdobramentos do feminismo nas artes.

  • Outras dicas de exposições, teatro e shows podem ser conferidas em nossa Agenda Cultural SP.

“Histórias das Mulheres” resgata obras

Obra de Marie Constantine Bashkirtseff na exposição no MASP Histórias das Mulheres
Obra de Marie Constantine Bashkirtseff. Crédito: Rijksmuseum, Amsterdam

Histórias das mulheres busca reposicionar a obra de artistas que trabalharam até o final do século 19, ao discutir a diferença de valor entre o universo masculino e o feminino e também entre arte e artesanato. A curadoria da exposição no MASP é de Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea do Museu; Lilia Schwarcz, curadora-adjunta de histórias e narrativas; e Mariana Leme, curadora assistente do museu.

A mostra terá nomes como Sofonisba Anguissola (circa 1532-1625), Artemisia Gentileschi (1593-1653), Judith Leyster (1609-1660), Angelica Kauffmann (1741-1804), Elisabeth-Louise Vigée-Lebrun (1755-1842) e Eva Gonzalès (1849-1883). Também de pioneiras latino-americanas como Magdalena Mira Mena (1859-1930), Abigail de Andrade (1864-1890) e Berthe Worms (1868-1937).

A diversidade estética, temática e técnica das obras expostas nessa exposição no MASP mostra que as artistas fizeram parte dos mais diferentes grupos que atravessaram as narrativas da história da arte. A ideia é demonstrar que não existe, portanto, um “modo feminino” de criar ou de apreender o mundo, mas uma polifonia de histórias reunidas em torno do termo “mulher”.

Obras de mulheres engavetadas em museus expõe desigualdade nas artes

Arte de Emily Mary Osborn (1857) em exposição no MASP
Arte de Emily Mary Osborn (1857). Crédito: Tate, Londres 2019

“O fato de essas obras se encontrarem, em sua maior parte, guardadas nas reservas dos museus, diz muito sobre as políticas desiguais e de subalternidade existentes no interior do mundo e do sistema das artes, dominados por figuras masculinas, em todas as instâncias”, afirma Lilia Schwarcz.

Além disso, o resgate do trabalho de artistas “esquecidas” é importante, na medida em que desestabiliza critérios de valor e de diferença, nos quais se baseia a história da arte ocidental — branca, eurocêntrica e masculina. 

Embora o termo “feminismo” já existisse antes de 1900 e vários pensadores, homens e mulheres, defendessem o direito de igualdade entre os gêneros, como a brasileira Nísia Floresta (1810-1885), que em 1832 publicou Direito das mulheres e injustiça dos homens, é difícil falar em arte “feminista” antes do século 20. Por outro lado, …

“… resgatar, expor e pesquisar o trabalho dessas artistas é também uma atitude feminista, na medida em que se busca assim sublinhar distorções e violências predominantes na história pregressa.”

Lilia Schwarcz

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Em paralelo, como diálogo e contraponto, o MASP apresentará a exposição Histórias feministas, coletiva com artistas atuantes no século 21 em torno das ideias de feminismo ou em resposta a elas.

“Histórias Feministas” incita debate- exposições no MASP

Obra de Virgínia de Medeiros em exposição no MASP
Da série “Guerrilheiras”, de Virgínia de Medeiros

Com curadoria de Isabella Rjeille, curadora assistente do MASP, a exposição Histórias feministas: artistas depois de 2000 é um desdobramento do ciclo de 2017, Histórias da sexualidade. Não se propõe a esgotar um assunto tão extenso e complexo como a relação entre arte e feminismo, mas incitar novos debates a partir da produção de artistas que emergiram no século 21. Histórias feministas foi também título da exposição individual da artista Carla Zaccagnini em 2016, no MASP, anunciando o compromisso e o interesse da direção artística do museu em uma abordagem feminista da história da arte.

“A ideia não é mapear a produção de artistas a partir de um recorte geracional, mas entender como os feminismos vêm sendo utilizados como ferramentas para desmantelar narrativas e transformar a maneira como algumas histórias vêm sendo escritas. A mostra reúne artistas que têm e não têm o feminismo como questão central de sua obra, mas que, de alguma maneira, abordam assuntos urgentes a partir de perspectivas feministas”, diz Rjeille.

Exposição no MASP mostra como feminismo influencia artes

Da exposição Histórias Feministas no MASP
Estatuas (2012-2014), de Monica Restrepo, que integra “Histórias Feministas” no MASP

“A exposição procura mostrar como o feminismo segue influenciando a criação artística, interseccionando lutas, narrativas e conhecimentos.”  Segundo a curadora, nesta exposição, o feminismo é entendido como “uma prática capaz de provocar fricções e diálogos trans-históricos e transnacionais”, e que não deixa de considerar as questões de gênero em relação a classe, raça, etnia, geração, região, sexualidade e corporalidade, entendendo-os como elementos que transformam radicalmente e tornam mais complexas as experiências das mulheres ao redor do mundo. 

A presença da discussão em exposições no MASP insere o museu na rede de esforços que têm sido empreendidos há mais de cem anos para repensar as diferenças, as inserções e as relações entre os gêneros.

“Abordar histórias feministas no século 21 significa partir de um tempo presente, em plena construção e urgência — um tempo que implica não apenas repensar seu passado e rever os legados deixados por artistas, teóricas e ativistas, mas também reimaginar o futuro.”

Rjeille

Artistas que contarão “histórias feministas” em exposição no MASP

1. Aline Motta (1974, Niterói, Rio de Janeiro, vive em São Paulo) 2. Ana Mazzei (1980, São Paulo, vive em São Paulo) & Regina Parra (1984, São Paulo, vive em São Paulo) 3. Carla Zaccagnini (1973, Buenos Aires, Argentina, vive em Malmö, Suécia) 4. Carolina Caycedo (1978, Londres, vive em Los Angeles) 5. Clara Ianni (1987, São Paulo, vive em São Paulo) 6. Daspu (fundada em 2005, Rio de Janeiro)

7. Élle de Bernardini (1991, Itaqui, Rio Grande do Sul, vive em São Paulo) 8. Ellen Lesperance (1971, Minnesota, USA, vive em Òregon, EUA) 9. EvaMarie Lindahl (1976, Viken, Suécia, vive em Malmö, Suécia) & Ditte Ejlerskov (Frederikshavn, Dinamarca, 1982, vive em Skælskør, Dinamarca) 10. Giulia Andreani (1985, Veneza, Itália, vive em Paris) 11. Imri Sandström (1980, Umeå, Suécia, vive em Järstorp, Suécia) 12. Julia Phillips (1985, Hamburgo, vive em Chicago e Berlim)

13. Kaj Osteroth (1977, Beckum, Alemanha, vive em Berlim/Brandenburg, Alemanha) & Lydia Hamann (1979, Potsdam, vive em Berlim, Alemanha) 14. Katia Sepúlveda (1978, Santiago, Chile, vive em Köln, Alemanha, e Tijuana, México) 15. Lyz Parayzo (1994, Rio de Janeiro, vive em São Paulo) 16. Marcela Cantuária (1991, Rio de Janeiro, vive no Rio de Janeiro) 17. Mequitta Ahuja (1976, Grand Rapids, EUA, vive em Baltimore, EUA)

18. Mónica Restrepo (1982, Bogotá, vive em Cali, Colômbia) 19. Mônica Ventura (1985, São Paulo, vive em São Paulo) 20. Rabbya Naseer (1984, Rawalpindi, Paquistão, vive em Lahore) & Hurmat Ul Ain (1984, Karachi, Paquistão, vive em Islamabad) 21. Rosa Luz (Brasília, Distrito Federal, 1996, vive em Brasília, Brasil) 22. Ruth Buchanan (1980, New Plymouth, Nova Zelândia, vive em Berlim) 23. Sallisa Rosa (1990, Goiânia, Goiás. Vive em Belo Horizonte, Brasil)

24. Santarosa Barreto (1986, São Paulo, vive em São Paulo) 25. Sebastián Calfuqueo (1991, Santiago, Chile) 26. Serigrafistas Queer (fundada em 2007, Buenos Aires, Argentina) 27. Tabita Rezaire (1989, Paris, França, vive em Cayenne, Guiana Francesa) 28. Tuesday Smillie (1981, Boston, EUA, vive no Brooklyn, Nova York) 29. Virgínia de Medeiros (1973, Feira de Santana, Bahia, vive em São Paulo) 30. Yael Bartana (1970, Kfar Yehezkel, Israel, vive em Amsterdam, Berlim e Tel Aviv).

Sobre as exposições no MASP “Histórias das Mulheres” e “Histórias Feministas”:

ONDE: MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), À Avenida Paulista, 1.578, São Paulo-SP (1º andar e 1º e 2º Subsolos).

QUANDO: Abertura dia 22 de agosto, às 20h. Visitação de 23 de agosto a 17 de novembro de 2019. De quarta-feira a domingo, das 10h às 18h (bilheteria até as 17h30); às terças-feiras, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).

QUANTO CUSTA: Ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada para estudantes, professores e maiores de 60 anos ). Gratuito às terças-feiras. Ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia. Menores de 11 anos de idade não pagam ingresso. O MASP aceita todos os cartões de crédito. 

  • Acessível a pessoas com deficiência física, ar condicionado, classificação livre. 

MAIS INFORMAÇÕES: (11) 3149-5959.

Referências:

Conteúdo sobre as exposições no MASP editado pela jornalista e autora do embarque40mais.com, Michele da Costa, com informações e fotos fornecidas pela Assessoria de Imprensa do Museu. A foto destacada no início do post é obra de Kaj Osteroth e Lydia Hamann (2016)- Crédito para Smina Bluth.

Museu em Campinas leva à viagem no tempo

Visitar o Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campinas, interior de São Paulo, é como fazer uma viagem no tempo, percorrendo a história da cidade e do audiovisual brasileiro. Além do acervo riquíssimo, que inclui relíquias do século XIX, a sede do Museu é um prédio histórico, Monumento Nacional desde 1967.

Foi construído em 1878 para residência da família de Joaquim Ferreira Penteado, o Barão de Itatiba. O sobrado ficou conhecido como “Palácio dos Azulejos” devido à sua fachada superior ser recoberta por azulejos portugueses, uma das marcas do estilo neoclássico.

Fachada do MIS Campinas

Recorte da fachada da Sede do MIS Campinas. Sobrado ficou conhecido como Palácio dos Azulejos, devido à cobertura da parte superior por azulejos portugueses

Antes de se tornar sede definitiva do Museu, em 2004, o prédio abrigou a Prefeitura (1908-1968), o Fórum e o Departamento de Água e Esgoto. Localizado na esquina das ruas Regente Feijó e Ferreira Penteado, no centro comercial da cidade, apesar de não ser muito grande e dar sinais de deterioração, o Palácio dos Azulejos ainda chama atenção, em meio a construções modernas.

Além dos azulejos em azul e branco, observamos portas e janelas grandes e ornamentadas, sacadas com grades de ferro trabalhadas e esculturas nos cantos do telhado, entre outros detalhes que contribuíram para que a construção fosse muito diferenciada à época.

Sala no interior do Museu da Imagem e do Som de Campinas (SP)

Na “Sala dos Prefeitos” no MIS Campinas, onde despacharam os prefeitos da cidade por meio século. Foto: Letícia Costa

Em seu interior, logo que entramos, destacam-se o piso decorado, as escadas de madeira nas laterais e a sala à direita, conhecida como “Sala dos Prefeitos” por ter sido o gabinete dos prefeitos de Campinas durante meio século. Esta sala começou a ser recuperada na restauração realizada em 2004, que também incluiu reparos na cobertura, fachada e azulejos.

Painéis no saguão contam resumidamente a história do Palácio ao longo dos anos e um busto homenageia o prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho, assassinado em 2001, primeiro ano de seu mandato. Arquiteto dedicado à preservação do patrimônio arquitetônico da cidade, ele planejava restaurar o Palácio como forma de incentivar a recuperação de outros imóveis antigos do Centro.

Intelectuais lutaram contra demolição do Palácio dos Azulejos

Clarabóia no teto do MIS Campinas

Detalhe da clarabóia no teto do MIS Campinas: luz natural expõe ornamentação

Ao subir a escada do lado esquerdo, observamos uma clarabóia, para a entrada de luz natural, e recortes de pinturas antigas nas paredes, descobertas propositalmente para mostrar alterações, que contribuíram para descaracterizar o prédio histórico durante décadas.

Nos anos 50, antes de ser tombado como Patrimônio Nacional pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e mesmo depois, o Palácio dos Azulejos foi objeto de disputa entre especuladores imobiliários, que queriam sua demolição, e intelectuais que lutavam por sua preservação.

Pinturas em paredes internas no Museu da Imagem e do Som de Campinas

Pinturas em paredes internas “redescobertas” no Palácio dos Azulejos

“Era necessário que as picaretas do progresso “fizessem alto” diante do Palácio dos Azulejos, pois o local poderia abrigar o Museu Histórico da Cidade de Campinas, muito almejado pelo grupo de intelectuais composto por Celso Maria de Mello Pupo, Guilherme de Almeida, Luso Ventura, Afonso Escragnolle de Taunay e Pelágio A. Lobo, entre outros.”, relata Maria Joana Tonon, Mestra em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em artigo na Revista Saráo- Memória e Vida Cultural de Campinas (edição nº 8, de Maio de 2004).

Parte da capa do Diário Oficial do Município de Campinas

Recorte da capa do Diário Oficial do Município de Campinas, de 10 de Setembro de 2004, com chamada sobre reabertura do Palácio dos Azulejos após restauração. A foto é de Roberto de Biasi

Também conta a pesquisadora, que o perigo só foi afastado com o tombamento do Palácio dos Azulejos nos níveis estadual e municipal, pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), em 1981, e pelo CONDEPACC (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas), em 1988.

Em seu artigo, publicado meses antes da conclusão da primeira fase do projeto de restauro, ela menciona o fim do “fantasma da demolição”, mas alerta para o “fantasma da falta de cuidados especiais”. Passados 14 anos, as demais etapas de restauro ainda não foram retomadas.

Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas faz jus a filhos ilustres

Sala do Acervo Fotográfico do MIS Campinas

Acervo Fotográfico do Museu da Imagem e do Som de Campinas reúne 35 mil imagens

O acervo do MIS é composto por fotografias, músicas, filmes e equipamentos de captação e reprodução audiovisual. O maior destaque no museu da cidade onde viveu Hercule Florence (1804-1879), um dos responsáveis pela invenção da fotografia, não poderia ser outro.

O acervo fotográfico do MIS Campinas é composto por 75 coleções, que reúnem o total de 35 mil imagens registradas entre 1870 e 2003. Sem dúvida, a história de Campinas e algumas cidades da região, da cultura cafeeira escravocrata a polo de alta tecnologia, pode ser contada somente com fotos deste acervo.

Parede dos músicos de Campinas no MIS

Painel fotográfico no MIS Campinas homenageia músicos e cantores da cidade

O acervo musical do MIS Campinas, terra do maestro Carlos Gomes, também é significativo: 25 mil vinis, entre os quais discos de 78 rotações, compactos e discos gigantes; 1.100 CDs e 900 gravações em fitas de rolo. Obras dos mais variados estilos e épocas.

O maestro e outros músicos famosos que nasceram ou viveram em Campinas, como Celly Campello, Sandy & Júnior, Paulinho Nogueira e Paulo Freire, são homenageados em um painel fotográfico gigante.

Algumas relíquias guardadas no MIS Campinas

Projetor de filmes antigo, no MIS Campinas

Acervo MIS Campinas: Projetor de filmes 35 mm, fabricado na Inglaterra na década de 1920

Na mesma sala, uma mesa de centro é ocupada por um Gramofone Type II, fabricado entre 1905 e 1920. Ao todo, aproximadamente 400 peças compõem o acervo tecnológico, que demonstram a evolução de câmeras de foto e vídeo, materiais fotográficos, projetores, gramofones, aparelhos de TV e rádio. Um dos destaques é um projetor de 35 milímetros, fabricado na Inglaterra na década de 1920: um objeto enorme que deve pesar toneladas! Rs.

Gramofone MIS Campinas (SP)

Gramofone fabricado entre 1905 e 1920 é uma das relíquias do MIS Campinas

Filmadora de madeira no MIS Campinas

Filmadora francesa de madeira, do séc. XIX, no MIS Campinas

Tem também uma filmadora de madeira do século XIX, vinda da França, que, se fosse encontrada em outro lugar poucos imaginariam o que seria, já que à primeira vista parece apenas duas caixas empilhadas. O acervo de filmes do MIS, com obras de ficção e documentários, é uma importantíssima ferramenta de preservação da memória do cinema campineiro, desde a década de 1920.

Filmadora Carpentier no MIS Campinas

Filmadora francesa Carpentier, do século XIX, usada na filmagem de “João da Mata”, em Campinas. Filme é considerado o 1º longa metragem brasileiro

Além dos rolos de filmes, cartazes e panfletos anunciando clássicos do cinema ilustram a Sala. O que mais me chamou atenção ali foi uma filmadora 35 mm da marca francesa Carpentier, do século XIX, usada na filmagem do filme “João da Matta”, de Amilar Alves, rodado em Campinas e estreado em 1923. O filme, que conta a história de um pequeno proprietário de terra espoliado por um coronel latifundiário, é considerado o primeiro longa metragem brasileiro.

Como e quando surgiu o Museu da Imagem e do Som de Campinas?

Visão de janela do piso superior do MIS Campinas

Das janelas do piso superior, vemos o pátio interno do Palácio dos Azulejos. Foto: Liz Holanda Palhares

O MIS surgiu em dezembro de 1975, como museu público municipal, a partir da mobilização de um grupo de fotógrafos, cineastas e cineclubistas da região de Campinas, entre os quais destacaram-se Henrique de Oliveira Júnior e Dayz Peixoto Fonseca. Eles reivindicavam um local para reunir e preservar a memória audiovisual da cidade e região, já que até então os materiais eram guardados em vários locais e de forma inadequada.

Megafone e discos de vinil no MIS

Objetivo com criação do MIS foi reunir arquivos audiovisuais históricos em um só lugar

No Palácio dos Azulejos a partir de 2004, foi possível organizar melhor e ampliar o acervo do Museu, além de oferecer mais atividades à população, que incluem visitas guiadas para grupos, exposições temporárias, pesquisa histórica, oficinas e exibição de filmes às sextas e sábados (confira horários mais abaixo). A programação de filmes do Circuito MIS é definida com a participação do público, e apresenta diferentes linguagens cinematográficas. Tudo gratuito!

Escada de madeira no interior da sede do Museu da Imagem e do Som de Campinas (SP)

Escadas de madeira levam ao piso superior do Palácio dos Azulejos, sede do MIS Campinas

O objetivo do MIS é tornar-se referência nacional em sua tarefa de promover a apropriação do patrimônio audiovisual pelos cidadãos e cidadãs. Só que isso também depende muito da gente, moradores da cidade e visitantes em geral. Atualmente, o Museu recebe entre 18 mil e 20 mil visitantes por ano; em 2016 foram 23 mil; em 2014 foram 9 mil.

Acredito que os investimentos necessários para a preservação e valorização deste e de todos os museus brasileiros depende, prioritariamente, da importância que damos à estes espaços tão preciosos, que guardam nada menos que a nossa história.

Palácio dos Azulejos, em Campinas (SP)

Palácio dos Azulejos em Setembro de 2018. MIS Campinas recebe de 18 a 20 mil pessoas por ano

Este post integra uma Blogagem Coletiva (BC), realizada por um grupo de blogueiras e blogueiros de viagem, com o objetivo de incentivar a visitação e contribuir com a valorização e preservação dos museus brasileiros. Para que não mais se repita o que aconteceu com o nosso Museu Nacional do Rio de Janeiro, que, entre tantos outros do país, em situação de abandono, foi praticamente destruído por um incêndio (links para outros posts da BC no final). Então, que tal visitar o MIS e outros museus de Campinas? Confira a lista completa a seguir:

Quando ir e como chegar ao MIS- Museu da Imagem e do Som de Campinas:

ONDE: Palácio dos Azulejos, à Rua Regente Feijó, nº 859, Centro, Campinas-SP.

QUANDO: O acesso ao acervo é de terça a sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h às 17h; e aos sábados, das 10h às 12h e das 14h às 16h. Exibição de filmes às sextas-feiras, às 19h; e aos sábados, às 16h30 e 19h30.

OBS.: Se a porta estiver fechada, aperte a campainha e aguarde até que alguém abra. Para receber a programação dos filmes, envie mensagem para [email protected] solicitando a inclusão do seu e-mail no mailing do Museu.

QUANTO CUSTA: Acesso gratuito à visitação do acervo, exposições e todas as outras atividades.

MAIS INFORMAÇÕES: [email protected] e (19) 3733.8800.

Outros museus públicos para visitar em Campinas:

Museu de Arte Contemporânea de Campinas “José Pancetti” (MACC)

ONDE: Avenida Benjamin Constant, 1633 (térreo), Centro, Campinas- SP.
QUANDO: Às terças, quartas, sextas-feiras e sábados, das 10h às 18h. Às quintas-feiras, das 10h às 21h. Aos domingos e feriados, das 9h às 12h.
QUANTO CUSTA: entrada gratuita.
MAIS INFORMAÇÕES: (19) 2116-0341/ 0346; 3236-4716 [email protected]

Museu Dinâmico de Ciências

ONDE: O Museu fica dentro do Parque Portugal, mais conhecido como Lagoa do Taquaral (entrada pelo portão 7). Avenida Doutor Heitor Penteado, s/nº, Bairro Taquaral, Campinas, SP.
QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30; sábados e domingos, das 14h às 17h.
QUANTO CUSTA: R$10,00 e R$5,00 (meia entrada).
MAIS INFORMAÇÕES: (19) 3243-5664 (Museu) e (19) 3252-2598 (Planetário) [email protected]

Museu do Café

ONDE: Lago do Café, à Avenida Doutor Heitor Penteado, 2145, Bairro Taquaral, Campinas- SP.
QUANDO: De terça a sexta-feira, das 10h às 16h. Para visitação de grupos nos feriados e finais de semana, somente com agendamento.
QUANTO CUSTA: entrada gratuita.
MAIS INFORMAÇÕES: (19) 3296-1104 [email protected]

Museu da Cidade – Casa de Vidro

ONDE: Lago do Café, à Avenida Doutor Heitor Penteado, 2145, Bairro Taquaral, Campinas- SP.
QUANDO: De terça a sexta-feira, das 10h às 16h; aos sábados, das 9h às 13h.
QUANTO CUSTA: entrada gratuita.
MAIS INFORMAÇÕES: [email protected]

Museu da Cidade – Fundição Lidgerwood

ONDE: Avenida Andrade Neves, 33, Centro, Campinas- SP.
QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 18h às 21h. Sábados e domingos, das 13h às 18h.
QUANTO CUSTA: entrada gratuita.
MAIS INFORMAÇÕES: [email protected]mpinas.sp.gov.br

Museu da Cidade – Centro de Cultura Caipira

ONDE: Rua José Inácio,14, Distrito de Joaquim Egídio, Campinas-SP
QUANDO: Aos sábados e domingos, das 12h às 17h. Visitação de grupos durante a semana mediante agendamento.
QUANTO CUSTA: entrada gratuita.
MAIS INFORMAÇÕES: [email protected]

Observatório Jean Nicolini

ONDE: Monte Urânia, Serra das Cabras, Distrito de Joaquim Egídio, Campinas-SP.
QUANDO: De terça a sexta-feira, das 15h às 21h. Domingos, às 17h às 21h.
QUANTO CUSTA: R$10,00 e R$5,00 (meia entrada).
MAIS INFORMAÇÕES: (19) 3298-6566 [email protected]

Museu de História Natural – Aquário – Casa dos Animais Interessantes

ONDE: Rua Coronel Quirino, 02, Bosque, Campinas-SP.
QUANDO: De quarta-feira a domingo, das 9h às 12h e das 13h às 17h.
QUANTO CUSTA: R$5,00 e R$2,50 (meia entrada).
MAIS INFORMAÇÕES: (19) 3251-9849/ 3295-5850 [email protected]

  • Com informações disponíveis no Museu; fornecidas pela Chefia do MIS Campinas e pela Coordenadoria de Museus da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas; da “Revista Saráo- Memória e Vida Cultural de Campinas”, edição nº 8, de Maio de 2004 (link no texto); e do Diário Oficial do Município de 10/09/04, pág.03.

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