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Chapada das Mesas é paraíso do ecoturismo no cerrado brasileiro

O Parque Nacional da Chapada das Mesas, no Maranhão, é um paraíso do ecoturismo. Rios, cachoeiras e paredões imponentes convidam à aventura entre belíssimas paisagens do cerrado brasileiro! Experiência e dicas de roteiro, onde ficar e comer.

Chapada das Mesas está no sudoeste do Maranhão, já na divisa com o Tocantins, bem no “coração do Brasil”. Um pedaço ainda pouco conhecido desse país, recheado de rios, cachoeiras e paredões de arenito vermelho-alaranjado.

Com 160 mil hectares de cerrado, o Parque Nacional da Chapada das Mesas é uma área de proteção ambiental localizada nos municípios de Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz.

Um verdadeiro santuário ecológico, criado em 2005, embora ainda não finalizado pelo governo federal, que abriga uma serra com quase 14 mil metros lineares de extensão e altitudes que variam de 309 a 420 metros.

Além disso, tem cenários lindos como os pilares da Chapada, o Morro do Chapéu, a Serra da Kangalha, a Torre de Babel e as mesetas da Chapada. Essas mesetas são rochas, esculpidas durante milhares de anos pelo vento e pela chuva, que lembram enormes mesas de vários tamanhos e formas.

Então, a porta de entrada para esta reserva nacional é a simpática cidade de Carolina, com seus 25 mil habitantes, a aproximadamente 800 km de São Luís e a 220 km de Imperatriz. 

No município foram catalogadas mais de 100 cachoeiras e 400 nascentes, o que deu à cidade o apelido de “Paraíso das Águas”. Por isso, é a partir de Carolina que começamos nossa expedição de três dias pela região.

Carolina é base para explorar a Chapada das Mesas

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Vista da pequena cidade de Carolina (MA)

Na chegada à cidade, ainda na balsa que cruza o Rio Tocantins, os olhos se enchem com a belezas dos imensos platôs de arenito. Parece que a gente está entrando num cenário de filme de faroeste, só que aqui o verde cobre as mesas e mesetas.

Então, em Carolina nosso primeiro passo foi conhecer a história da cidade, com uma visita ao museu local. Pois vale a pena saber a importância social, cultural e econômica que a cidade teve na formação de toda a região.

Outra atividade bacana na cidade é um passeio pelo centro histórico, com suas casas coloniais e um povo bastante simpático.

Assim, no dia seguinte partimos cedo para a primeira aventura, a bordo de caminhonetes 4×4, para conhecer as cachoeiras da Aldeia do Leão e Dodô. Lugares magníficos, que oferecem banhos refrescantes.

No entanto, antes fizemos uma parada na propriedade do seu José Dorica, um sertanejo produtor de farinha d’água. Para quem nunca viu como se produz este ingrediente da gastronomia brasileira, vale a pena conhecer o processo.

Turismo sustentável na Estância Vereda Bonita

Depois seguimos para a Estância Vereda Bonita, onde fomos recebidos pela equipe do casal Marcelo Assub Amaral e Valéria Petinari. Eles são paulistanos que largaram a agitada capital para viver em meio ao cerrado, onde praticam o turismo sustentável.

No local, o visitante pode fazer trilhas e práticas esportivas, ter aulas de educação ambiental com foco na preservação dos recursos naturais e sustentabilidade.

Além disso, pode remar em um braço do rio Tocantins, tomar banho de cachoeira e experimentar a saborosa comida preparada em fogão a lenha.

As cachoeiras de Chapada das Mesas

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Cachoeira da Prata, no Rio Farinha

No outro dia embarcamos em uma aventura mais longa. Fomos conhecer as cachoeiras do Prata e São Romão, ambas no Rio Farinha, afluente do Tocantins, dentro da área do parque nacional.

Esse trajeto até elas é longo, cerca de 80 quilômetros e boa parte deles em estrada arenosa, onde somente veículos 4×4 conseguem passar. E não se arrisque a ir sem guia autorizado, pois são várias as ramificações de estrada, e se perder é coisa bem fácil.

Então, pelo caminho encontramos umas três ou quatro casas de sertanejos e muitas formações rochosas bonitas. A vegetação oscila entre o cerrado e a mata amazônica. É o que eles chamam de zona de transição.

As duas cachoeiras são majestosas. A da Prata leva o nome por causa dos reflexos do sol que deixam suas águas com aparência metalizada.

No entanto, São Romão é mais volumosa e tem uma prainha na beira do rio, onde é possível tomar banho e se aproximar da queda d´água em um passeio de caiaque. Nas duas se pode praticar rappel e canionismo. Aproveite para um almoço típico no local. 

Portal da Chapada das Mesas

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Chegada ao Portal da Chapada

Por fim, no último dia, a parte mais interessante da viagem para quem gosta de altura. Então, partimos cedo para o Portal da Chapada, onde fica o atrativo mais fotografado da região: um recorte natural no alto de um dos paredões de arenito que lembra o mapa do estado de Tocantins.

Só que, para chegar ao Portal, é preciso subir por um caminho arenoso. Mas, por sua beleza e por estar próximo da rodovia, o local é bastante visitado. De lá é possível apreciar os Pilares da Chapada, o Morro do Chapéu, símbolo da chapada, e várias mesas e mesetas.

Então, continuando nossa viagem, fizemos uma visita ao Parque Terra d’Água, onde o engenheiro José Emídio Albuquerque e Silva criou trilhas artísticas, pontuadas por painéis com poesias sob árvores no meio do cerrado. Um descanso poético na odisseia pela chapada.

Mirante da Chapada das Mesas

O Sol já estava quase sumindo atrás das montanhas quando chegamos ao Mirante da Chapada das Mesas, que oferece uma bela vista, por isso é um local de turismo contemplativo, além de ecológico. Só que para chegar ao topo da serra, com 400 metros de altura, é necessário subir por trilhas.

Mas o esforço vale muito a pena, pois do alto se pode ver toda a região, as mesas, mesetas e fazer lindas fotos. Local perfeito para ver o Sol nascer ou se pôr.

No entanto, muitos preferem ir à noite para contemplar um lindo luar. Aliás, acabamos descendo a montanha guiados pelas lanternas dos celulares, pois a turma não queria mais deixar aquele belo visual. 

E por fim, na manhã do último dia, poucas horas antes de embarcar na viagem de volta, resolvemos conhecer rapidamente as Cachoeiras de Itapecuru, também conhecidas como cachoeiras gêmeas, no povoado de São João das Cachoeiras, a 30 km do centro de Carolina.

Outro espetáculo com boa infraestrutura para receber os visitantes, que passam o dia curtindo suas águas.

Cachoeira do Santuário e tirolesas no Pedra Caída

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O famoso Portal da Chapada das Mesas

A 36 km do centro de Carolina, em direção a Imperatriz, fica o Complexo Turístico Pedra Caída, que dispõe de 230 leitos (apartamentos e chalés) e oferece 12 mil hectares de área para o turismo de aventura.

Então, são 26 quedas d’água, sendo que a principal delas é a Cachoeira do Santuário, um dos passeios mais emocionantes do roteiro. A água despenca de uma altura de 46 metros no fundo de um cânion. 

Outra aventura emocionante é uma viagem por tirolesas. Uma delas tem 1.400 metros de comprimento e fica a 392 metros de altura, por isso leva o nome de “tirolesa do desespero”.

A segunda tirolesa tem 1.200 metros e o nome de “tirolesa do pânico”. As duas podem ser acessadas por uma trilha montanha acima ou então por uma viagem de 22 minutos a bordo de um teleférico.

O esforço vale, pois no alto da montanha, além da bela visão panorâmica do vale, fica também um portal holístico na forma de uma pirâmide de vidro com dois andares, em cujo teto está preso um cristal com quase 200 quilos.

Pura energia. O visual é surpreendente e faz gente não querer sair mais dali.

“Carolina” homenageia princesa Leopoldina

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Vista ampla dos Pilares da Chapada

O município de Carolina foi fundado em 1809 com o nome de Arraial de São Pedro de Alcântara. Então, em 1859 foi emancipado com o nome de Carolina, em homenagem à Princesa Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil.

Isso porque o nome completo da princesa era Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, esposa de D. Pedro I. O município vive da pecuária e do turismo.

A cidade dispõe de várias pousadas e hotéis, um total de 2 mil leitos. Em 2017, por exemplo, recebeu 66 mil hóspedes, segundo o secretário municipal de Turismo Leonardus Borges.

Contudo, a maioria dos turistas que visitam a região vem do norte do País, especialmente do Pará. Enquanto que o Sudeste responde por apenas 5% do total de visitantes.

“Estamos trabalhando para que os turistas tenham uma estadia agradável e repleta de emoções”, diz Borges.

Mais opções de passeios na Chapada das Mesas 

Morro do Chapéu: A mais emblemática meseta e o ponto mais alto da Chapada. Diz a lenda que o morro era o principal local dos ritos indígenas no passado. O trekking até o Morro do Chapéu é uma subida de 365m em rocha arenítica e, portanto, exige preparo físico e habilidade dos praticantes. 

Balneário Encontro das Águas: Experiência que une natureza, com banhos e atividades em trilha interpretativa, e a hospitalidade típica do sertanejo. Então o projeto foi idealizado pelo casal Benedito e Maria de Jesus, que sabe como ninguém preparar os pratos mais tradicionais da região, como a galinha caipira criada na propriedade.

Refúgio Ecológico Serra Torre da Lua: Refúgio para animais silvestres em seus extensos campos cerrados, matas de galeria, encostas íngremes, com diversas nascentes de rios perenes. Assim, é para quem busca o contato puro com a natureza. Ideal para trilhas interpretativas, escaladas, caminhadas, banhos de rio e cachoeira.

Morro das Figuras
: O entorno do parque oferece diversos atrativos, como o trekking até o Morro das Figuras, com inscrições rupestres e as trilhas ecológicas como a que leva até o Morro do Chapéu. 

A seguir, alguns contatos de agências de turismo locais que fazem passeios na Chapada das Mesas:

Onde ficar para visitar Chapada das Mesas, no Maranhão

Pousada do Lajes: (99) 3531-2452/ 981-220-270.
Hotel Rilton: (99) 3531-2824.
New Center Hotel: (99) 3531-2875/ 991-945-571.
Rocha´s Pousada: (99) 3531-3864/ 981-356-316/ 981-883-000, [email protected]
Pousada Filhos da Água: Avenida Getúlio Vargas 1084, (99) 3531-2060.

Para organizar sua visita à Chapada das Mesas, você também pode consultar as dicas de serviços de viagem do blog Embarque40Mais!

Onde comer durante visita à Chapada das Mesas

Pizzaria Tio Pepe: especializada em pizzas e grelhados. Praça José Alcides de Carvalho, 236.

Espaço Gourmet: cardápio é baseado em saborosas massas, mas em algumas noites tem música ao vivo. Praça José Alcides de Carvalho.

Mocotozin: serve comida regional, como a Maria Isabel (arroz com carne de sol picada bem miudinha), mas também uma deliciosa linguiça caseira. Rua Justiniano Coelho, 567.

A Chapada das Mesas é relativamente longe do Sudeste, mas vale a pena conhecer por ser uma paisagem única no País e ainda bem pouco explorada para turismo.

São muitas opções de passeio. Monte seu roteiro com no mínimo cinco dias e tenha uma boa aventura!

Referências

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Jorge Massarolo durante expedição pela Chapada das Mesas
  • Texto e fotografias de autoria do jornalista Jorge Massarolo, com edição da jornalista Michele da Costa (todos os direitos reservados).
  • Jorge Massarolo é jornalista profissional, com mais de 30 anos de experiência. Nascido em Barão de Cotegipe (RS) e radicado em Campinas (SP).
  • Essa viagem do jornalista à Chapada das Mesas aconteceu em Janeiro de 2018, a convite da Secretaria de Turismo de Carolina.

O que fazer na Praia de Boiçucanga, em São Sebastião-SP

Saiba porque a Praia de Boiçucanga, em São Sebastião, é uma ótima opção de destino no litoral norte de São Paulo: trilhas e cachoeiras em meio à mata nativa, uma bela praia, boa localização e infraestrutura completa! 

Eu adoro o litoral norte de São Paulo, em especial São Sebastião, que em minha opinião concentra a maioria das praias mais bonitas e limpas de todo o litoral paulista. Descendo a Serra do Mar pela Rodovia dos Tamoios, a gente já vislumbra o que nos espera: a água brotando em meio à densa vegetação para formar cachoeiras e rios e os recortes da paisagem desenhada por belíssimas praias cercadas pela Mata Atlântica.     

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Queda d’água na Serra do Mar, avistada da Rodovia dos Tamoios

Seguindo pela Rodovia Rio Santos, à sombra de árvores e sob o céu azul, vamos serpenteando à margem de lindas praias, cada qual com sua diversidade e história, a começar pelos nomes, em maioria recebidos de seus habitantes originários, os Tupinambás e os Tupiniquins. 

A estadia na Praia de Boiçucanga, nossa escolha dessa vez, foi muito assertiva. Já fiquei hospedada em outras praias da região, como Juquehy, Barra do Sahy e Paúba, circulei por várias outras por perto e conclui que Boiçucanga é o melhor custo-benefício para hospedagem devido à sua localização, belezas naturais e infraestrutura. 

Tem trilhas e cachoeiras lindas, fica entre algumas das praias mais bonitas e tem supermercados, bancos, shopping e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), serviço público de saúde para casos de urgência e emergência. Tudo isso a um custo médio inferior se comparado a praias próximas mais badaladas.

Um recanto do samba na Praia de Boiçucanga

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Bar Cartola, na Vila de Boiçucanga

Além disso, Boiçucanga possui variadas opções de bares e restaurantes, para todos os gostos e bolsos. Em uma de nossas noites na Vila por acaso encontramos um bar muito bacana, o Cartola, que, como já era de se esperar pelo nome, tem música ao vivo com samba de raiz. Público animado, bom atendimento e preço justo completam o menu desse pequeno recanto boêmio da Vila de Boiçucanga. 

Nessa noite (um sábado), um dos integrantes da banda que se apresentava fazia aniversário, então o show foi especial, com direito a parabéns pra você em ritmo de samba. Como o bar não fica na avenida principal, achamos que o público deveria ser predominantemente de moradores locais, mas fomos informadas do contrário pelo pessoal da casa: a maioria ali era turista, como de costume. Foi uma noite muito agradável! 

Também não pode faltar na lista de motivos para ficar na praia de Boiçucanga o seu pôr do Sol no mar, considerado o mais lindo do litoral norte. Não vi muitos outros até hoje, mas achei maravilhoso! O poente nesse local é tão famoso que tem até uma praça em homenagem, a Praça Pôr do Sol. Nós ficamos hospedados em uma casa de condomínio bem em frente à essa praça. Em outro post, conto sobre a experiência na Casa 104 do Recanto do Barão, que foi muito bacana! 

As cachoeiras da Trilha do Ribeirão do Itu

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Na trilha do Ribeirão do Itu, em São Sebastião-SP

Como a maioria das pessoas que escolhe um destino no litoral, meu foco era curtir as praias, então a expectativa com as cachoeiras não era alta, mas fui surpreendida. As cachoeiras da Trilha do Ribeirão do Itu, no Parque Estadual Serra do Mar, e a própria trilha acabaram sendo o melhor passeio que fiz nessa viagem ao litoral de São Sebastião. 

A Trilha do Ribeirão do Itu nos leva a duas lindas cachoeiras: da Pedra Lisa e Samambaiaçu. Durante o percurso, com o total de 1,5 Km margeando o rio, a gente tem a oportunidade de observar a biodiversidade da Mata Atlântica. Saiba mais sobre essa experiência e confira dicas para planejar sua visita em nosso post especial sobre a Trilha do Ribeirão do Itu

Tour pela Barra, na Praia de Boiçucanga

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Praça da Mentira, com Capela de N. Sra da Conceição

Essa nossa viagem aconteceu no Natal, então desde o planejamento pensamos em comprar um peixe fresco para assar no dia 25. E fomos nós, Letícia (filha), Cleide (mãe) e eu, até a Barra, onde o Rio Boiçucanga encontra o mar e de onde partem os barcos de pesca e turismo. Ali também estão residências de muitos pescadores e a Praça da Mentira.

Essa Praça e a Capela de Nossa Senhora da Conceição, em frente, são marcos da história da Vila de Boiçucanga. A praça tem esse nome porque desde a época de fundação da Vila era onde os moradores locais se encontravam ao final da tarde para contar as novidades. Como a maioria dos moradores ali eram pescadores e eles têm fama de contar vantagem das suas pescarias, o local foi denominado Praça da Mentira. 

Estórias de pescador

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Barcos de pesca no porto da Barra

Curiosamente, passando por ali à procura do tal peixe fresco, moradores nos disseram para esperar que logo alguns pescadores iriam voltar do mar com o pescado do dia. Depois de uns 40 minutos de espera, surgem três homens carregando um caixote, mas os peixes eram muito pequenos. Conclusão: o morador disse a verdade, mas a rede não estava pra peixe! Rs.   

Antes da ocupação portuguesa, a serra de Boiçucanga marcava a divisão entre os territórios dos índios Tupinambás (ao norte) e Tupiniquins (ao sul). O nome, de origem indígena, significa “cobra da cabeça grande”. Indígenas, portugueses e africanos compõem a base étnica dos habitantes de Boiçucanga e toda São Sebastião, que foi um dos primeiros povoados da costa brasileira a se tornar Vila, em 1636.  

Sobre a Praia de Boiçucanga e algumas vizinhas

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Final de tarde na Praia de Boiçucanga, em São Sebastião

A Praia de Boiçucanga fica em São Sebastião-SP, entre as praias de Maresias e Camburi. É de tombo e pequena, se comparada a outras praias próximas, tem dois quilômetros de extensão, mas é muito bonita! As águas são transparentes e limpas e a areia é grossa, o que acho uma delícia para massagear os pés. No canto esquerdo, onde deságua o Rio Boiçucanga, o mar é mais calmo. É também pelo canto esquerdo o acesso à Praia Brava de Boiçucanga, mas não fomos dessa vez. 

Outra coisa bacana de ficar hospedado em Boiçucanga é a proximidade com outras praias próximas muito lindas, como Camburi, Camburizinho, Baleia e Juquehy, que completaram nosso roteiro dessa viagem de seis dias. Eu já conhecia todas essas praias vizinhas, mas dessa vez pude ver melhor a charmosa Camburizinho, com seu rio de águas calmas a divisar com Camburi. Ambas são lindas!

Praias de Camburi, Camburizinho, Baleia e Juquehy

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Encontro do rio e mar na Praia de Camburizinho, em São Sebastião-SP

A Praia da Baleia é muito bonita também, mas sua maior qualidade em minha opinião é a grande faixa plana de areia batida, o que permite a prática de vários esportes, como frescobol e bicicleta. Inclusive dá para alugar bikes por preços acessíveis em uma lojinha na avenida em frente à praia. Mas nosso melhor dia de praia dessa vez foi em Juquehy, onde já fiquei hospedada anos atrás, a mais limpa e tranquila de todas! 

Contudo, algo me incomodou muito e não só dessa vez e nem só nessas praias: a falta de banheiros públicos, o que leva a maioria das pessoas a urinar no mar. Para muita gente isso pode não ter importância, mas acho muito ruim, especialmente em dias de praia lotada, como nos feriados. Então, as prefeituras investem milhões em tratamento de esgoto para despoluir rios e mares mas não podem construir banheiros para evitar que os banhistas depositem seus dejetos diretamente no mar? Fica a dica! 

Outra coisa legal das praias da região é a proximidade com algumas ilhas: As Ilhas, Ilha dos Gatos e Couves, que podem ser visitadas de barco ou caiaque. De outra vez, fiz um desses passeios partindo da Praia Barra do Sahy, entre Baleia e Juquehy, e gostei muito! E você, já conhece alguma dessas praias? Conte nos comentários!

Referências:

  • Texto e fotos pertencem à Michele da Costa, jornalista e autora do blog Embarque40Mais: todos os direitos reservados.
  • Com informações da Prefeitura de São Sebastião, disponíveis no site oficial em 09/03/2020, e do Parque Estadual Serra do Mar.
  • Essa viagem de Michele e família à São Sebastião-SP aconteceu em Dezembro de 2019 e foi custeada por elas.

Cachoeiras da Trilha do Ribeirão do Itu, em São Sebastião-SP: dicas

Nossa experiência e dicas para visitar as lindas cachoeiras da Trilha do Ribeirão do Itu, na Mata Atlântica, que foi aberta por povos indígenas antes da ocupação portuguesa, na cidade de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. 

Como a maioria das pessoas que escolhe um destino no litoral, meu foco era curtir as praias, então a expectativa com as cachoeiras não era alta, mas fui surpreendida. As cachoeiras da Trilha do Ribeirão do Itu e a própria trilha acabaram sendo o melhor passeio que fiz nessa viagem ao litoral de São Sebastião. E demos muita sorte, pois havia possibilidade de chuvas naquele dia, mas ela só veio quando já tínhamos saído da trilha. 

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Na Trilha, pausa em passarela sobre o Ribeirão

A Trilha do Ribeirão do Itu, no Parque Estadual Serra do Mar, Vila de Boiçucanga, nos leva a duas cachoeiras: da Pedra Lisa e Samambaiaçu. Durante o percurso, com o total de 1,5 Km margeando o rio, a gente tem a oportunidade de observar a biodiversidade da Mata Atlântica. Entre os animais que habitam a região estão o Tucano de Bico Verde, o Bugio Ruivo e alguns anfíbios.

Durante nossa visita, ouvimos alguns sons característicos, mas os únicos animais que conseguimos ver com certeza foram borboletas azuis e rãs que parecem miniaturas de tão pequenas, camufladas nas pedras da cachoeira do Samambaiaçu. Ainda que a gente não tenha avistado outros animais e apesar da dificuldade de acesso no segundo trecho da trilha, o passeio foi incrível! 

Acesso à Cachoeira do Samambaiaçu

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Cachoeira do Samambaiaçu, em São Sebastião-SP

O percurso total da Trilha até Samambaiaçu, com seus 1,5 Km, leva aproximadamente 50 minutos. Até a cachoeira da Pedra Lisa (1,2 Km), que tem também outra queda denominada Hidromassagem, o acesso é tranquilo e indicado para todos os públicos. Para alcançar a Cachoeira do Samambaiaçu são mais 300 metros apenas, mas é bem íngreme. 

Além disso, a gente se depara com obstáculos como troncos de árvore, erosão, pedras muito escorregadias e degraus altos, em alguns pontos sem qualquer apoio para as mãos. Esse trecho da Trilha é indicado apenas a adultos com bom condicionamento físico, o que não posso dizer de mim, mas completei o percurso com dificuldade moderada.

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Trecho difícil da Trilha Ribeirão do Itu, em Boiçucanga

No final, o esforço é compensado com um banho refrescante em águas cristalinas, a contemplação da queda da Samambaiaçu e a mata exuberante ao redor. A Trilha do Ribeirão do Itu foi aberta por povos indígenas, que habitavam a região antes da ocupação portuguesa, para chegar ao planalto. O Parque Estadual Serra do Mar, criado em 1977, é a maior Unidade de Conservação da Mata Atlântica, com 332 mil ha distribuídos por 25 cidades paulistas. 

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Refresco na Cachoeira do Samambaiaçu, em São Sebastião-SP

Para fazer a Trilha não é cobrado ingresso nem é preciso contratar guia autorizado (embora isso possa ser enriquecedor), todo o percurso é bem sinalizado com placas de orientação e informação. Confira, a seguir, algumas dicas. 

Se pretende se hospedar na região, pode gostar de ver nossa experiência de hospedagem em casa de condomínio de Boiçucanga.

Planeje sua visita à Trilha do Ribeirão do Itu:

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Início da Trilha do Ribeirão do Itu, em São Sebastião-SP

Use calça e camiseta por cima da roupa de banho, boné ou chapéu e tênis antiderrapante; 

Leve água, repelente, protetor solar, toalha, algo leve para comer e sacola para carregar seu lixo; 

Nunca vá sozinho, pois pode precisar de ajuda e lá não chega sinal de celular;

Antes de ir, veja a previsão do tempo: chuvas deixam a trilha mais escorregadia e podem causar trombas d’água e inundações. 

COMO CHEGAR: A Trilha do Ribeirão do Itu começa na Rua Guilherme dos Santos (altura do número 265, segundo o Google Maps), na Vila de Boiçucanga. O ideal é ir a pé, de ônibus ou Uber. Se for de carro, tem opção de deixar bem antes ou no Estacionamento do Cícero (no início da trilha), pois nas ruas próximas não é permitido estacionar: pagamos R$ 10 por pessoa, com direito a usar também o banheiro. Mais informações sobre o estacionamento: (12) 997.664.936. 

Referências

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