Tagcultura

Mostra de arte indígena propõe reflexão sobre nossas origens

Em exibição no Museu Afro Brasil, cidade de São Paulo, a exposição Heranças de um Brasil profundo, com mais de quinhentos objetos entre obras de arte e utensílios da cultura indígena de raiz brasileira. A mostra encerra a trilogia que o Museu vem fazendo nos últimos anos, iluminando as contribuições artísticas e culturais dos povos que deram origem ao Brasil. A primeira foi Africa Africans, em 2015, seguida por Portugal, Portugueses – Arte Contemporânea, em 2016.

A abertura da exposição Heranças de um Brasil Profundo aconteceu no dia do aniversário de 466 anos da capital paulista: 25 de Janeiro. Em exibição até 26 de Julho com entrada gratuita!

Cultura e arte contemporânea

Onça pintada
“Natureza Morta, o avanço do agronegócio”, Denilson Baniwa. (2016/17, Coleção do artista)

Com curadoria de Emanoel Araujo, a exposição Heranças de um Brasil profundo reúne arte plumária, adornos, máscaras, fotografias, esculturas, utensílios e arte contemporânea de povos indígenas como: Karajá, Marubo, Kayapó, Mehinako, Yanomami, Rikbaktsa, Tapirapé, Waurá, Tapayuna, Baniwa, Ashaninka, Parakanã, Panará e Juruna.

Entre os artistas indígenas contemporâneos presentes na exposição está o jovem Denilson Baniwa, do povo indígena Baniwa e natural do Rio Negro, interior do Amazonas. Vencedor do prêmio PIPA Online 2019, o artista apresentará três trabalhos na exposição, entre eles uma pintura inédita feita nas paredes internas do Museu Afro Brasil.

Casa dos Homens, do povo Mehinako

Outro destaque da mostra é a Casa dos Homens, construída por um grupo de quatro indígenas do povo Mehinako (Yuta, Itsaukuma, Kauruma e Wapitsewe Mahinako), um dos muitos habitantes da região conhecida como Alto Xingu, no Parque Indígena do Xingu.

(…) os visitantes poderão entrar e sentar nos bancos, também construídos por eles, para fazer uma reflexão sobre o Brasil, sobre as nossas origens, sobre a defesa desses indígenas, dessa gente forte e resiliente que habita sobretudo o Amazonas, o Xingu e o Mato Grosso.

Emanoel Araujo, curador da exposição.

Heranças de um Brasil profundo apresenta ainda um premiado grupo de fotógrafos e fotógrafas que se dedicaram (ou ainda se dedicam) a documentação de populações indígenas brasileiras, como Claudia Andujar, Rosa Gauditano, Maureen Bisiliat, Nair Benedicto, Manuel Rodrigues Ferreira, Rodrigo Pretella, Jamie Stewart-Granger, entre outros.

A exposição ocupa todo o subsolo do Museu Afro Brasil e exibe também um destacado grupo de peças de valor antropológico. São obras da arte que compõe o rico universo do fazer artístico de diferentes grupos indígenas brasileiros em suas representações zoomorfas de apelo artístico e cultural. Sua cultura artística, especialmente o trabalho com a cerâmica e cestaria, hoje amplamente incorporada nas tradições populares das regiões norte e nordeste.

Memória e herança dos povos da floresta

Indígena com ornamentos característicos
“O Guerreiro”, Guta Galli, da série Mehrere Mex– Gente que estende sua beleza (2009, coleção da artista)

“Essa ideia da herança tem o objetivo de trazer de volta à nossa memória a arte dos povos da floresta no que ela tem de mais esplendoroso, que são as artes plumárias, mas também a arte dos objetos de uso, objetos simbólicos dessa cultura brasileira extraordinária. E também traz ao mesmo tempo uma visão de fora, de alguns dos mais importantes fotógrafos do Brasil”, explica o curador da exposição.

Ele conta que há também a representação de diferentes manifestações artísticas como gravuras, esculturas de artistas modernos, especialmente de São Paulo. Outro destaque é o painel com fotos originais do fotógrafo alemão Albert Frisch, que fotografou povos da Amazônia no século XIX.

Heranças de um Brasil profundo, exposição que busca romper com a ideia que vê nos indígenas e em sua arte o suprassumo da “inocência” ou o olhar folclórico, somente cheio de deuses, monstros e mitos, dentre tantos outros preconceitos impostos a esta cultura original.

EMANOEL ARAUJO, CURADOR DA EXPOSIÇÃO.

Exposição Heranças de um Brasil Profundo

ONDE: Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, São Paulo-SP (Avenida Pedro Alvares Cabral, Portão 10).

QUANDO: De 25 de Janeiro a 26 de Julho de 2020. De terça-feira a domingo, das 10h às 17h, com permanência até às 18h. 

QUANTO CUSTA: Entrada gratuita.

MAIS INFORMAÇÕES: (11) 3320.8900 e no site do Museu Afro Brasil.

  • Com informações e fotos da assessoria de comunicação do Museu Afro Brasil.

Como é visitar a Bienal de Artes de São Paulo

Foi a primeira vez que visitei a Bienal de São Paulo, a maior exposição de artes do hemisfério sul. Aliás, minha primeira bienal da vida! Rs. Embora percorrer todas as sete mostras coletivas e doze individuais dessa 33ª edição tenha sido puxado, especialmente para uma iniciante que praticamente nada “entende de arte”, também foi compensador! Mas, pelo que pude apreender dessa e de outras experiências, concluo que arte é para ser sentida e que ninguém deve privar-se dela.

Não é necessário ter estudado, lido livros de arte, visitado os principais museus do mundo ou conhecer os clássicos para compreender uma obra de arte. Porque essa compreensão é fruto de como nos sentimos quando estamos diante dela, uma experiência pessoal, portanto. Penso que esse é (ou deveria ser) o maior propósito da arte, não uma forma de autoafirmação exibicionista do artista. E fiquei feliz em ver que a proposta dessa edição da Bienal de São Paulo compactua com isso.

Afinidades Afetivas da 33ª Bienal de São Paulo

Pavilhão da 33ª Bienal de São Paulo
As curvas de Niemeyer no interior do Pavilhão da Bienal de São Paulo 

“No cerne desta edição há um desejo de reafirmar o poder da arte como lugar único para concentrarmos a atenção no mundo e em favor do mundo…”- Gabriel Pérez-Barreiro, curador geral da 33ª Bienal de São Paulo

“… Se pudermos pensar na arte e em suas exposições essencialmente como experiências, e não como declarações, talvez possamos imaginar uma Bienal em que os artistas, curadores e espectadores são tratados como iguais, todos capazes de construir suas próprias afinidades afetivas com a arte e com o mundo além dela”, explica o curador geral em texto sobre a 33ª Bienal de São Paulo, denominada “Afinidades Afetivas”.

A forma como essa edição da Bienal de São Paulo foi estruturada contribui para o sucesso da proposta. As sete mostras coletivas foram elaboradas com total liberdade para cada um dos seus artistas curadores, que convidaram outros artistas de sua escolha para compor suas afinidades afetivas. “A diversidade de metodologias curatoriais resultante é inteiramente intencional”, conclui Pérez-Barreiro.

Bienal de São Paulo. Obra de arte contemporânea com recortes circulares, objetos, bancadas e luz.

Hidden Sun/ Sol oculto, 2018, de Zilvinas Landsbergas, na 33ª Bienal de São Paulo

Para as outras doze mostras individuais ele escolheu artistas que considera notáveis, entre os quais exposições póstumas de Lucia Nogueira, Aníbal López e Feliciano Centurión. O curador geral entende que eles foram “fundamentais nos anos 1990, mas não receberam a atenção merecida na história da arte recente”. Outro destaque dessa edição é o caráter educativo, que foca na atenção.

“Estamos apenas começando a entender o impacto catastrófico das mídias sociais em nossas vidas interpessoais e políticas. A nossa atenção se tornou o principal produto que as plataformas “livres” tentam revender, enquanto continuam a seduzi-la em nossas horas de vigília”, avalia Pérez-Barreiro. De fato, observei aspectos lúdicos e interativos em vários espaços.

Minhas afinidades afetivas com a 33ª Bienal de São Paulo

Bienal de São Paulo Afinidades Afetivas
Montagem na 33ª Bienal de São Paulo

Da minha experiência, posso dizer que foi um bom aprendizado, não só da forma como ver a arte, mas como me ver em relação à arte. Acho que me ajudou a começar a quebrar certo preconceito em relação à arte contemporânea, que muitas vezes me pareceu confusa e sem sentido. Começo a perceber que para ser apreciada uma obra não precisa ser vista como algo “esteticamente belo” que poderia ocupar algum espaço da nossa casa, mas apenas despertar sentimentos em quem a observa.

Eu tive sentimentos muito variados vendo as obras expostas na 33ª Bienal de São Paulo, da angústia e medo à inquietude e alegria. Também gostei muito de ver estilos e origens tão variados, já que a exposição reúne trabalhos de artistas de diferentes nacionalidades. É como se tivessem juntado um pouquinho da cultura de cada país ali representado. 

Bienal de São Paulo. Vasos de cactos entre paredes e lanças.
“Esquizofrenia da forma e do êxtase”, parte da instalação de Nelson Felix. 33ª Bienal SP

Quando for à Bienal, veja também o Parque Ibirapuera!

Grandes árvores, gramado, prédio e algumas pessoas andando ao longe.
Parque Ibirapuera, em São Paulo. Árvores ao lado do Museu Afro Brasil

E você, quais foram ou serão suas afinidades afetivas com a Bienal? Se já foi, conte pra gente nos comentários! Se não, permita-se essa experiência! Eu recomendo, mas se quiser ver esta 33ª edição, apresse-se, pois só vai até 9 de Dezembro! Demos a dica na Agenda Cultural de Novembro. Sem contar que o Ibirapuera é lindo, cheio de verde e arte para tudo que é lado, das linhas sinuosas de Niemeyer, aos museus, até grandes monumentos. 

Desta vez, também fomos ao Museu Afro Brasil justamente no Dia de Zumbi e da Consciência Negra (20 de Novembro), o que tornou a visita mais especial! Conto sobre isso em outro post, em breve.. Saiba mais sobre o que ver no Parque Ibirapuera no site oficial.  Ah, tem mais fotos da nossa visita à Bienal de São Paulo na Galeria, ao final da página. Espia! 

Algumas curiosidades sobre a Bienal de São Paulo

Bienal de São Paulo. Obra de arte composta por recortes de tecido em dourado e prateado.
Eldorado II, 2018, de Leda Catunda. 33ª Bienal SP
  • A primeira edição da Bienal de Artes de São Paulo aconteceu em 1951.
  • O prédio da Fundação Bienal foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. 
  • A área expositiva do prédio da Fundação Bienal, que abriga a Bienal desde 1954, possui 30 mil m2.
  • A Fundação Bienal abriga o maior arquivo histórico sobre arte moderna e contemporânea da América Latina.
  • Em 2016, a Bienal de São Paulo foi visitada por 900 mil pessoas.
  • 103 artistas expõem aproximadamente 600 obras na 33ª Bienal de São Paulo (2018).
  • Os artistas curadores da 33ª Bienal de São Paulo são Mamma Anderson (Suécia); Antonio Ballester Moreno (Espanha); Sofia Borges (Brasil); Waltercio Caldas (Brasil); Alejandro Cesarco (Uruguai); Cláudia Fontes (Argentina); e Wura Natasha Ogunji (USA). 

Como e quando visitar a Bienal de São Paulo:

Bienal de São Paulo. pedras espalhadas pelo chão, pessoas passando ao redor.
Obra de Denise Milan na 33ª Bienal de Artes de São Paulo

ONDE: Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Pavilhão Bienal), no Parque Ibirapuera, acesso pela Avenida Pedro Álvares Cabral (Portões 3 e 4), cidade de São Paulo (SP).

QUANDO: A cada dois anos, entre os meses de Setembro e Dezembro. A 33ª edição vai de 7 de Setembro a 9 de Dezembro de 2018. Terças, quartas e sextas-feiras; domingos e feriados, das 9h às 19h (entrada até 18h). Quintas-feiras e sábados, das 9h às 22h (entrada até 21h). Obs.: Não abre às segundas-feiras.

QUANTO CUSTA: Entrada gratuita.  


Gostou do post? Então apoie o Embarque40Mais, comentando e compartilhando com amigos. Se estiver planejando viajar, confira nossas Dicas de Serviços Para Sua Viagem


Nossas dicas para visitar a Bienal de São Paulo

Parque Ibirapuera, São Paulo. Aluguel de bike
Augusto, meu filho, que encarou umas pedaladas pelo Parque Ibirapuera

O que usar e levar

Use calçados e roupas confortáveis: a exposição toda está dividida em três grandes pavimentos que a gente pode levar de duas a três horas para percorrer. Leve uma garrafinha de água para se hidratar durante a visita. Afaste-se das obras quando for beber. Não é permitido entrar com alimentos e outras bebidas.

Acessibilidade

Os acessos aos pavimentos superiores pode ser pelas rampas ou elevadores (para pessoas com mobilidade reduzida).

Guarda Volumes

Se estiver com sacolas, malas ou mochilas, terá que deixar em um dos guarda-volumes, ao lado das entradas do Pavilhão. O serviço é gratuito.

Alimentação

Para tomar um cafezinho, busque outro local fora do prédio da Bienal. O expresso servido no Café deles é caro (R$ 6 a unidade), fraco e a quantidade é irrisória (um terço de um copinho médio).  

Se for percorrer outros espaços do Parque Ibirapuera, leve um lanchinho ou prepare-se para gastar mais que a média e não comer bem nas lanchonetes que ficam dentro do parque. Comemos lanches, refrigerantes e salgados e não aprovamos a qualidade.

Tem também um restaurante dentro do Museu de Arte Moderna (MAM), mas não experimentamos nem consultamos os preços; e os ambulantes credenciados, que vendem bebidas, salgadinhos e doces industrializados.

Mobilidade

Se possível, prefira fazer a visita em um dia útil, que é mais tranquilo. Fomos no feriado do dia 20 de Novembro e tivemos dificuldade para encontrar vaga para estacionar. O estacionamento dentro do parque funciona como Zona Azul, então se for ficar mais de 4 horas, tem que trocar o carro de lugar e pagar novamente nas cabines próximas aos portões de entrada (3 e 7).

O portão para acesso a estacionamento mais próximo da Bienal é o 3. O valor é R$ 5 para cada 2 horas. Se morar em São Paulo, prefira ir com transporte público. Achamos que faltam placas de orientação aos pedestres. Vimos apenas dois mapas do parque em pontos distantes. Para chegar a alguns locais, tivemos que pedir informações a seguranças e ambulantes.

Se tiver tempo e disposição, alugue uma bicicleta e dê uma volta pelo parque. Observei pelo menos dois serviços de locação de bikes no local: as amarelas e as verdes. Para alugar as amarelas é preciso baixar um aplicativo e pagar com cartão de crédito; o custo é baixo e o legal é que pode deixá-las em qualquer lugar da cidade depois de usar.  

Mais fotos da nossa visita à Bienal de São Paulo

Referências e observações

  • Com informações da Fundação Bienal, disponíveis no site oficial.
  • A foto destacada, no início do texto, é de autoria de Wilson Lima, da exposição coletiva da artista curadora Cláudia Fontes, intitulada “O pássaro lento”. Trata-se de um enigma a que o espectador/ leitor é convidado a desvendar. Os cacos de cerâmica etiquetados remetem ao conto policial O Mistério de Quarto Fechado, de Pablo Martin Ruíz.  
  • Todas as outras fotos deste post foram feitas pela autora do blog, Michele da Costa, durante a visita à Bienal de São Paulo, no dia 20 de Novembro de 2018. 

Santuário de Aparecida: um templo de fé e cultura

Altar circular com cruz no centro, cercado por grandes pilastras, corredores e bancos.
Altar Central da Basílica de Nossa Senhora Aparecida visto da Cúpula. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais 

Como toda boa família católica do interior (e boa parte da minha composta por descendentes de fervorosos italianos), ao menos uma vez na vida todos tinham que visitar Aparecida “pra cumprir com a obrigação”, como dizia meu finado avô Vergínio. E foi pelas mãos dele que, contando com poucos anos de vida, tive meu primeiro contato com o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Aparecida-SP.

Para uma criancinha assustada não foi lá uma boa experiência. Seja pelo cansaço da longa viagem de ônibus de excursão, pelo medo de me perder em meio àquele oceano de gente; pela tristeza profunda da minha mãe, recém-viúva; pela pobreza que tornavam inacessíveis àqueles coloridos souvenirs em milhares de barraquinhas; pelo horror que me causou uma soturna sala de milagres repleta de cabeças, pernas e braços de cera e outros objetos bizarros.

De encher os olhos e o coração

Grande templo católico, passarela para pedestres e árvores.
Basílica de Nossa Senhora Aparecida e a Passarela da Fé. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais 

Ainda não tinha a capacidade de compreender a beleza arquitetônica da Basílica Velha, ou o sentimento de fé que levava multidões a assistir uma missa após outra. Passados 50 anos recebi, meio ressabiado, o convite de voltar àquele santuário, pensando que ao menos iria presenciar um belo espetáculo de fé popular. O que vi me encheu os olhos e, de certa forma, o coração.

Trata-se de um outro Santuário de Aparecida, totalmente diferente onde uma gestão competente por parte dos responsáveis modernizou, equipou, criou suportes de serviços e infraestrutura, o que transformou aquele ícone de fé também em um monumento à cultura pra encher de orgulho qualquer brasileiro. Uma série de obras e empreendimentos resultou em maior conforto e opções de lazer ao romeiro.

Santuário de Aparecida é recheado de tesouros

Vista exterior de grande templo católico, com estátuas, torre e cúpulas.
Exterior da Basílica de Nossa Senhora Aparecida ao anoitecer. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais 

Mas, vou me ater aqui somente à Basílica Nova, a segunda maior do mundo (perde apenas para o Vaticano) uma imponente e bela estrutura arquitetônica recheada de simbolismos e tesouros históricos e culturais.

Projetada em forma de cruz grega pelo arquiteto Benedito Calixto Neto (neto do famoso pintor Benedito Calixto), a Basílica do Santuário Nacional impressiona desde sua visão externa, onde um átrio em forma de ferradura, encimado por esculturas dos apóstolos, parece abraçar os que chegam.

Mulher em corredor, em frente a uma grande porta fechada.
Historiadora explica sobre a “Porta Santa” (Santuário de Aparecida), criação de Cláudio Pastro inspirada na Anunciação à Virgem Maria. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais

Adentrar por suas imensas portas em forma de mão revela um espetáculo de luz e cores prismadas por vitrais, que ampliam a grandiosidade no pé-direito de 70 metros coroado por uma abóbada circular. A sensação é de aconchego e conforto ao penitente. Ali cabem 45 mil almas.

A genialidade de Cláudio Pastro no Santuário de Aparecida

Altar e decoração em azulejos no interior de templo religioso
A fauna e flora brasileiras na decoração interna da Basílica de Aparecida. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais

A maior parte da decoração interna da Basílica do Santuário Nacional de Aparecida foi concebida pela genialidade do artista plástico Cláudio Pastro, que optou pelo uso de pastilhas vítreas coloridas e azulejos para perenizar os temas e motivos espalhados por todos os cantos da imensa Basílica. E como tem motivo.

Desenho de árvore e pássaros em interior de templo religioso
Detalhe do acabamento interno da Cúpula Central da Basílica de Aparecida: Árvore da Vida e pássaros da fauna brasileira. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais

Cada azulejo, uma pequena obra de arte. Para se entender um pouco de toda rica simbologia do cenário interno, é indispensável a visita, tanto diurna quanto noturna, com ajuda de um guia. No caso, uma historiadora apaixonada. Só através dela é que se destaca a riqueza dos detalhes que passam despercebidos

  • Cláudio Pastro (1948-2016), artista plástico paulistano, considerado a principal referência em arte sacra da atualidade. Você pode saber mais sobre ele visitando o site oficial do artista. (MC
Visão interna de grande templo religioso, com paredes desenhadas, bancos e altar.
Duas das quatro estruturas que dão suporte à Cúpula Central da Basílica de Aparecida. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais

Toda temática tem como pano de fundo a cultura brasileira. As quatro estruturas que suportam a abóbada, por exemplo, trazem motivos da fauna e flora das diversas regiões brasileiras, alçados por anjos que representam o negro (tocando um pandeiro), o índio (paramentado), o europeu e o caboclo (com chapéu de palha e berrante).

Mulher dentro de templo católico
Zenilde Cunha, durante visita monitorada noturna na Basílica de N. Sra. Aparecida. Nicho com imagem da Santa ao fundo. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais 
  • A historiadora mencionada é Zenilde Cunha, assessora em monitoria histórica e religiosa do Santuário Nacional de Aparecida, que nos guiou pela visita noturna à Basílica. Essa visita noturna guiada é oferecida exclusivamente aos hóspedes do Hotel Rainha do Brasil, sem custo adicional. Saiba mais ao final do texto. (MC)

Templo de Aparecida faz referência a personagens e mártires

Contra luz do dia em vitrais e portas de templo religioso
Luz natural do dia perpassa vitrais e compõe visual incrível dentro da Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais 

Nos murais, referências a personagens e mártires, bíblicos ou não, de profunda influência na história da Igreja e do País, inclusive recentes, como o caso da missionária Dorrit Stang ou do índio Galdino, vitimados pela intolerância. O templo revela também curiosidades como observar em determinado ponto, um vitral iluminar as sete chagas de Cristo num imenso crucifixo central com a figura vazada do Salvador.

Desenhos pintados em azulejos na parede.
Milagres de N. Sra Aparecida pintados em azulejo na Basílica, em Aparecida-SP. Foto: Michele da Costa/ Embarque40Mais

Corredores em espaços internos da Basílica mostram informações detalhadas da construção e obras de arte do templo, além de museus e exposições permanentes não apenas focadas na história e milagres da Virgem de Aparecida, mas também de uma parcela da própria história do Brasil.

A arte da fé na Sala das Promessas do Santuário de Aparecida

Sala com objetos expostos em vitrines vitrificadas e fotografias no teto. Pessoas passando e observando.
Interior da Sala das Promessas no Santuário de Aparecida: Objetos e fotografias deixados por devotos. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais 

Nos amplos subterrâneos do Santuário Nacional de Aparecida há lanchonetes, os estúdios da TV Aparecida (com paredes de vidro para o público acompanhar o que acontece lá dentro) e uma versão moderna da sala dos milagres (agora “Sala das Promessas”) de visual agradável e amplamente iluminada, repleta de objetos organizados em vitrines e no teto um mosaico com 75 mil fotos. Exorcizei meus fantasmas de criança.

  • Esses objetos expostos na Sala das Promessas são chamados ex-votos, deixados por devotos como símbolos de agradecimento à N. Sra. Aparecida.  São recebidos aproximadamente 19 mil ex-votos por mês, mas no mês de Outubro chega a 30 mil. No local, os visitantes também podem escrever uma mensagem para ser deixada à N. Sra. (MC)

Estes são apenas alguns detalhes do muito do que se tem para ver e ouvir no Santuário. Voltando os olhos à minha primeira impressão a que tenho agora é que o complexo religioso cumpre sua meta de acolher o romeiro, de oferecer algo mais do que o conforto espiritual. Me senti acolhido e com vontade de voltar.

Aliás, por tudo o que o Santuário oferece, transcende o plano religioso. É um lugar que merece ser visto com olhos de turista, não importando o credo. O Santuário Nacional de Aparecida, definitivamente, é um patrimônio da cultura nacional.

Sobre a Basílica Nova e o Santuário de Nossa Senhora Aparecida

Pessoas circulando por corredor cercado por grande porta e colunas.
Santuário Nacional de Aparecida recebe quase 13 milhões de pessoas por ano. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais 

A construção da Basílica Nova de N. Sra. Aparecida foi iniciada em novembro de 1955. As atividades religiosas no local começaram em Outubro de 1982, quando a imagem da santa foi transferida. Até então, a imagem ficava na Basílica Velha, no Morro dos Coqueiros. Desde 1983, com a declaração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Basílica Nova de Aparecida passou a ser Santuário Nacional.

O Santuário é administrado pelos Missionários Redentoristas desde 1894 e mantido por doações de devotos. Entre as obras mais recentes está o acabamento interior da Cúpula Central, inaugurado em 2017, durante as comemorações dos 300 anos do encontro da imagem da santa pelos pescadores.

Interior de grande templo religioso católico, com corredor, bancos e altar.
Interior da Basílica de Aparecida visto de uma das portas de entrada. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

A Basílica de Sra. Aparecida é o maior templo mariano (dedicado à Maria) do mundo, com 71.936 m². Recebe aproximadamente 13 milhões de devotos por ano, especialmente no mês de Outubro, já que dia 12 é o Dia da Padroeira do Brasil, N. Sra. Aparecida, feriado nacional. (MC)

Algumas dicas para apreciar a arte do Santuário de Aparecida

Visita Monitorada Noturna à Basílica

Obs.: Essa atividade é restrita aos hóspedes do Hotel Rainha do Brasil, que pertence ao Santuário Nacional. 

ONDE: Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida
(Av. Dr. Júlio Prestes, s/nº, Ponte Alta, Aparecida-SP). Saídas do Hotel Rainha do Brasil (Rua Isaac Ferreira da Encarnação, 501, Jardim Paraíba, cidade de Aparecida-SP. A 700 metros do Santuário).

QUANDO: De segunda à sexta-feira, das 19h às 21h. 

QUANTO CUSTA: Sem custo adicional aos hóspedes do Hotel Rainha do Brasil. O Hotel 4 estrelas, que oferece almoço, jantar e café da manhã a hóspedes e também a não hóspedes, é muito bem avaliado pelos usuários. Confira e faça sua reserva no Booking.  

Circuito de Visitação à Cúpula

ONDE: Sobre o altar central da Na Basílica Nossa de N. Sra Aparecida
(Av. Dr. Júlio Prestes, s/nº, Ponte Alta, Aparecida-SP). Bilheteria no subsolo do Santuário, a esquerda do estúdio da TV Aparecida.

QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30; Sábado, das 7h às 18h; Domingo, das 7h às 15h30; feriados, das 8h às 16h30. 

QUANTO CUSTA: R$ 10 ou R$ 15 (incluso o ingresso para o Museu de N. Sra. Aparecida). Estudantes com carteirinha, pessoas com mais de 60 anos, professores, guias de turismo e coordenadores de romaria com identificação pagam meia. 

MAIS INFORMAÇÕES: (12) 3104-3403,  [email protected]

Sala das Promessas  

ONDE: No Subsolo do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (Av. Dr. Júlio Prestes, s/nº, Ponte Alta, Aparecida-SP).

QUANDO: Segunda-feira, das 9h às 18h; De terça à sexta, das 8h às 18h; Aos sábados, das 7h às 18h; Domingos, das 6h às 18h.

QUANTO CUSTA: Acesso gratuito. 

MAIS INFORMAÇÕES: (12) 3104-1569/ 1604, [email protected]

Referências

  • Com notas incluídas pela autora do Blog, a jornalista Michele da Costa (MC), a partir de informações obtidas pela Assessoria de Comunicação do Santuário Nacional e disponíveis no site oficial do Santuário. 
  • O Embarque40Mais (Michele da Costa e Wilson Lima) visitou Aparecida-SP em Agosto de 2018, a convite do Santuário Nacional, que ofereceu hospedagem e alimentação no Hotel Rainha do Brasil, ingressos para atividades e transporte na cidade. Esclarecemos que, mesmo viajando a convite, o relato expressa exclusivamente nossa experiência e opinião sinceras, como de costume. 

© 2020 Embarque40Mais

Theme by Anders NorénUp ↑

%d blogueiros gostam disto: