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Museu da Língua Portuguesa reabre em Junho com recursos tecnológicos

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo-SP, praticamente destruído por um incêndio em 2015, já tem data para reabrir: 25 de Junho de 2020! O anúncio foi feito nesta segunda-feira (16/12), pelo governo do estado, que se comprometeu a concluir dentro do prazo a obra de restauro do imóvel e a readequação do espaço interno, com a instalação da museografia.

Entre as novidades estarão a utilização de recursos tecnológicos e um avançado aparato de segurança para evitar novos acidentes. Nesse período também ocorrerá a seleção da organização social que será responsável pela gestão do Museu. As instituições qualificadas como Organização Social de Cultura interessadas devem apresentar suas propostas até 29 de Janeiro.

A obra de recuperação do Museu da Língua Portuguesa, no antigo prédio da Estação da Luz, aconteceu em três fases: restauro das fachadas e esquadrias; reconstrução da cobertura; e recuperação dos espaços internos. Também foram realizadas ações de conservação da cobertura da Ala Oeste, que não foi atingida pelo incêndio.

A área ocupada pelo Museu foi expandida. A readequação interna inclui novos espaços, como um café no terraço com vista para o Parque da Luz e integração dos pátios laterais, que darão acesso aos saguões e um ponto de observação da Estação da Luz. Em quase dez anos de funcionamento (2006-2015), o Museu recebeu aproximadamente 4 milhões de visitantes. 

Reforço contra incêndio

Estação da Luz, sede do Museu da Língua Portuguesa
Sede do Museu antes do incêndio. Crédito: Skeeze

Segundo o governo do estado, o restauro trouxe melhorias de infraestrutura e segurança, especialmente contra incêndio, que superam as exigências do Corpo de Bombeiros. Entre as novas medidas está a instalação de sprinklers (chuveiros automáticos). O museu também terá certificação ambiental e acessibilidade ampla.

A reconstrução foi aprovada e acompanhada de perto, em todas as etapas, pelos três órgãos do patrimônio histórico: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat); e Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). 

Parceria viabilizou reconstrução

Museu da Língua Portuguesa terá recursos tecnológicos
Museu da Língua Portuguesa terá recursos tecnológicos. Crédito: Joca Duarte

A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa foi viabilizada pelo Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Roberto Marinho e tem como patrocinador master a EDP; como patrocinadores, o Grupo Globo, o Grupo Itaú e a Sabesp; e conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e do Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O custo total do restauro foi de R$ 81,4 milhões.

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Interatividade e imersão no novo Museu da Língua Portuguesa

O Museu da Língua Portuguesa celebra a língua como elemento fundador e fundamental da nossa cultura. Por meio de experiências interativas, conteúdo audiovisual e ambientes imersivos, o visitante será conduzido a um mergulho na história e na diversidade do nosso idioma.

Em sua expografia renovada, o Museu terá experiências inéditas, como “Línguas do Mundo”, que destaca 20 das mais de 7 mil faladas hoje; “Falares”, que traz os diferentes sotaques e expressões no Brasil; e “Nós da Língua Portuguesa”, que aborda sua presença no mundo, com a diversidade cultural da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Permanecem no acervo experiências de grande comunicação com o público, como a instalação “Palavras Cruzadas”, que mostra as línguas que influenciaram o português no Brasil; e a “Praça da Língua”, espécie de “planetário do idioma”, que homenageia o Português escrito, falado e cantado em um espetáculo imersivo de som e luz.

Isa Ferraz, que realizou a curadoria do Museu da Língua Portuguesa em 2006, ocasião de sua abertura, e Hugo Barreto, que integra agora a equipe responsável pela museografia, formam a equipe de conteúdo da instituição.

Em SP, você também pode gostar de visitar o Museu da Imagem e do Som de Campinas.

Comunicação por identidade e pertencimento

Interior de estação de trem
Interior da Estação da Luz, São Paulo. Crédito: Matheus Torrezan

Durante o primeiro semestre de 2020 serão realizadas atividades culturais com o objetivo de manter o museu em comunicação com o público antes da reabertura. Entre as ações está o Programa Educativo Escola, Museu e Território, envolvendo escolas e instituições culturais da região.

Implementado no segundo semestre de 2019, o Programa rearticulou o diálogo com jovens, educadores e vizinhos. As atividades, que incluem curso de formação para professores de escolas públicas da região, ajudarão a compor o programa educativo do Museu após sua reabertura.

  • Referências: Com informações e imagens da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

Como é visitar a Bienal de Artes de São Paulo

Foi a primeira vez que visitei a Bienal de São Paulo, a maior exposição de artes do hemisfério sul. Aliás, minha primeira bienal da vida! Rs. Embora percorrer todas as sete mostras coletivas e doze individuais dessa 33ª edição tenha sido puxado, especialmente para uma iniciante que praticamente nada “entende de arte”, também foi compensador! Mas, pelo que pude apreender dessa e de outras experiências, concluo que arte é para ser sentida e que ninguém deve privar-se dela.

Não é necessário ter estudado, lido livros de arte, visitado os principais museus do mundo ou conhecer os clássicos para compreender uma obra de arte. Porque essa compreensão é fruto de como nos sentimos quando estamos diante dela, uma experiência pessoal, portanto. Penso que esse é (ou deveria ser) o maior propósito da arte, não uma forma de autoafirmação exibicionista do artista. E fiquei feliz em ver que a proposta dessa edição da Bienal de São Paulo compactua com isso.

Afinidades Afetivas da 33ª Bienal de São Paulo

Pavilhão da 33ª Bienal de São Paulo
As curvas de Niemeyer no interior do Pavilhão da Bienal de São Paulo 

“No cerne desta edição há um desejo de reafirmar o poder da arte como lugar único para concentrarmos a atenção no mundo e em favor do mundo…”- Gabriel Pérez-Barreiro, curador geral da 33ª Bienal de São Paulo

“… Se pudermos pensar na arte e em suas exposições essencialmente como experiências, e não como declarações, talvez possamos imaginar uma Bienal em que os artistas, curadores e espectadores são tratados como iguais, todos capazes de construir suas próprias afinidades afetivas com a arte e com o mundo além dela”, explica o curador geral em texto sobre a 33ª Bienal de São Paulo, denominada “Afinidades Afetivas”.

A forma como essa edição da Bienal de São Paulo foi estruturada contribui para o sucesso da proposta. As sete mostras coletivas foram elaboradas com total liberdade para cada um dos seus artistas curadores, que convidaram outros artistas de sua escolha para compor suas afinidades afetivas. “A diversidade de metodologias curatoriais resultante é inteiramente intencional”, conclui Pérez-Barreiro.

Bienal de São Paulo. Obra de arte contemporânea com recortes circulares, objetos, bancadas e luz.

Hidden Sun/ Sol oculto, 2018, de Zilvinas Landsbergas, na 33ª Bienal de São Paulo

Para as outras doze mostras individuais ele escolheu artistas que considera notáveis, entre os quais exposições póstumas de Lucia Nogueira, Aníbal López e Feliciano Centurión. O curador geral entende que eles foram “fundamentais nos anos 1990, mas não receberam a atenção merecida na história da arte recente”. Outro destaque dessa edição é o caráter educativo, que foca na atenção.

“Estamos apenas começando a entender o impacto catastrófico das mídias sociais em nossas vidas interpessoais e políticas. A nossa atenção se tornou o principal produto que as plataformas “livres” tentam revender, enquanto continuam a seduzi-la em nossas horas de vigília”, avalia Pérez-Barreiro. De fato, observei aspectos lúdicos e interativos em vários espaços.

Minhas afinidades afetivas com a 33ª Bienal de São Paulo

Bienal de São Paulo Afinidades Afetivas
Montagem na 33ª Bienal de São Paulo

Da minha experiência, posso dizer que foi um bom aprendizado, não só da forma como ver a arte, mas como me ver em relação à arte. Acho que me ajudou a começar a quebrar certo preconceito em relação à arte contemporânea, que muitas vezes me pareceu confusa e sem sentido. Começo a perceber que para ser apreciada uma obra não precisa ser vista como algo “esteticamente belo” que poderia ocupar algum espaço da nossa casa, mas apenas despertar sentimentos em quem a observa.

Eu tive sentimentos muito variados vendo as obras expostas na 33ª Bienal de São Paulo, da angústia e medo à inquietude e alegria. Também gostei muito de ver estilos e origens tão variados, já que a exposição reúne trabalhos de artistas de diferentes nacionalidades. É como se tivessem juntado um pouquinho da cultura de cada país ali representado. 

Bienal de São Paulo. Vasos de cactos entre paredes e lanças.
“Esquizofrenia da forma e do êxtase”, parte da instalação de Nelson Felix. 33ª Bienal SP

Quando for à Bienal, veja também o Parque Ibirapuera!

Grandes árvores, gramado, prédio e algumas pessoas andando ao longe.
Parque Ibirapuera, em São Paulo. Árvores ao lado do Museu Afro Brasil

E você, quais foram ou serão suas afinidades afetivas com a Bienal? Se já foi, conte pra gente nos comentários! Se não, permita-se essa experiência! Eu recomendo, mas se quiser ver esta 33ª edição, apresse-se, pois só vai até 9 de Dezembro! Demos a dica na Agenda Cultural de Novembro. Sem contar que o Ibirapuera é lindo, cheio de verde e arte para tudo que é lado, das linhas sinuosas de Niemeyer, aos museus, até grandes monumentos. 

Desta vez, também fomos ao Museu Afro Brasil justamente no Dia de Zumbi e da Consciência Negra (20 de Novembro), o que tornou a visita mais especial! Conto sobre isso em outro post, em breve.. Saiba mais sobre o que ver no Parque Ibirapuera no site oficial.  Ah, tem mais fotos da nossa visita à Bienal de São Paulo na Galeria, ao final da página. Espia! 

Algumas curiosidades sobre a Bienal de São Paulo

Bienal de São Paulo. Obra de arte composta por recortes de tecido em dourado e prateado.
Eldorado II, 2018, de Leda Catunda. 33ª Bienal SP
  • A primeira edição da Bienal de Artes de São Paulo aconteceu em 1951.
  • O prédio da Fundação Bienal foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. 
  • A área expositiva do prédio da Fundação Bienal, que abriga a Bienal desde 1954, possui 30 mil m2.
  • A Fundação Bienal abriga o maior arquivo histórico sobre arte moderna e contemporânea da América Latina.
  • Em 2016, a Bienal de São Paulo foi visitada por 900 mil pessoas.
  • 103 artistas expõem aproximadamente 600 obras na 33ª Bienal de São Paulo (2018).
  • Os artistas curadores da 33ª Bienal de São Paulo são Mamma Anderson (Suécia); Antonio Ballester Moreno (Espanha); Sofia Borges (Brasil); Waltercio Caldas (Brasil); Alejandro Cesarco (Uruguai); Cláudia Fontes (Argentina); e Wura Natasha Ogunji (USA). 

Como e quando visitar a Bienal de São Paulo:

Bienal de São Paulo. pedras espalhadas pelo chão, pessoas passando ao redor.
Obra de Denise Milan na 33ª Bienal de Artes de São Paulo

ONDE: Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Pavilhão Bienal), no Parque Ibirapuera, acesso pela Avenida Pedro Álvares Cabral (Portões 3 e 4), cidade de São Paulo (SP).

QUANDO: A cada dois anos, entre os meses de Setembro e Dezembro. A 33ª edição vai de 7 de Setembro a 9 de Dezembro de 2018. Terças, quartas e sextas-feiras; domingos e feriados, das 9h às 19h (entrada até 18h). Quintas-feiras e sábados, das 9h às 22h (entrada até 21h). Obs.: Não abre às segundas-feiras.

QUANTO CUSTA: Entrada gratuita.  


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Nossas dicas para visitar a Bienal de São Paulo

Parque Ibirapuera, São Paulo. Aluguel de bike
Augusto, meu filho, que encarou umas pedaladas pelo Parque Ibirapuera

O que usar e levar

Use calçados e roupas confortáveis: a exposição toda está dividida em três grandes pavimentos que a gente pode levar de duas a três horas para percorrer. Leve uma garrafinha de água para se hidratar durante a visita. Afaste-se das obras quando for beber. Não é permitido entrar com alimentos e outras bebidas.

Acessibilidade

Os acessos aos pavimentos superiores pode ser pelas rampas ou elevadores (para pessoas com mobilidade reduzida).

Guarda Volumes

Se estiver com sacolas, malas ou mochilas, terá que deixar em um dos guarda-volumes, ao lado das entradas do Pavilhão. O serviço é gratuito.

Alimentação

Para tomar um cafezinho, busque outro local fora do prédio da Bienal. O expresso servido no Café deles é caro (R$ 6 a unidade), fraco e a quantidade é irrisória (um terço de um copinho médio).  

Se for percorrer outros espaços do Parque Ibirapuera, leve um lanchinho ou prepare-se para gastar mais que a média e não comer bem nas lanchonetes que ficam dentro do parque. Comemos lanches, refrigerantes e salgados e não aprovamos a qualidade.

Tem também um restaurante dentro do Museu de Arte Moderna (MAM), mas não experimentamos nem consultamos os preços; e os ambulantes credenciados, que vendem bebidas, salgadinhos e doces industrializados.

Mobilidade

Se possível, prefira fazer a visita em um dia útil, que é mais tranquilo. Fomos no feriado do dia 20 de Novembro e tivemos dificuldade para encontrar vaga para estacionar. O estacionamento dentro do parque funciona como Zona Azul, então se for ficar mais de 4 horas, tem que trocar o carro de lugar e pagar novamente nas cabines próximas aos portões de entrada (3 e 7).

O portão para acesso a estacionamento mais próximo da Bienal é o 3. O valor é R$ 5 para cada 2 horas. Se morar em São Paulo, prefira ir com transporte público. Achamos que faltam placas de orientação aos pedestres. Vimos apenas dois mapas do parque em pontos distantes. Para chegar a alguns locais, tivemos que pedir informações a seguranças e ambulantes.

Se tiver tempo e disposição, alugue uma bicicleta e dê uma volta pelo parque. Observei pelo menos dois serviços de locação de bikes no local: as amarelas e as verdes. Para alugar as amarelas é preciso baixar um aplicativo e pagar com cartão de crédito; o custo é baixo e o legal é que pode deixá-las em qualquer lugar da cidade depois de usar.  

Mais fotos da nossa visita à Bienal de São Paulo

Referências e observações

  • Com informações da Fundação Bienal, disponíveis no site oficial.
  • A foto destacada, no início do texto, é de autoria de Wilson Lima, da exposição coletiva da artista curadora Cláudia Fontes, intitulada “O pássaro lento”. Trata-se de um enigma a que o espectador/ leitor é convidado a desvendar. Os cacos de cerâmica etiquetados remetem ao conto policial O Mistério de Quarto Fechado, de Pablo Martin Ruíz.  
  • Todas as outras fotos deste post foram feitas pela autora do blog, Michele da Costa, durante a visita à Bienal de São Paulo, no dia 20 de Novembro de 2018. 

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