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Exposições no MASP colocam desigualdade de gênero em debate

Duas exposições no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) colocam em debate a desigualdade de gênero: Histórias das Mulheres e Histórias Feministas. Na cidade de São Paulo-SP, de 23 de Agosto a 17 de Novembro de 2019, com entrada gratuita às terças-feiras. O objetivo é resgatar e difundir o trabalho de artistas mulheres e pensar sobre possíveis desdobramentos do feminismo nas artes.

  • Outras dicas de exposições, teatro e shows podem ser conferidas em nossa Agenda Cultural SP.

“Histórias das Mulheres” resgata obras

Obra de Marie Constantine Bashkirtseff na exposição no MASP Histórias das Mulheres
Obra de Marie Constantine Bashkirtseff. Crédito: Rijksmuseum, Amsterdam

Histórias das mulheres busca reposicionar a obra de artistas que trabalharam até o final do século 19, ao discutir a diferença de valor entre o universo masculino e o feminino e também entre arte e artesanato. A curadoria da exposição no MASP é de Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea do Museu; Lilia Schwarcz, curadora-adjunta de histórias e narrativas; e Mariana Leme, curadora assistente do museu.

A mostra terá nomes como Sofonisba Anguissola (circa 1532-1625), Artemisia Gentileschi (1593-1653), Judith Leyster (1609-1660), Angelica Kauffmann (1741-1804), Elisabeth-Louise Vigée-Lebrun (1755-1842) e Eva Gonzalès (1849-1883). Também de pioneiras latino-americanas como Magdalena Mira Mena (1859-1930), Abigail de Andrade (1864-1890) e Berthe Worms (1868-1937).

A diversidade estética, temática e técnica das obras expostas nessa exposição no MASP mostra que as artistas fizeram parte dos mais diferentes grupos que atravessaram as narrativas da história da arte. A ideia é demonstrar que não existe, portanto, um “modo feminino” de criar ou de apreender o mundo, mas uma polifonia de histórias reunidas em torno do termo “mulher”.

Obras de mulheres engavetadas em museus expõe desigualdade nas artes

Arte de Emily Mary Osborn (1857) em exposição no MASP
Arte de Emily Mary Osborn (1857). Crédito: Tate, Londres 2019

“O fato de essas obras se encontrarem, em sua maior parte, guardadas nas reservas dos museus, diz muito sobre as políticas desiguais e de subalternidade existentes no interior do mundo e do sistema das artes, dominados por figuras masculinas, em todas as instâncias”, afirma Lilia Schwarcz.

Além disso, o resgate do trabalho de artistas “esquecidas” é importante, na medida em que desestabiliza critérios de valor e de diferença, nos quais se baseia a história da arte ocidental — branca, eurocêntrica e masculina. 

Embora o termo “feminismo” já existisse antes de 1900 e vários pensadores, homens e mulheres, defendessem o direito de igualdade entre os gêneros, como a brasileira Nísia Floresta (1810-1885), que em 1832 publicou Direito das mulheres e injustiça dos homens, é difícil falar em arte “feminista” antes do século 20. Por outro lado, …

“… resgatar, expor e pesquisar o trabalho dessas artistas é também uma atitude feminista, na medida em que se busca assim sublinhar distorções e violências predominantes na história pregressa.”

Lilia Schwarcz

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Em paralelo, como diálogo e contraponto, o MASP apresentará a exposição Histórias feministas, coletiva com artistas atuantes no século 21 em torno das ideias de feminismo ou em resposta a elas.

“Histórias Feministas” incita debate- exposições no MASP

Obra de Virgínia de Medeiros em exposição no MASP
Da série “Guerrilheiras”, de Virgínia de Medeiros

Com curadoria de Isabella Rjeille, curadora assistente do MASP, a exposição Histórias feministas: artistas depois de 2000 é um desdobramento do ciclo de 2017, Histórias da sexualidade. Não se propõe a esgotar um assunto tão extenso e complexo como a relação entre arte e feminismo, mas incitar novos debates a partir da produção de artistas que emergiram no século 21. Histórias feministas foi também título da exposição individual da artista Carla Zaccagnini em 2016, no MASP, anunciando o compromisso e o interesse da direção artística do museu em uma abordagem feminista da história da arte.

“A ideia não é mapear a produção de artistas a partir de um recorte geracional, mas entender como os feminismos vêm sendo utilizados como ferramentas para desmantelar narrativas e transformar a maneira como algumas histórias vêm sendo escritas. A mostra reúne artistas que têm e não têm o feminismo como questão central de sua obra, mas que, de alguma maneira, abordam assuntos urgentes a partir de perspectivas feministas”, diz Rjeille.

Exposição no MASP mostra como feminismo influencia artes

Da exposição Histórias Feministas no MASP
Estatuas (2012-2014), de Monica Restrepo, que integra “Histórias Feministas” no MASP

“A exposição procura mostrar como o feminismo segue influenciando a criação artística, interseccionando lutas, narrativas e conhecimentos.”  Segundo a curadora, nesta exposição, o feminismo é entendido como “uma prática capaz de provocar fricções e diálogos trans-históricos e transnacionais”, e que não deixa de considerar as questões de gênero em relação a classe, raça, etnia, geração, região, sexualidade e corporalidade, entendendo-os como elementos que transformam radicalmente e tornam mais complexas as experiências das mulheres ao redor do mundo. 

A presença da discussão em exposições no MASP insere o museu na rede de esforços que têm sido empreendidos há mais de cem anos para repensar as diferenças, as inserções e as relações entre os gêneros.

“Abordar histórias feministas no século 21 significa partir de um tempo presente, em plena construção e urgência — um tempo que implica não apenas repensar seu passado e rever os legados deixados por artistas, teóricas e ativistas, mas também reimaginar o futuro.”

Rjeille

Artistas que contarão “histórias feministas” em exposição no MASP

1. Aline Motta (1974, Niterói, Rio de Janeiro, vive em São Paulo) 2. Ana Mazzei (1980, São Paulo, vive em São Paulo) & Regina Parra (1984, São Paulo, vive em São Paulo) 3. Carla Zaccagnini (1973, Buenos Aires, Argentina, vive em Malmö, Suécia) 4. Carolina Caycedo (1978, Londres, vive em Los Angeles) 5. Clara Ianni (1987, São Paulo, vive em São Paulo) 6. Daspu (fundada em 2005, Rio de Janeiro)

7. Élle de Bernardini (1991, Itaqui, Rio Grande do Sul, vive em São Paulo) 8. Ellen Lesperance (1971, Minnesota, USA, vive em Òregon, EUA) 9. EvaMarie Lindahl (1976, Viken, Suécia, vive em Malmö, Suécia) & Ditte Ejlerskov (Frederikshavn, Dinamarca, 1982, vive em Skælskør, Dinamarca) 10. Giulia Andreani (1985, Veneza, Itália, vive em Paris) 11. Imri Sandström (1980, Umeå, Suécia, vive em Järstorp, Suécia) 12. Julia Phillips (1985, Hamburgo, vive em Chicago e Berlim)

13. Kaj Osteroth (1977, Beckum, Alemanha, vive em Berlim/Brandenburg, Alemanha) & Lydia Hamann (1979, Potsdam, vive em Berlim, Alemanha) 14. Katia Sepúlveda (1978, Santiago, Chile, vive em Köln, Alemanha, e Tijuana, México) 15. Lyz Parayzo (1994, Rio de Janeiro, vive em São Paulo) 16. Marcela Cantuária (1991, Rio de Janeiro, vive no Rio de Janeiro) 17. Mequitta Ahuja (1976, Grand Rapids, EUA, vive em Baltimore, EUA)

18. Mónica Restrepo (1982, Bogotá, vive em Cali, Colômbia) 19. Mônica Ventura (1985, São Paulo, vive em São Paulo) 20. Rabbya Naseer (1984, Rawalpindi, Paquistão, vive em Lahore) & Hurmat Ul Ain (1984, Karachi, Paquistão, vive em Islamabad) 21. Rosa Luz (Brasília, Distrito Federal, 1996, vive em Brasília, Brasil) 22. Ruth Buchanan (1980, New Plymouth, Nova Zelândia, vive em Berlim) 23. Sallisa Rosa (1990, Goiânia, Goiás. Vive em Belo Horizonte, Brasil)

24. Santarosa Barreto (1986, São Paulo, vive em São Paulo) 25. Sebastián Calfuqueo (1991, Santiago, Chile) 26. Serigrafistas Queer (fundada em 2007, Buenos Aires, Argentina) 27. Tabita Rezaire (1989, Paris, França, vive em Cayenne, Guiana Francesa) 28. Tuesday Smillie (1981, Boston, EUA, vive no Brooklyn, Nova York) 29. Virgínia de Medeiros (1973, Feira de Santana, Bahia, vive em São Paulo) 30. Yael Bartana (1970, Kfar Yehezkel, Israel, vive em Amsterdam, Berlim e Tel Aviv).

Sobre as exposições no MASP “Histórias das Mulheres” e “Histórias Feministas”:

ONDE: MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), À Avenida Paulista, 1.578, São Paulo-SP (1º andar e 1º e 2º Subsolos).

QUANDO: Abertura dia 22 de agosto, às 20h. Visitação de 23 de agosto a 17 de novembro de 2019. De quarta-feira a domingo, das 10h às 18h (bilheteria até as 17h30); às terças-feiras, das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).

QUANTO CUSTA: Ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada para estudantes, professores e maiores de 60 anos ). Gratuito às terças-feiras. Ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia. Menores de 11 anos de idade não pagam ingresso. O MASP aceita todos os cartões de crédito. 

  • Acessível a pessoas com deficiência física, ar condicionado, classificação livre. 

MAIS INFORMAÇÕES: (11) 3149-5959.

Referências:

Conteúdo sobre as exposições no MASP editado pela jornalista e autora do embarque40mais.com, Michele da Costa, com informações e fotos fornecidas pela Assessoria de Imprensa do Museu. A foto destacada no início do post é obra de Kaj Osteroth e Lydia Hamann (2016)- Crédito para Smina Bluth.

Turismo em Lisboa: um ponto de partida para descobrir história da cidade

Para quem vai fazer turismo em Lisboa, o museu interativo Lisboa Story Centre é um bom ponto de partida para descobrir a história e encantos da bela capital de Portugal. Recursos tecnológicos proporcionam ao turista uma experiência sensorial pelo Centro Histórico da cidade ao longo do tempo, tendo como palco principal o Terreiro do Paço, local conhecido hoje como Praça do Comércio (foto destacada acima).

pessoas assistem a vídeo em museu de Lisboa
Notícias e vídeo, no Lisboa Story Centre, dão vida a fatos históricos da Praça do Comércio

Essa dica é especialmente interessante para os apreciadores de turismo histórico e cultural, mas creio que vale para todos. Afinal, quando conhecemos um pouquinho que seja da história de uma cidade ou um país nossa viagem costuma ficar bem mais interessante. Passamos a ver tudo com outros olhos, a compreender e apreciar mais.

Foi o que aconteceu comigo em minha primeira viagem a turismo em Lisboa, ao sair do Lisboa Story Centre (LSC). Durante a visita, aprendi que os principais fatos históricos de Lisboa e do país aconteceram no Centro Histórico da cidade, desde a chegada dos primeiros exploradores, passando pelo terremoto de 1755 e a queda do império, até a derrubada do regime ditatorial salazarista.

Terremoto de 1755: da tragédia à modernidade

Montagem cenográfica com dois homens tentando resgatar uma pessoa entre escombros
Cenário no Lisbon Story Centre expõe terror vivido por lisboetas com terremoto de 1755 

Foi muito marcante conhecer as dimensões e mudanças provocadas a partir do terremoto, seguido de uma onda gigante e incêndios, que atingiram Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755, Dia de Todos os Santos. Inclusive porque o período da minha viagem a Lisboa incluiu este dia de 2017, data em que todos os anos são realizadas várias atividades que relembram a tragédia.

As experiências no LSC, que incluem a apresentação de um filme com efeitos tridimensionais e a passagem por montagens cenográficas, nos dão a impressão de estar na cidade naquele dia.

painel com fotos de homens de época antiga
Painel mostra principais responsáveis pela reconstrução de Lisboa após terremoto: Marquês de Pombal, Carlos Mardel, Manuel da Maia e Eugénio dos Santos

O sismo, estimado em 9º, foi considerado o maior já registrado na Europa. De imediato, as consequências foram desastrosas: 10 a 12 mil mortos do total de 250 mil habitantes da cidade e a redução de 40% a 60% do PIB (Produto Interno Bruto). Por outro lado, as mudanças decorrentes da catástrofe natural foram fundamentais para a inovação e modernização do sistema urbanístico, impondo regras de construção que garantissem maior resistência a abalos sísmicos.

Turismo histórico: Lisboa Pombalina e descobertas

Mapa da cidade de Lisboa e homens  trabalhando em uma mesa, ao fundo.
Recriação da sala da equipe de Pombal dá vida a personagens durante elaboração dos planos de reconstrução de Lisboa

A base desse sistema anti-sísmico é a “gaiola”, como ficou conhecida a estrutura criada por Carlos Mardel, composta por traves de madeira cruzadas, sobre a qual se erguem as paredes. Essa área reconstruída na cidade ficou conhecida como Baixa Pombalina. Isso porque o Marquês de Pombal, primeiro ministro do Rei Dom José I, foi o principal articulador do Plano, ao lado de Mardel, Manuel da Maia e Eugénio dos Santos.

Caravela com bandeiras de Portugal, uma moça observando e um barco menor com pescador
Caravela no Lisboa Story Centre simboliza período de navegações e exploração de colônias

Ao visitar os ambientes de recriação da sala de trabalho dessa equipe à época, no LSC, a gente “viaja no tempo”,  vendo a movimentação dos personagens enquanto elaboram os planos de reconstrução da cidade. Pombal é um velho conhecido dos brasileiros, já que foi o responsável por várias medidas impopulares para ampliar os lucros da Coroa portuguesa com a exploração da então Colônia, no século XVIII.

Local rústico para abrigo de produtos, como sacas e tonéis. Moça observa.
Armazém permite experiência sensorial ao turista visitante, com climatização e cheiros dos produtos armazenados à época

No LSC, é mencionada a ajuda humanitária do Brasil e vizinhos europeus para a reconstrução de Lisboa após o terremoto. O período de exploração das colônias, em especial o Brasil na América e países africanos, é representado por caravelas e um rico armazém aonde o “viajante” sente os cheiros dos produtos depositados em Lisboa à época.

Outra consequência importantíssima do terremoto foi a descoberta dos primeiros sítios arqueológicos, que permitiram comprovar e estudar períodos de ocupação da cidade anteriores à islâmica.

Viajantes por natureza: a diversidade portuguesa

exposição de painéis com desenhos e vídeos
História e mitos das ocupações de Lisboa contadas por animações no Lisboa Story Centre

Também foi muito interessante para mim, uma brasileira fazendo turismo em Lisboa, saber da grande diversidade de povos que contribuíram para a formação dos lisboetas e do povo português em geral. Lembrando que os portugueses são um povo que, junto com indígenas, africanos e, posteriormente, outros europeus, compõem a base de formação do povo brasileiro.

Diz a lenda que Ulisses, o herói grego da Odisséia, de Homero, teria sido um dos fundadores de Lisboa.. O que pode-se dizer ao certo é das ocupações do território por romanos, germânicos (suevos e visigodos) e muçulmanos, mas também da ocupação indígena e influência fenícia antes dos romanos, segundo objetos encontrados em escavações.

Torres e ruínas de castelo medieval em Lisboa, Portugal. Pessoas caminham no local. Vista da cidade ao fundo.
Turistas visitam Castelo de São Jorge, em Lisboa: construído por muçulmanos. Sítio arqueológico à direita

De acordo com os registros, o período de ocupação islâmica em Lisboa (desde 711) foi muito próspero e, embora a maioria dos monumentos tenham sido destruídos pelos monarcas, essa cultura teve forte influência na formação do povo português, a exemplo da culinária e da língua. A dominação islâmica acabou em 1147, quando Dom Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal, expulsou os mouros (com ajuda das Cruzadas Cristãs) e anexou a cidade ao recém-criado reino.

No Lisboa Story Centre, as ocupações são contadas por meio de animações expostas em painéis interativos, que apresentam o conteúdo conforme o visitante se aproxima, com o auxílio de audioguia multilíngue.

Olisipo, Al Usbuna e Lisboa

Bases de paredes de pedra em sítio arqueológico em Lisboa.
Escavações nas ruínas do Castelo de São Jorge, em Lisboa, expuseram casas islâmicas

Na época da ocupação romana (138 a.C ao século V), o nome dado à cidade era “Felicitas Julia Olisipo” (ou só Olisipo), em homenagem ao então imperador Júlio César. Muitas construções dessa época vieram à tona com o terremoto, mas só foram devidamente investigadas e abertas ao público muito tempo depois. Entre essas construções, creio que o grande destaque sejam as ruínas do teatro romano, que foram adaptadas e abrigadas pelo Museu de Lisboa Teatro Romano, aberto à visitação.

Paisagem com casas, torres de igrejas, embarcações e o Rio Tejo, em Lisboa.
Vista da cidade e do Rio Tejo, de uma das torres do Castelo de São Jorge, em Lisboa

Já durante a ocupação muçulmana, a cidade era chamada “Al Usbuna”. O Castelo de São Jorge (nome dado a partir do reinado português), do qual não sobrou muita coisa, é um marco importante da ocupação muçulmana na cidade, mas também serviu à corte portuguesa até o século XVI. Foi construído pelos mouros no final do século XI para reduto das elites em caso de ataques. Escavações no local colocaram à vista algumas residências desse período.

Por isso, a localização estratégica dessa fortificação, no alto da colina, de onde também se tem uma das mais belas vistas de Lisboa. A construção inicial foi alterada ao longo do tempo e quase destruída pelo terremoto, mas foi parcialmente reconstituída no século passado, quando obteve o título de Monumento Nacional. Com certeza, um dos principais locais a visitar para conhecer a história antiga da cidade, entre outros, listados ao final do texto.

Terreiro do Paço testemunhou queda da monarquia e da ditadura

O terreiro do Paço, com a estátua de Dom José I ao centro, e o Rio Tejo: vistos do mirante do Arco Triunfal da Rua Augusta

O Terreiro do Paço, hoje conhecido como Praça do Comércio, é, sem dúvida, o principal cartão postal de Lisboa. Além de lindo e cheio de atrativos, guarda muita história! Durante minha viagem a Lisboa estive lá várias vezes e em cada uma delas vi coisas diferentes. Bem no centro da Praça está o monumento em homenagem a Dom José I, que era o rei de Portugal durante a  reconstrução após o terremoto. Na imponente estátua, de autoria de Machado de Castro, o monarca está sobre seu cavalo Gentil.

Quadros com notícias de jornais em parede de museu em Lisboa.
Notícias de fatos históricos ocorridos na Praça do Comércio, expostos no Lisboa Story Centre

Quando for à Praça do Comércio, não deixe de subir até o mirante do Arco Triunfal da Rua Augusta, de onde se tem a melhor vista do Paço e do Rio Tejo, mas só depois de ir ao Lisboa Story Centre, que também fica na Praça. Uma das coisas mais bacanas do LSC é como demonstra essa importância histórica do Terreiro do Paço. Entre os fatos mais marcantes estão os assassinatos do Rei Dom Carlos e de seu herdeiro, Dom Luís Felipe, no dia 1 de Fevereiro de 1908.

Monumento em forma de arco, sustentado por colunas, com esculturas em cima, na frente e nas laterais. Em Lisboa.
Arco Triunfal da Rua Augusta, em Lisboa: Representações de importantes figuras históricas do país: Viriato, Vasco da Gama, Nuno Álvares Pereira e Marquês de Pombal

A família real desembarcou e seguiu em carro aberto, quando atiradores se aproximaram e dispararam contra eles. Dois anos depois, o povo tomou a Praça, liderado pelo Movimento Republicano, para exigir a proclamação da República, mas não durou muito. Em 28 de Maio de 1926, um golpe militar impõe à força o Estado Novo, que vigorou por longos 48 anos.

Mulher observa painel luminoso em museu de Lisboa.
Animação, no Lisboa Story Centre, mostra movimentação de tropas na Revolução dos Cravos

Até que, na madrugada de 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas ocupou ruas e praças do Centro Histórico, inclusive a Pç. do Comércio, com seus soldados e tanques para derrubar a ditadura de Salazar e Caetano. Um ano depois, o movimento, que ficou conhecido como “Revolução dos Cravos”, promoveu eleições diretas, restituindo a Democracia nas terras lusitanas. A tática militar dos revolucionários é exposta por meio de uma bela animação no LSC! A seguir, confira!

Animação sobre a Revolução dos Cravos, no Lisboa Story Centre

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Sobre o Lisboa Story Centre

ONDE FICA: Terreiro do Paço, 78/ 81, Centro de Lisboa (PT).

QUANDO IR: Aberto todos os dias, das 10h às 20h (última entrada às 19h). Duração de aproximadamente uma hora. 

QUANTO CUSTA:  Adulto- 7 Euros. Sênior (≥65 anos) e Estudante (≥16 anos)- 5 Euros. Criança (6 aos 15 anos)- 3 Euros. Criança (≤ 5 anos)- gratuito. Obs.: audioguia já incluído no valor do bilhete.

MAIS INFORMAÇÕES: (+351) 211.941.027 ou [email protected] Consulte mais detalhes no site do LSC.  

Outros locais no Centro Histórico para fazer turismo em Lisboa

Museu de Lisboa Teatro Romano

ONDE: Rua de São Mamede, nº 3 A, 1100-532, Lisboa. QUANDO: terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada às 17h30). Fechado em 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro. QUANTO CUSTA: 3 Euros (pessoas com mais de 65 anos e desempregados pagam meia). COMO CHEGAR: As estações de Metrô mais próximas são Terreiro do Paço ou Baixa-Chiado; Linhas de ônibus/ autocarro (714, 732, 736, 737, 760), de Elétrico (12 e 28). CONTATOS: (+351) 215 818 530, [email protected].

Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros- NARC

Neste local, pode-se observar estruturas sobrepostas de períodos históricos, desde o Púnico (influência dos fenícios) ao Medieval e o Pombalino, além de objetos de várias épocas.

ONDE: Rua dos Correeiros, nº 21 (entrada NARC) ou nº 9 (recepção). 1100-061 Lisboa (Baixa de Lisboa). QUANDO: quintas-feiras, às 15h e 16h; aos sábados, às 10h, 13h, 15h e 17h. COMO CHEGAR: Autocarros 702, 709, 711, 732, 759; Elétricos 15, 28; Metrô: Linha Azul e Linha Verde: Baixa-Chiado. CONTATOS: (+351) 211.131.004. [email protected]

Castelo de São Jorge 

ONDE: Rua de Santa Cruz, 1100-129, Lisboa. QUANDO: Aberto à visitação todos os dias da semana (exceto em 1º de Janeiro, 1º de Maio e 25 de Dezembro), das 9h às 18h entre Novembro e Fevereiro e das 9h às 21h de Março a Outubro. Última entrada meia hora antes do fechamento. QUANTO CUSTA: 8,50 Euros, mas há descontos para estudantes com menos de 25 anos, pessoas com mais de 65 anos, pessoas com deficiência e grupos familiares. COMO CHEGAR: A estação de Metrô mais próxima é a Rossio (linha verde), de onde pode pegar o 12E (bonde/ elétrico) ou ir a pé, mas a subida é considerável. Acesso direto também com o 28E e o ônibus/ autocarro linha 37.

Arco Triunfal da Rua Augusta

ONDE: Rua Augusta, nº 2, na região da Baixa Pombalina, em Lisboa. QUANDO: Aberto à visitação todos os dias da semana, das 9h às 19h45 (última entrada). QUANTO: 3 Euros por pessoa (crianças até 5 anos não pagam). COMO CHEGAR: A estação de Metrô mais próxima é a Baixa-Chiado (atendida pelas linhas Azul e Verde), mas de toda a Lisboa há transporte coletivo para a Praça do Comércio, que fica bem em frente ao Arco.

Catedral da Sé de Lisboa

Igreja católica, construída a partir de 1147 sobre uma mesquita muçulmana. Escavações arqueológicas comprovaram que antes da mesquita ainda havia no local um templo cristão visigótico.

ONDE: Largo da Sé, 1100-585, Lisboa. QUANDO: 2ª feira a Sábado, das 9h às  19h. Domingo: das 9h às 20h. CONTATO: (+351) 218.866.752. 

Obs.: Com informações disponíveis nos sites da Câmara Municipal de Lisboa, do Turismo de Lisboa, do Turismo de Portugal e de administradores de locais turísticos mencionados, em 30 de Outubro de 2018. 

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