Percorrer as trilhas da Mata de Santa Genebra, Campinas-SP, é mais que um passeio turístico, é uma incursão ao conhecimento e à reflexão sobre a necessidade de preservar nossas florestas, ou o que sobrou delas. Saiba o que verá, como e quando visitar esse residual de 251,7 hectares da Mata Atlântica, que é considerado a maior floresta urbana da Região Metropolitana de Campinas (RMC), no estado de São Paulo.

Ao caminhar pela Mata de Santa Genebra temos a percepção do que fomos, somos e podemos ser. Uma oportunidade de sentir um pouco do que era o habitat natural antes da ocupação humana desordenada. Também podemos conhecer os estragos que essa ocupação provocou, nos encantar com a beleza da sua fauna e flora remanescentes, compreender que somos parte disso e como podemos contribuir para preservá-la.

Floresta de Santa Genebra Campinas: contato direto com vegetação nativa
Contato direto com natureza na Mata de Santa Genebra é incursão ao conhecimento

Participamos de uma visita reservada a jornalistas de Campinas e seus familiares, mas seguimos o mesmo roteiro da visita monitorada diurna aberta e gratuita a todos os interessados, que ocorre uma vez por mês. É fundamental usar calças compridas e calçado fechado, levar água e recomendável ter tomado a vacina contra a febre amarela. Depois de assistir a um vídeo sobre a Mata de Santa Genebra, assinamos um livro de visitantes e seguimos para a trilha acompanhados da bióloga Sabrina Martins.

Como é a visita monitorada na Mata de Santa Genebra

Figueira com mais de 100 anos na Mata de Santa Genebra, Campinas
Figueira centenária é uma das belezas nativas da Mata de Santa Genebra
Figueira com mais de 100 anos na Mata, a partir do solo
Aos pés da figueira centenária. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

O trajeto da visita monitorada na Mata de Santa Genebra, em Campinas, é de 5 quilômetros (Km), dos quais 1,2 Km pelo interior da mata e os outros 3,8 Km pelo contorno, que também chamam de aceiro. Durante o percurso, monitores param rapidamente para fazer observações sobre a vegetação e animais da floresta. Alguns trechos de trilhas internas são de mata mais fechada, já o contorno é largo e regular, muito parecido com uma trilha de caminhada de um parque público ou uma estrada rural.

Uma das trilhas que pegamos com vegetação mais fechada foi a Barone (foto destacada), que nos levou a uma árvore enorme e linda. Trata-se de uma Figueira (Ficus guaranítica), com aproximadamente 100 anos, possivelmente uma das mais antigas da Mata. O esforço foi compensado por poder admirar e tocar um ser tão completo e belo! Claro que todos quiseram fazer fotos com ela..

Um pouco da história da Mata de Santa Genebra Campinas

Grupo caminha em trilha na Mata
Caminhada em meio à Mata de Santa Genebra, maior floresta urbana da RMC

Um dos locais de parada durante a caminhada foi onde está o monumento que marca a inauguração da “Cerca de Proteção à Mata de Santa Genebra”, pelo então prefeito Magalhães Teixeira, em Julho de 1984. Isso aconteceu aproximadamente um ano depois da mata ter sido tombada como como Patrimônio Natural pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT).

Anos depois, ela também foi tombada como Patrimônio Natural pelo Município. Entre outros aspectos históricos importantes, está o decreto federal que definiu a Mata de Santa Genebra como Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), em 1985. Com isso, a supervisão da Mata pelo Município, por meio da Fundação José Pedro de Oliveira, passou a ser subordinada ao Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente.

Placa de inauguração da Mata, Patrimônio Natural de Campinas
Placa em meio à Mata marca a inauguração, em 1984

Mas a história da Mata começa lá atrás, com a falência do lendário Barão Geraldo de Resende, cafeicultor dono da então Fazenda Santa Genebra, que incluía toda a área hoje conhecida como Distrito de Barão Geraldo e mais um tanto da cidade de Campinas. As terras foram à leilão e o novo proprietário da parte que incluía a Mata, José Pedro de Oliveira, manteve a vegetação porque tinha tuberculose e lá conseguia respirar melhor.

Depois que ele morreu, a viúva, Jandyra Pamplona de Oliveira, doou a Mata ao Município em 1981, com o compromisso de que a vegetação fosse preservada. Por isso, o nome da Fundação, que foi criada especialmente para cuidar do patrimônio natural: “José Pedro de Oliveira”.

Em Campinas, você também pode gostar de visitar o Museu da Imagem e do Som, no histórico Palácio dos Azulejos, ou fazer um passeio de trem com a Maria Fumaça.

A importância das borboletas para a Mata

Borboletário na Mata de Santa Genebra Campinas
Bióloga da Fundação José Pedro de Oliveira explica sobre vida das borboletas

Começamos nossa visita monitorada na Mata de Santa Genebra por um trecho de trilha interna que leva ao Borboletário, criado no final do ano 2000 para estudo de espécies da Mata Atlântica e educação ambiental. A observação do inseto ocorre na Mata desde 1970 e até hoje já foram registradas mais de 700 espécies.

Macaco observa grupo de pessoas na Mata
Macaco observa visitantes

Para os visitantes, o objetivo é mostrar que as borboletas são parte relevante da fauna e fundamentais para o equilíbrio do ecossistema. Além de embelezarem tudo com suas formas e cores, elas polinizam e são um forte indicador de mudanças ambientais. Durante a explicação, alguns do grupo puderam até pegar nas mãos a larva do inseto. Eu preferi só olhar.. Rs.

Depois, entramos em um viveiro, onde observamos várias espécies de borboleta e conhecemos um pouco sobre seu curto ciclo de vida. Em média, elas vivem de duas a quatro semanas na idade adulta, depois de saírem da pupa. Do lado de fora do viveiro, fomos observados por um macaco, mas não sei bem se era um Prego ou Bugio, as espécies encontradas na Mata.


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Monitoramento de espécies e conservação

Belo contraste do verde da Mata com o azul do céu
Copa de árvore na Mata se destaca em contraste com céu azul

Uma coisa que achei muito interessante foi saber como os pesquisadores fazem o monitoramento ou “manejo” das espécies de animais da Mata de Santa Genebra. Eles utilizam técnicas como “armadilhas fotográficas”, com câmeras posicionadas em locais estratégicos, a identificação por meio de fezes, pêlos e da vocalização (isso mesmo, pelos sons que os animais produzem). O objetivo é identificar espécies ameaçadas de extinção e subsidiar ações para a preservação.

Além dos macacos e borboletas, entre as espécies de animais mais comuns na Mata estão as serpentes. Ao todo, 21 espécies já foram registradas, entre as quais a Coral-verdadeira e a Jararaca. Ainda bem que durante a caminhada não topamos com nenhuma.. Há também grande variedade de aves: mais de 150 espécies usam a Mata como habitat permanente ou migratório.

Trilha ao redor da Mata de Santa Genebra
Ecoturismo: Trilha ao redor da Mata é maior parte do percurso da visita monitorada

Outra curiosidade é quanto ao manejo de “espécies exóticas” da flora. São plantas consideradas invasoras de Mata Atlântica que, se não forem controladas, podem provocar danos à vegetação nativa. Na Mata de Santa Genebra, é o caso do capim-colonião e da maria-sem-vergonha. Esse trabalho acontece a cada dois meses, com roçadeira, foice, facão e enxada, na área de borda da Mata.

Experiência de Ecoturismo

Uau, quanta coisa aprendemos com essa experiência de ecoturismo! Descobrimos uma floresta incrível, cheia de vida e história em nossa própria cidade. No final, ainda ganhamos mudas de árvores cultivadas no viveiro da Fundação. Ah, também tem visita monitorada noturna na Mata de Santa Genebra e em noite de lua cheia.. Deve ser muito interessante, hein! E você, já visitou uma floresta urbana? Conte nos comentários no final! A seguir, tudo que precisa saber para planejar sua visita à Mata de Santa Genebra.

Como e quando visitar a Mata de Santa Genebra Campinas:

ONDE: Rua Mata Atlântica, 447, Bosque de Barão Geraldo, Campinas-SP.

QUANDO: As visitas monitoradas ocorrem no primeiro domingo de cada mês, a partir das 9h, mediante inscrição no site da Mata de Santa Genebra com uma semana de antecedência. As visitas noturnas são a cada dois meses, também mediante inscrição no site.

QUANTO CUSTA: Gratuito.

MAIS INFORMAÇÕES: [email protected] e (19) 3749-7200.

Referências

  • A visita relatada neste post ocorreu no dia 22 de Setembro de 2018.
  • Texto e fotos: Michele da Costa/ Embarque40Mais (@direitosreservados).
  • Com informações da Assessoria de Imprensa da Fundação José Pedro de Oliveira.

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