Tagturismo brasil

Aparecida: conhecendo a história da padroeira do Brasil

Conhecer a história de Nossa Senhora Aparecida é conhecer a história do Brasil, do povo brasileiro, sua diversidade, costumes e fé inabalável. Na imagem da santa negra, enxergamos a nós mesmos, nosso sofrimento, fruto das enormes desigualdades do nosso país, mas também nossa força e esperança. Aparecida (SP) surpreende e emociona pela riqueza de seu patrimônio histórico e arquitetônico e de sua arte, exposta até mesmo em manifestações de fé deixadas por milhões de devotos que a visitam todos os anos. Convido você a visitar ou revisitar Aparecida comigo nesta série de posts e, quem sabe, assim como eu, passar a ver essa cidade (e essa história) com outros olhos.

Por Michele (Aparecida) da Costa

Réplica da imagem de N. Sra. Aparecida
Réplica da imagem de N. Sra. Aparecida, na Basílica Velha

Qual brasileiro ou brasileira com mais de 40 anos que nunca visitou “Aparecida do Norte”, como é popularmente conhecida a cidade de Aparecida, na região do Vale do Paraíba, estado de São Paulo? Bem poucos, creio. A maioria, assim como eu, participou ao menos de uma daquelas excursões de romeiros bate e volta, que chegam de ônibus fretado ao Santuário Nacional de Aparecida no domingo bem cedinho, antes mesmo do sol raiar, e retornam no final da tarde. Fui quando criança e lembro desde o cheiro da comida compartilhada no ônibus, passando pelos vendedores de todo tipo de “lembrancinha”, do picolé colorido de itu, até as filas intermináveis para visitar a enorme (e até então rústica) Basílica Nova, a Igreja Velha no alto do morro e a “temida” Sala das Promessas.

Temida porque que me dava medo, mesmo, assim como em qualquer criança, creio, pois os objetos deixados por devotos, como retribuição à Nossa Sra. por graças alcançadas, entre os quais próteses dos mais variados órgãos do corpo humano, mostras de cabelo, dentes, fotografias de pessoas doentes e tudo mais que sua imaginação permitir, eram dispostos sem proteção, em uma sala apertada, mal iluminada e pouco ventilada. Lembro de minha mãe dizendo pra não tocar nos objetos, mas nem precisava.. rs. Apesar de amedrontada, ficava imaginando quanta história estaria guardada ali e quão rica era.

A história da santa ouvia falar superficialmente, um comentário aqui outro ali, mas sabia que o segundo nome que eu carregava comigo desde o nascimento era uma homenagem à ela. Minha mãe, que me criou sozinha, dizia que Nossa Senhora Aparecida era minha madrinha de batismo. Não compreendia muito bem isso, mas respeitava, embora nunca tenha gostado da combinação com um primeiro nome de origem francesa e um sobrenome português.

Michele no Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP
No Porto Itaguaçu, em Aparecida (SP). Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Hoje, compreendo o simbolismo desse nome, recebido por outras milhares de crianças “aparecidas”, forjado nas angústias de um povo sofrido, mas tão rico em diversidade racial, cultural e religiosa. Não à toa, a imagem da santa negra separada da cabeça, resgatada do fundo do rio por pescadores aflitos, tornou-se o maior símbolo de fé no nosso país, mesmo entre não católicos.

Mais recentemente, prestes a completar 45 anos de idade, voltei a Aparecida, percorri os mesmos lugares e outros novos e pude enxergar coisas que nem poderia imaginar. Tive oportunidade de conhecer a história em detalhes e admirar a arquitetura e arte do que se tornou o maior templo mariano do mundo (dedicado à Maria, “mãe de Deus”), o Santuário Nacional de N. Sra Aparecida, que recebe quase 13 milhões de visitantes por ano. Isso é muita gente! Mais do que a população de São Paulo (12 milhões), que é a maior cidade da América do Sul!

História: onde e quando foi encontrada a imagem de Nossa Senhora Aparecida?

Comércio n rua de acesso ao Porto Itaguaçu
Rua de acesso ao Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP, onde funciona uma feira modelo

Sabe quando a gente vai receber uma visita importante e quer (ou precisa) oferecer o melhor? Então, foi pensando assim que os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Felippe Pedroso, entre outros da então Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, lançaram suas redes nas águas escuras do Rio Paraíba do Sul, em um dia de Outubro de 1717. Precisavam de peixes para oferecer no banquete de recepção da Vila ao Conde de Assumar, de passagem para Vila Rica, onde assumiria o cargo de governador da Capitania das Minas Gerais.

Cruz no Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP
Cruz marca o ponto do rio Paraíba do Sul, no Porto Itaguaçu, onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada pelos pescadores em 1717. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

A rede não estava pra peixe, mas quando passavam pelo Porto de Itaguaçu, o arresto trouxe uma imagem (escultura) de Nossa Senhora sem cabeça. Logo depois, ao lançar a rede mais uma vez, a cabeça foi resgatada. Guardaram a imagem enrolada em um pano e continuaram a pescaria. “Dali por diante foi tão copiosa a pescaria em poucos lanços, que, receosos, ele e os companheiros, de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, se retiraram às suas vivendas, admirados deste sucesso.”, relatou o Padre José Vilella, à época, no Livro Tombo da Paróquia da Vila, sobre o episódio que ficaria conhecido como “a pesca milagrosa”.

Monumento “Os Três Pescadores”, de Chico Santeiro, no Porto Itaguaçu (Aparecida-SP).
Monumento  “Os Três Pescadores”, obra do artista Chico Santeiro de 1970

O relato é reproduzido por Tereza Galvão Pasin, no livro de sua autoria intitulado “Senhora Aparecida- Romeiros e Missionários Redentoristas na História da Padroeira do Brasil”. Não se sabe a data exata do encontro da imagem, mas estima-se que tenha sido na segunda quinzena de Outubro de 1717, quando o conde passou pela região. A imagem ficou com Felippe, por ser o mais velho, que posteriormente a deixou com seu filho, Atanásio. Em 1732, Atanásio construiu em sua casa um oratório e um altar de madeira para a Santa, onde as pessoas da comunidade começaram a se reunir para fazer orações.

Certa noite, durante uma dessas reuniões, duas velas que estavam ao lado da Santa apagaram-se e, pouco depois, reacenderam-se sozinhas, contam. Este foi considerado o segundo milagre de N. Sra Aparecida. A fama da santa milagreira se espalhou e, quando chegou ao vigário local, o Padre Vilella, ele e alguns devotos construíram uma capelinha de pau a pique para abrigar a imagem, em 1743. Foi neste ano também aprovado pela Igreja Católica o culto à “Nossa Senhora da Conceição Aparecida” e autorizada a construção de uma nova capela em sua homenagem, de madeira e ornamentos.

Qual a origem da imagem de Nossa Senhora Aparecida?

Esculturas de Nossa Senhora da Conceição
Esculturas, de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (à esquerda) e de outra N. Sra. da Conceição, no Museu de Aparecida. Foto: Thiago Leon/ Santuário Nacional

Muita gente desconhece o motivo ou mesmo o fato de que a imagem que conhecemos de Nossa Senhora Aparecida, uma santa negra, recebeu o nome oficial de Nossa Senhora (da Conceição) Aparecida, assim como a origem da imagem. Ainda não se sabe ao certo como e quando a imagem foi parar no rio, nem a origem de sua cor. Uma das possibilidades da origem é de um altar, que ficava em uma fazenda à beira do Rio Paraíba do Sul, em Roseira Velha. O altar e a imagem, que seriam utilizados por escravizados da fazenda, teriam sido levados pelas águas do rio durante um período de chuvas intensas.

Entre as teorias sobre a cor estão o contato por anos com o lodo do fundo do rio de águas escuras ou a exposição à fumaça das velas durante os anos em que ficou no altar improvisado e na capela de pau a pique; ou as duas coisas. Em 1748, quando os jesuítas vieram pregar Missões no povoado de Aparecida, já documentaram o encontro da “Imagem de cor negra” e atribuíram a possível autoria da escultura de N. Sra. da Conceição a Frei Agostinho de Jesus.

Réplica de Nossa Senhora Aparecida em altar da Basílica Velha
Réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida em altar da Basílica Velha. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

O primeiro estudo comparativo, da imagem de Aparecida com outras de N. Sra. da Conceição (padroeira de Portugal), aconteceu em 1967, por Pedro de Oliveira Neto, que conseguiu provar semelhanças artísticas comuns à época. Uma investigação realizada pelo engenheiro Ladi Biezus, doador do Museu de Aparecida, comparando as imagens, também expõe muitas similaridades. Ele pesquisou os materiais utilizados, comparou feições e características, como a posição da lua sob os pés, o sorriso, o caimento do manto e a posição da cabeça. Algumas destas esculturas estão expostas no Museu de N. Sra. Aparecida.

Imagem original de Nossa Senhora Aparecida na Basílica Nova do Santuário Nacional
Imagem original de Nossa Senhora Aparecida, guardada em nicho na Basílica Nova do Santuário Nacional. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Em 1978, durante a reconstituição da Imagem (que havia sido quebrada em uma tentativa de furto), peritos constataram que a argila usada na escultura era de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. Os pesquisadores também observaram que ela era originalmente policromada (com várias cores), tinha a pele do rosto e das mãos branca, como a tradicional imagem de N. Sra. da Conceição. Mesmo assim, os responsáveis decidiram que era melhor manter a Imagem negra, como já era conhecida.

Ainda bem, porque, para os devotos e o povo em geral, a Santa Padroeira do Brasil, país de maioria afrodescendente, sempre continuará sendo negra. A imagem que está hoje no altar da Basílica Velha é uma réplica. Desde 1982, a verdadeira imagem de N. Sra. Aparecida, esculpida em terracota (argila cozida), com seus 36 centímetros de altura, manto azul e coroa de ouro, está bem protegida em altar na Basílica Nova de Aparecida.

Primeira Capela e milagres de Nossa Senhora Aparecida

Capela de São Geraldo exterior, em Aparecida-SP
Capela de São Geraldo, na margem da Rodovia Dutra, ocupa local onde foi construída a primeira capela de pau a pique para N. Sra. Aparecida

A primeira capela, de pau a pique, foi construída em Itaguaçu, em 1743, na margem da Estrada Real (o caminho das Minas Gerais), que conhecemos hoje como Rodovia Presidente Dutra. Imagine o quanto foi estratégica essa localização para que a Santa caísse rapidamente nas graças do povo? Logo vieram também as primeiras doações de dinheiro e terras no Morro dos Coqueiros para a construção da nova Capela, inaugurada em 1745, que deu origem à primeira Igreja de N. Sra. Aparecida, hoje conhecida como Basílica Velha, ao povoado e depois à cidade de Aparecida.

Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP
Acesso ao Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP: local tranquilo e agradável

Visitamos o local da antiga capela de pau a pique, onde hoje está a pequena Capela de São Geraldo, e o Porto de Itaguaçu. A simpática capela possui três nichos tematizados, cada um representando um pescador. No Porto, bem próximo do rio, há outra capela mais nova, onde são realizadas as missas com os romeiros. Ao lado também está o monumento conhecido como “Os Três Pescadores”, obra do artista Chico Santeiro. Bem na margem do Paraíba, uma cruz prateada marca o ponto onde a imagem foi encontrada. Um local tranquilo e agradável.

Obras no Caminho do Rosário, na margem do Rio Paraíba do Sul
Obras no Caminho do Rosário, que ligará o Santuário Nacional ao Porto Itaguaçu

Os visitantes também podem optar por fazer um passeio de barco pelo rio. O local conta com banheiros, bebedouros e espaço para acender velas, mas não há estacionamento. Uma solução para isso deve vir com a inauguração do Caminho do Rosário, prevista para 14 de Outubro de 2018. As pessoas poderão deixar o carro no estacionamento do Santuário ou da Cidade do Romeiro e seguir a pé por dois quilômetros pelo Caminho arborizado, à margem do Rio Paraíba do Sul, que terá 200 estátuas em tamanho natural, retratando os Mistérios do Rosário e passagens bíblicas do Novo Testamento.

Correntes do escravizado Zacarias, que teriam sido arrebentadas sozinhas na Capela da Santa
Milagres de N. Sra. Aparecida: Correntes do escravizado Zacarias, expostas no Museu de Aparecida. Foto: Thiago Leon/ Santuário Nacional

Entre outros fatos considerados milagres da Santa, estão o do escravizado Zacarias, em 1790, que, ao rezar perante a imagem terá tido as correntes de ferro que o prendiam arrebentadas e acabará sendo libertado pelo seu Senhor; o da menina cega de nascença, em 1874, que, depois de caminhar com sua mãe por semanas, desde Jaboticabal-SP, ao chegar em Aparecida terá enxergado a Capela da Santa e recuperado sua visão; e o do descrente cavaleiro de Cuiabá, no século 19, que terá desistido de entrar com o cavalo no interior da Igreja de Aparecida depois que a ferradura do animal ficou presa no primeiro degrau da escada de pedra. Essa pedra e as correntes de Zacarias também podem ser vistas no Museu de Nossa Senhora Aparecida.

A Princesa, o manto e a coroa da Rainha do Brasil

Bonecos de cera da Princesa Isabel e seu esposo Conde D'eu, no Memorial da Devoção.
Princesa Isabel e seu esposo Conde D’eu, representados no Museu de Cera do Memorial da Devoção

Uma história que chama atenção é relacionada à Princesa Isabel, aquela que assinou a Lei Áurea, que oficializou o fim da escravização de negros no Brasil a partir de 1888. Em dezembro de 1868, ela esteve na Capela de Nossa Senhora Aparecida para pedir que pudesse deixar um herdeiro para o trono, levando como presente um manto com 21 brilhantes, representando os estados brasileiros, que hoje está no Museu de N. Sra. Aparecida.

A princesa imperial voltou, em novembro de 1884, para agradecer pelos seus três filhos: Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz Maria e Dom Antônio. Desta vez, ofereceu uma coroa de ouro cravejada de brilhantes. Curiosamente, com a queda do Império e a Proclamação da República no Brasil, em 1889, Isabel nunca foi coroada e, consequentemente, nenhum trono herdaram seus filhos.

O manto dado pela Princesa Isabel à Nossa Senhora Aparecida
O manto dado pela Princesa Isabel à Nossa Senhora Aparecida: No Museu de Aparecida. Foto: Thiago Leon/ Santuário Nacional

Mas só em 1904, com assinatura de decreto pelo Papa Pio X proclamando “Nossa Senhora Aparecida Rainha do Brasil”, que a coroa foi colocada na imagem e assim permanece até hoje. Já o título de “Padroeira do Brasil” foi concedido em 1930, pelo Papa Pio XI, mas somente a partir de 1980 o Dia da Padroeira (12 de Outubro) passou a ser feriado nacional.

Outro relato curioso envolvendo a família Real indica que o Príncipe Regente Dom Pedro I (avô de Isabel), de passagem pela região, teria visitado a Capela de Nossa Senhora Aparecida. Acredita-se que essa visita tenha acontecido em 20 de agosto de 1822, dias antes do Príncipe declarar a independência do Brasil às margens do Rio Ipiranga (o histórico 7 de Setembro).

Algumas curiosidades sobre a Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida

Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida,
Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, construção em estilo barroco, de 1888, ano em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Obras e desvios. Além da bela arquitetura e riqueza de sua arte em estilo barroco, a Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, no Morro dos Coqueiros, guarda muitas curiosidades e relações com fatos históricos do País. Começou a ser construída em 1834, sobre as bases da Capela, passou por ampliações e reformas, que resultaram na igreja, finalmente inaugurada em 1888 (ano da abolição da escravatura) e assim preservada até hoje.

A elevada demora nas obras é creditada principalmente ao período de intervenção do Império (1805-1890), que nomeou civis para administrar a Capela e, como já era de costume, boa parte das doações foi remetida à Coroa ou desviada. O principal responsável por levar a obra à cabo foi o Frei Joaquim do Monte Carmelo, a partir de 1876, que chegou a morar na sacristia durante as obras. O mestre pedreiro foi José Vieira.

Vista do altar: Interior da Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecid
Interior da Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, visto do altar principal. Benfeitores eram sepultados dentro da capela. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Cemitério. Como era comum à época, “Durante cem anos, o pátio e o interior da capela foram utilizados como cemitério. Os moradores eram sepultados no pátio e os benfeitores (pessoas de posses) na capela, em seu interior, nas Campas (túmulos).”, conta Tereza Galvão Pasin, em seu livro. Como o pátio da igreja estava ficando defeituoso, devido aos tantos corpos ali enterrados, foi necessária a construção de um novo cemitério, em terreno atrás da capela, inaugurado em 1843.

Corredor lateral no interior da Basílica Velha de Aparecida
Corredor lateral no interior da Basílica Velha de Aparecida

Poeta português. Em visita à Capela, em 1860, o poeta e escritor português, Augusto Emílio Zaluar, registrou: “Entre todos os templos que temos visto no interior do país, nenhum achamos tão bem colocado, tão poético, e mesmo, permitam-se-nos a expressão, tão artisticamente pitoresco como a solitária Capelinha da milagrosa Senhora da Aparecida, (…)  A sua singela e graciosa arquitetura está de acordo com a majestosa natureza que a rodeia e com a montanha que lhe serve de pedestal…”.

A reprodução também consta do livro de Tereza Pasin, entre vários outros relatos de visitantes ilustres, fatos e curiosidades sobre a história da Santa, de 1717 a 2013. O livro foi editado em 2015, pela Editora Santuário, e já está em sua terceira reimpressão.

Obras de arte no interior da Basílica Velha de Aparecida
Obras de arte no interior da Basílica Velha de Aparecida

Quebrada e reconstituída. Outro fato que merece registro aqui é de quando a imagem de Aparecida foi quebrada em diversos pedaços, devido a um acidente durante uma tentativa de furto, em 1978, por um jovem de 19 anos, que a retirou do altar da Igreja e a deixou cair durante a fuga. Pouco depois, a imagem já havia sido restaurada no Museu de Arte de São Paulo (MASP), pela artista plástica Maria Helena Chartuni, que até hoje é a única pessoa responsável pela manutenção.

Vitral na Basílica Velha de Aparecida
A beleza e simbologia dos vitrais na Basílica Velha de Aparecida

Redentoristas. Vindos do Santuário de Altötting da Virgem Negra, na Baviera (Alemanha), em 1894, padres Missionários Redentoristas são os responsáveis pela administração do Santuário de Aparecida até hoje. O título de “Episcopal Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida” foi concedido em 1893.

Altar que abrigou a imagem de N. Sra. Aparecida
Primeiro altar que abrigou a imagem de N. Sra. Aparecida na capela do Morro dos Coqueiros, construída em 1745. Na Basílica Velha

Patrimônio. Tal a importância da Basílica Velha, que o prédio foi tombado como monumento de interesse histórico, religioso e arquitetônico pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), em 1982. A área interna da Igreja também é muito bonita! O altar mor e o retábulo foram esculpidos na Itália, em mármore carrara. Abaixo dele, encontra-se o corpo de São Vicente Mártir, presente do papa São Pio X, ao elevar o templo à categoria de Basílica, em 1908.

Há arte espalhada por todo o canto, da ornamentação do piso, passando pelas pinturas nas paredes e teto até vitrais, objetos e quadros, como o conjunto de quatorze pinturas da Via-Sacra, de autoria do Redentorista alemão Maximiliano Schmalzlas. Um dos objetos mais antigos e interessantes é o primeiro altar que abrigou a Imagem de N. Sra. Aparecida na pequena capela do Morro dos Coqueiros, construída em 1745.

Quer auxílio profissional para planejar sua próxima viagem? Conte com os serviços da agência do blog, a Embarque40Mais Viagens! Hospedagem, aéreo, passeios, pacotes, grupos, cruzeiros, intercâmbio, seguro e tudo mais que precisar. Peça um orçamento sem compromisso! ☎️(19) 988.380.781 📱Whats 📧[email protected]

Continua.. No segundo post da série:
Santuário de Aparecida: um templo de fé e cultura, o jornalista Wilson Lima escreve sobre a arte na Basílica Nova. Confira!

Principais locais a visitar para conhecer a história de Nossa Senhora Aparecida:

Porto Itaguaçu, onde a imagem foi encontrada

ONDE: Rua João de França Mota, s/n, Aparecida-SP.

QUANDO: De segunda-feira a domingo, das 6h às 18h.

QUANTO CUSTA: Acesso gratuito ao Porto. Somente o passeio de barco pelo rio Itaguaçu é cobrado: R$ 13 (adulto), crianças de 6 a 12 anos e pessoas com mais de 60 anos pagam R$ 9. Obs.: É necessário o mínimo de 15 pessoas para a partida do barco. O passeio tem duração de 20 minutos, é autorizado pela Marinha do Brasil e conta com guia.

Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida

ONDE: Praça Nossa Sra. Aparecida, número 01, Centro de Aparecida-SP.

QUANDO: De segunda a quinta-feira, das 7h às 20h; de sexta-feira a domingo, das 7h às 21h.

QUANTO CUSTA: Acesso gratuito.

Museu Nossa Senhora Aparecida

ONDE: 2º andar da Torre Brasília, no Santuário Nacional de N. Sra Aparecida (Avenida Dr. Júlio Prestes, s/n, Ponte Alta, Aparecida-SP).

QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30; sábado das 7h às 18h; domingo das 7h às 15h30. Feriados das 8h às 16h30.

QUANTO CUSTA: R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia entrada). Obs.: É possível adquirir um combo especial que dá direito a visitação ao Museu, Mirante da Torre e Cúpula da Basílica por R$ 15,00.

Memorial da Devoção à Nossa Senhora Aparecida

(Cinema 3D sobre a história de N. Sra. Aparecida + Museu de Cera, com cenários e personagens históricos).

ONDE: No Santuário Nacional de Aparecida (Avenida Dr. Júlio Prestes, s/n, Ponte Alta, Aparecida-SP), ao lado da Praça de Alimentação 2.

QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados das 8h às 19h; domingos das 7h às 18h.

QUANTO CUSTA: R$ 15 (crianças até 5 anos não pagam).

  • Michele da Costa é jornalista e autora do Embarque40Mais. Além do texto, as fotografias e vídeos são de autoria dela, com exceção das creditadas a outros autores na legenda. Todos os direitos autorais estão reservados.
  • O Embarque40Mais visitou Aparecida-SP em Agosto de 2018, a convite do Santuário Nacional, que ofereceu hospedagem e alimentação no Hotel Rainha do Brasil, ingressos para atividades e transporte na cidade. Esclarecemos que, mesmo viajando a convite, o relato expressa exclusivamente nossa experiência e opinião sinceras, como de costume. Além do livro de Tereza Pasin, mencionado no texto, para a redação do post contamos com dados fornecidos pela Assessoria de Comunicação do Santuário Nacional.

Interior da Bahia revela patrimônio histórico a preservar

Olá pessoal!!! Espero que tenham sentido saudades das minhas histórias. Agora, trago mais sobre a viagem que fiz ao Recôncavo Baiano, em janeiro deste ano, que pelo que tenho escrito mais parece uma saga (rs). Mas vocês vão entender.

São tantos os detalhes, paisagens, vivências que não dá para descrever em poucas palavras. Para quem não conseguiu acompanhar as outras postagens sobre essa viagem, os links estão no final do texto.

Então, aqui vamos nós de novo! Retomando, no dia 8 de janeiro, me despedi da comunidade quilombola e segui pela BR 420 rumo à Cachoeira, pois ainda queria conhecer melhor o lugar. Janeiro, como sabem, é Verão no Brasil e a temperatura no interior é mais alta ainda. Apesar de ter saído cedo, o calor estava forte.

Visitando fábricas de charuto

mãos preparam charuto sobre mesa
Mãos femininas confeccionam charutos artesanais

Chegando lá, procurei logo a fábrica de charutos que queria conhecer. Aliás, esse era um dos meus objetivos há anos, mais precisamente depois de ter visitado uma em Pinar del Rio (Cuba), nos idos de 1999, onde fiz muitas fotos. Fui muito bem recebida pelos funcionários da Talvis/Leite&Alves, que funciona desde 1936.

Foi lindo ver todo o processo de fabricação de charuto 100% artesanal. Não satisfeita em ver uma fábrica, atravessei a ponte que liga Cachoeira e São Félix para conhecer outra mais antiga: a Dannemann, inaugurada em 1892.

O que chama a atenção nos dois lugares é que a maioria dos artesãos que enrolam as folhas de tabaco é de mulheres. Algumas já trabalham lá há mais de vinte anos! São oito horas atrás de uma mesa, em um ambiente quente, já que não se pode usar ar-condicionado para não “matar” a folha.

Vista a partir de carro sobre ponte
Ponte entre Cachoeira e São Felix, Bahia

Um parêntese aqui: Como parei de fumar há cerca de seis anos nem cogitei provar, mas é engraçado, pois todo o processo em torno da fabricação do charuto me agrada e me causa admiração por todas as especificidades que envolvem. Acho um trabalho muito bonito e preciso.

Ainda em São Félix fiz um passeio curto, margeando as águas do Rio Paraguaçu. Fiquei imaginando os navios e barcos séculos atrás sendo carregados com a produção local que seria levada para a capital baiana.

Casarões históricos em ruínas

Fachada de casarão em ruínas
Ruínas: Patrimônio arquitetônico em Cachoeira (Bahia)

Retornei para Cachoeira e almocei a melhor moqueca que já comi em um dos restaurantes da Praça da Aclamação. Aproveitei para fotografar as fachadas de alguns casarões, que chegaram a me dar a impressão de que cairiam em cima de mim caso eu ficasse mais um minuto por ali.

Cachoeira é tida como uma das cidades baianas que mais preservaram sua identidade cultural e histórica, o que faz dela um dos principais roteiros turísticos históricos do estado, mas as fachadas dos casarões coloniais estão em ruínas. Então, pensei em como devem estar os municípios que não estão nesta categoria.

Fachada de prédio em ruínas
Ruínas: Parte inferior do casarão em Cachoeira (Bahia)

Para se ter uma ideia de como repercute essa questão do patrimônio histórico, encontrei alguns europeus e latino-americanos por lá, o que demonstra interesse das pessoas em conhecer nosso passado. Depois, parti para um novo destino: São Francisco do Conde.

Na Baía de Todos os Santos

margem de rio e barcos de pesca
Barcos de pesca nos fundos da Baía de Todos os Santos

São Francisco do Conde é um município com 36 mil habitantes, que fica às margens da Baía de Todos os Santos, fundado em 1698 a partir da construção de um convento e uma igreja no alto do morro. A entrada da cidade me impressionou pelas ruas bem cuidadas e com luminárias no centro formando um corredor.

Logo mais à frente, vi a Universidade de Integração Internacional da Lusofania Afro-Brasileira (Unilab), inaugurada em 2013. Até ali achei bonita a cidade, mas depois que olhei de frente para ela e vi um monte de casas inacabadas ou sem reboco, fiquei decepcionada.

Aí fui atrás de uma pousada para passar a noite. Encontrei duas: a primeira não tinha a mínima condição de hospedagem, então fui para a “Recanto do Parque”, para os padrões locais, era a melhor. Deixei as malas lá e fui dar uma volta.

Um calçadão margeando as águas dos fundos da Baía de Todos os Santos, com um jardim no entorno, permite que a população caminhe à tardezinha. Aproveitei para debruçar na mureta e apreciar as luzes do entardecer que refletiam nas águas, criando um clima de paz e tranquilidade.

Era a hora em que os pescadores estavam voltando com o resultado do dia de trabalho. Eles chegavam e “jogavam” seus barcos na areia.

O Casarão da novela “Velho Chico”

casarão antigo e palmeiras, avistados de um barco sob rio
Casarão histórico em São Francisco Félix, interior da Bahia

Do outro lado da margem, vi uma ilha e um casarão e fiquei curiosa para saber do que se tratava. Fiz fotos, conversei com alguns transeuntes e procurei um lugar para comer. De novo vi que a cidade não tem estrutura para receber visitantes. Não tinha um bar ou restaurante agradável.

Bom, eu tinha que aproveitar o lugar e na manhã seguinte, com a ajuda do proprietário da pousada, contratei um barqueiro (com o cuidado de que houvesse salva-vidas) para ir à ilha.

O casarão é o Cajaíba, construção do século 17, que mais recentemente foi palco da novela “Velho Chico”. O dono da pousada fez questão de dizer todo orgulhoso que ele participou, fazendo o papel de um dos coronéis do folhetim.

Sobre a edificação, segundo os locais, ainda é possível ouvir gritos e rangidos, que, dizem, seriam de pessoas ali escravizadas, maltratadas e torturadas pelo dono daquelas terras. Não sei se é lenda, mas basta imaginar aquele lugar no passado com a agricultura de café, açúcar, cacau às custas do trabalho escravo para se ter um cenário do que deve ter ocorrido ali.

Construção imponente

Fachada de casarão antigo, lago à frente
Cajaíba: Casarão do século 17 onde foi filmada “Velho Chico”

Pelas fotos, vocês podem ver que a entrada do casarão é singular. Logo na frente, antes da mureta que cerca a casa, tem uma escada que começa na água! As palmeiras imperiais dão um ar imponente que embeleza o quadro.

Descemos mais à frente, na parte que dá entrada para os currais. Sinceramente, o lugar é lindo, mas encontrei tudo muito abandonado, apesar da prefeitura manter funcionários guardando o patrimônio que passou recentemente para o Município.

Por ocasião da novela, o casarão foi reformado para atender às histórias ali desenvolvidas, só que terminadas as gravações não houve mais manutenção, segundo disseram e comprovei.

Como tenho uma imaginação muito criativa, talvez empreendedora (rs), logo me veio a ideia de transformar o lugar em um espaço de lazer (sem interferências na arquitetura), em que as pessoas pudessem visitar e conhecer sua história.

Um lugar com infraestrutura, como um café ou um pequeno restaurante para passar algumas horas agradáveis. Para o turismo seria ótimo e para a preservação da história também.

Gente, mas além de tudo isso, São Francisco do Conde é o município onde  foi inaugurada, em 1877,  a Escola Agrícola de São Bento das Lajes, que hoje está em ruínas.

História vem desde D. Pedro II

Mulher com praia ao fundo
Regina, durante viagem à Bahia

De acordo com o trabalho de conclusão de curso de Artes Visuais de Antônio Marcos dos Santos Santana, “a instalação da Escola tem origem no decreto de fundação do Imperial Instituto Baiano de Agricultura, criado por D. Pedro II, por ocasião da viagem que empreendeu ao Norte do país”.

O intuito era modernizar o setor agrícola que passava por dificuldades. Também quis visitar o Convento e a Igreja de Santo Antônio, de 400 anos, mas estavam interditados porque precisam de reforma. Ambos são tombados pelo IPHAN.

Enfim, como podemos ver, a cidade tem potencial para o turismo voltado para a história, o patrimônio histórico, como tantas outras que temos nesse imenso país, mas…

Ainda tenho histórias para contar dessa viagem. Prometo que no próximo texto, se a Michele permitir, vou descrever um milagre que aconteceu comigo. Bom, eu vi assim…

Gostou do post? Apoie o Embarque40Mais, comente e compartilhe com os amigos, siga-nos nas redes sociais. Se estiver planejando viajar, confira nossas dicas de serviços para organizar sua viagem com segurança e economia! 

  • Agora quer ver dicas de outro destino lindo no Nordeste? Dá uma olha em o que fazer em Fortaleza (CE), do blog Bagagem Para Dois!

Referências:

A autoria e propriedade das fotos deste post são de Regina Rocha Pitta (direitos reservados). Ela esteve na Bahia em janeiro de 2018. 

© 2019 Embarque40Mais

Theme by Anders NorénUp ↑

%d blogueiros gostam disto: