Tagcultura afro-brasileira

Mostra fotográfica expõe similaridades entre brasileiros e cubanos

“Isso acabou me mostrando que, apesar da distância temporal entre eles, o olhar que tive lá e cá liga as duas cidades dentro do meu conceito de mundo, de humanidade”, explica a fotógrafa Regina Rocha Pitta, autora das obras.

O número 6.380 é a distância em quilômetros entre Havana (Cuba) e Campinas (Brasil). A partir desse trajeto, a fotógrafa e artista visual Regina Rocha Pitta procura similaridades entre as duas populações, com um olhar diverso e provocativo, até mesmo na forma como serão expostas as imagens. Sob a curadoria do Subsolo – Laboratório de Arte, a exposição 6.380 KM – de La Havana a Campinas: entre fotografias e cerâmicas será aberta ao público às 11h do dia 9 de Junho (sábado), em Campinas (São Paulo- BR).

Regina

A fotógrafa e artista visual Regina Rocha Pitta


A mostra terá aproximadamente 50 fotos em preto e branco, explorando recortes de diversos aspectos que relacionam os dois países. Regina traz imagens feitas durante período que esteve em Cuba, em 1999, que retratam cenas do dia a dia de Havana (a exemplo da foto destacada acima) e, do outro lado, um conjunto de fotografias sobre cerimônias de religiões afro-brasileiras em Campinas, capturadas entre 2013 e 2017.
“Recebi o convite da curadoria do Subsolo, sob a direção do curador e crítico de arte Andrés Martín Hernández e do artista plástico Danilo Lorena Garcia, com a proposta de unir os ensaios”, explica a fotógrafa. “Isso acabou me mostrando que, apesar da distância temporal entre eles, o olhar que tive lá e cá liga as duas cidades dentro do meu conceito de mundo, de humanidade. Até mesmo a questão das duas tecnologias utilizadas (analógica e digital), me levou a pensar no temporalidade das coisas”, conta.
Além da proposta de unir as fotografias, Regina foi convidada a expor peças da sua produção em cerâmica, resultado da aventura de entrar em contato com a argila, que iniciou há três anos sob orientação de Rosângela Pompeo. Mas ela não se vê como ceramista. “Sou uma exploradora das possibilidades de criações artísticas, o que me dá liberdade para testar a simplicidade das formas e explorar os limites do material”, explica.
A entrada é gratuita, tanto para a abertura da exposição quanto durante o período de visitação, que vai até 28 de Junho. Por ser um espaço de experimentação artística que reúne instalações, projetos de ocupação, exposições e cursos voltados para diversas áreas ligadas à arte, o Subsolo segue um determinado padrão de horários para visitação, que pode ser conferido a seguir.
Serviço
O QUÊ: Exposição “6.380 KM – de La Havana a Campinas: entre fotografias e cerâmicas”, da fotógrafa e artista visual Regina Rocha Pitta.
QUANDO: Abertura dia 9 de Junho de 2018 (sábado), das 11h às 17h. 
ONDE: Subsolo – Laboratório de Arte, à Rua Proença, 1.000, Jd Proença, Campinas (SP).
VISITAÇÃO: Até 28 de Junho. Às quartas e sextas-feiras (com agendamento), das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h; às quintas-feiras, das 9h30 às 18h30 (aberto, não precisa agendar); e aos sábados, das 9h às 12h (com agendamento). As visitas devem ser agendadas por meio dos telefones (11) 9.4965-5722/ 9.8259-0966. Entrada gratuita

  • Regina também é colaboradora deste blog. Confira outras belas imagens da fotógrafa Neste post.

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Bj da Mi

Bahia: visitantes de quilombo aprendem sobre sistema produtivo

A convivência com membros da comunidade quilombola Kaonge, no Recôncavo Baiano, permite conhecer todo o processo produtivo local, como o cultivo de ostras, a produção de farinha de mandioca e o uso de ervas medicinais

Produção artesanal de farinha de mandioca
Turista aprende na prática como fazer a farinha de mandioca

Pessoal, preciso contar que por pouco fico sem registros fotográficos dessa viagem. Eu esqueci o cabo de alimentação da bateria da máquina fotográfica. Pode uma coisa dessas? Tanta preparação e no meio de tudo esqueço o mais importante. Mas consegui fazer algumas fotos com o celular.

Por isso é sempre bom fazer um check list dos itens que precisa levar na viagem. Na próxima eu faço. Bom, continuando a programação pela Kaonge, comunidade quilombola que fica em Cachoeira (Bahia). Fomos conhecer a feitura da farinha de mandioca, item que não pode faltar no prato de qualquer nordestino que se preze.

Produção artesanal da farinha de mandioca

Essa parte foi apresentada por Raimundo, marido de Juvani, que nos levou até a casa de taipa onde fazem a farinha. Aí foi desde descascar a mandioca, moer, transformar em goma e secar no forno. Um trabalhão que leva horas, mas que, segundo ele, foi o que ajudou a criar os dez filhos ao lado da mulher. Hoje, Raimundo é o responsável pelo bar.

Nossa! Não posso deixar de falar da Valdê. Ela nos contou os segredos das ervas usadas para a produção do xarope que cura a tosse e da água de cheiro feita de rosas.  Mais cedo, eu já tinha encontrado com ela varrendo o terreiro de sua casa, cheia de disposição, mas o que mais me chamou a atenção foi quando a chamaram e ela saiu correndo, literalmente!

Por que conto isso? Pelo simples fato de ela ter 92 anos!!! Disse que nunca foi ao médico e que não tem nenhum problema de saúde. Às vezes sente uma dor de cabeça, toma um remédio e pronto.

Cultivo de ostras na Comunidade do Dendê

Na parte da tarde do sábado, a Joka nos levou para a comunidade do Dendê para conhecer o cultivo de ostras, sob o comando de Nico. Ele descreveu em detalhes como é realizado o cultivo e manejo dos moluscos e como todos da comunidade trabalham juntos para que tudo aconteça.

Depois, eles nos levaram para ver os criadouros e tivemos que atravessar um lamaçal para entrar no barco. Pura diversão de cai, não cai, escorrega e ri. Conselho: leve um par desses sapatos para mergulhar, porque a lama é misturada com pedaços das conchas das ostras e pisar nisso dói muito. Independente disso, pudemos observar de pertinho as ostras dentro das gaiolas sobre as ripas de bambu.

Patrimônio compõe cenário de Novela

Convento Santo Antonio 1
Convento Santo Antônio do Paraguaçu, construído em 1686, foi cenário da novela “Velho Chico”

São tantos detalhes para contar sobre essa estadia… Enfim, no domingo nos levaram à Vila de São Francisco do Paraguaçu para conhecer o Convento Santo Antônio do Paraguaçu, datado de 1686. À beira do rio, a construção de pedra e cal é belíssima, mas dá para ver claramente que falta manutenção e preservação.

Infelizmente, estava fechado e não pudemos entrar. Mas Anderson e Pina nos contaram que o local foi cenário da novela global “Velho Chico”. Logo ao lado do Convento, rapazes e moças se refrescavam no rio Paraguaçu, se atirando de um píer de cimento e aproveitando o domingo de sol e calor.

Esmola Cantada

Grupo musical percorre casas para arrecadar doações para festa, no Recôncavo Baiano
Esmola cantada: grupo de devotos de São Jorge

Na volta para a comunidade quilombola Kaonge, tivemos a notícia de que a procissão “Esmola Cantada” já estava quase chegando. Um grupo de devotos de São Roque caminhava debaixo de um Sol escaldante com seus instrumentos musicais e muita energia, passando pelas outras comunidades do entorno.

Bem que nos convidaram para segui-los, mas preferimos aguardar ali mesmo. Esses devotos de São Roque, padroeiro de Engenho da Ponte (Bahia), fazem o trajeto para angariar dinheiro para a festa em homenagem ao santo, que acontece em fevereiro.

O ritual consiste em levar a imagem do santo de casa em casa. Os donos da casa recebem os cantadores e o santo com muita reverência. É bonito de ver a emoção do pertencimento ao lugar e a preservação da cultura. Neste dia, três professores da Universidade Federal da Bahia estavam lá filmando e documentando a procissão.

DICA: Para agendar visitas à Comunidade Quilombola Kaonge, procure pela Andreza Viana. Fone (05571) 996.071.452/ E-mail [email protected]

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Referências:

Regina, durante viagem à Bahia
  • Crédito fotos: Regina Rocha Pitta. @direitos reservados
  • A viagem de Regina à Bahia aconteceu em Janeiro de 2018 (foto). Todas as despesas foram custeadas por ela.

Estadia em quilombo baiano é imersão na cultura afro-brasileira

Oi gente, voltei! Como falei no post anterior, em nosso segundo dia na Bahia Adriana e eu chegamos ao Kaonge, uma das 14 comunidades quilombolas pertencentes ao Vale do Iguape, no município de Cachoeira (Bahia-Brasil). Muita gente pode se perguntar o motivo de ir para um quilombo. E minha resposta é: para vivenciar algo diferente, mas principalmente para conhecer parte da história do nosso país que só tinha visto nos livros.

Os quilombos foram formados por escravizados que fugiam das fazendas de engenho ou de outras áreas. Eles eram chamados de quilombolas. Mais tarde, as comunidades quilombolas passaram a abrigar descendentes de escravizados. Um bom exemplo, e que talvez vocês se lembrem de ter estudado na escola, é o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, liderado por Zumbi e cenário de muitas lutas.

Comunidade quilombola Kaonge é referência

Casa simples, amarela, com plantas e árvores ao redor.
Um das casas da comunidade quilombola Kaonge

A comunidade Kaonge dentre as outras é referência na preservação da cultura e tradições africanas e pela sua organização. Seus moradores mantiveram a produção do famoso azeite de dendê, desenvolveram o cultivo de ostras, praticam a apicultura e o plantio de alimentos, como o quiabo, item que não pode faltar nos pratos baianos com influência africana. E tudo tem como base a economia solidária.

As manifestações religiosas também estão presentes no dia a dia dos quilombolas. Durante os três dias que passamos lá tivemos a oportunidade de ver um pouco de cada uma dessas atividades.

Por dentro de um quilombo baiano

Entrada quilombo kaonge: cerca e casas.
Tranquilidade do campo pra recarregar as energias

Passar pelo Kaonge também serviu para darmos um “break” no ritmo acelerado que vivemos. Ficar alguns dias em um lugar tranquilo, com chão de terra batido e muito verde ao redor deixa você meio fora do mundo. Dormir “ouvindo” o silêncio da noite, cheio de grilos, galinhas e latidos dos cães, respirar ar puro e não ter nada para fazer por algum tempo é muito especial.

Dá para recarregar as energias observando as estrelas à noite, olhando o céu azul durante o dia, sentindo o cheiro da terra. Ficamos instaladas em uma pousada construída recentemente para atender a demanda de visitantes. São cinco quartos e dois banheiros coletivos, tudo arrumado e limpo.

A alguns passos de distância está o restaurante, com uma decoração típica e bem agradável, e mais adiante o bar. Os três estabelecimentos estão sob a proteção de Oxum, orixá do Candomblé e da Umbanda. A alimentação também é feita com muito cuidado pela Juci e pela Pina.

Líder espiritual do quilombo

mulher negra, fundo amarelo.
Juvani, líder espiritual da comunidade Kaonge

Nossa programação começou logo depois do café da manhã, com Juvani Viana, griô(*) e líder espiritual do Kaonge, contando histórias sobre a formação do terreiro; os antepassados africanos e indígenas; as lutas e dificuldades enfrentadas para que pudessem estudar e criar os filhos, e sobre o que conquistaram depois de décadas de trabalho para chegarem nos dias de hoje.

E para preservar toda a história e cultura afro-brasileira, a inscrição na parede da escola diz tudo: “Nossas crianças aprendem primeiro a nossa história”. Hoje, a comunidade é formada por 16 famílias, que vivem em casas construídas com tijolos, muitas do programa Minha Casa Minha Vida, e sua escola de ensino fundamental, grande conquista de Juvani, sua fundadora.

Por meio do trabalho coletivo e da organização comunitária, criaram ações sustentáveis e até uma moeda própria, o Sururu. O projeto de Turismo Étnico – Rota da Liberdade foi implantado em 2005 e depois veio o Festa das Ostras, que acontece em Outubro, quando são preparados pratos das culinárias afro e baiana.

No trabalho diário deu para perceber que cada um tem sua função dentro da organização comunitária: guia, motorista, cozinheira, recepcionista, agricultor, etc. Enfim, ninguém fica à toa, todos trabalham e colaboram. 

Como visitar esse quilombo baiano:

  • Para entrar em contato com a comunidade Kaonge, caso tenha interesse, procure pela Andreza Viana para agendar visitas. Telefone (05571) 99607-1452/ e-mail [email protected]

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Referências

Regina
Regina
  • (*) griô é o contador de histórias na cultura africana. É aquele (a) que mantém a memória viva e afetiva das tradições através da palavra, da oralidade.
  • Crédito fotos: Regina Rocha Pitta.

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