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Viaduto Laurão vira galeria de arte urbana em Campinas

O Viaduto São Paulo, mais conhecido como “Laurão”, tornou-se uma “galeria” de arte urbana em Campinas-SP. É que os muros de sustentação do Viaduto ganharam as cores e traços de nove artistas, com diferentes estilos e técnicas, como o Muralismo e o Grafite. As criações fazem parte do projeto Poesia Pública, que ocupou o Viaduto com temas relacionados à sustentabilidade neste final de ano.

O curador do projeto, Fabiano Carriero, explica que a ideia foi trazer mais cor à cidade por meio de variados estilos. Por isso, além dele próprio, os artistas responsáveis pelas obras são Mirs Monstrengo, Ewerton, Sara Rezende, Marion Chatton, Leandro Kranium, Fernando Pimentel “Tosko”, Genivaldo Amorim e Philippe Dias.

Mas o Poesia Pública começou meses antes, como um projeto individual de Carriero, com obras realizadas na avenida Andrade Neves e na Rua Treze de Maio, áreas populares do Centro da cidade. “O pessoal da Virada Sustentável gostou e me convidou, então, acrescentei mais artistas”, conta o curador.

A simbologia da ocupação do Laurão com obras de arte urbana em Campinas

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Além de transformar o local em um ponto de atração turística, a exposição duradoura desses trabalhos de arte urbana no Viaduto Laurão em Campinas é muito simbólica. Isso porque o Viaduto transpõe a Avenida Moraes Salles sobre a Via Norte-Sul (Avenida José de Souza Campos), região com elevado poder aquisitivo, compondo um dos cartões postais mais importantes da cidade.

É curioso pensar que a arte urbana surge no Brasil na mesma década em que o viaduto foi construído, os anos 1970, mas somente agora, quase quatro décadas depois, eles se encontram. Importante também o fato de que a arte urbana ou arte de rua surge durante a Ditadura Militar, por meio do grafite, na cidade de São Paulo, conforme nos conta a arte-educadora Laura Aidar, em artigo disponível no site Toda Matéria.

Ainda hoje o Grafite é considerado uma forma de democratizar espaços públicos e muito utilizado para expressar críticas sociais, assim como o Muralismo Mexicano. Mas Carriero, o curador do projeto, acrescenta que “o interessante não é só ocupar o Laurão com a arte, é também mostrar essas diferenças de estilo, o que atiça mais a curiosidade”.

E uma das obras mais curiosas do projeto (“Tereza em Vênus”) é de autoria dele, que se identifica com o Muralismo Mexicano. “Tereza é só amor, porém a onça ali demonstra que ela é selvagem e sabe se defender. Seria algo como as mulheres são amor, mas não são frágeis”, explica.

Arte Urbana em Campinas: Figura da mulher negra ocupa pilares do Laurão

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A arte de Sara Rezende sob o Laurão

Aliás, o feminino está presente em várias obras nos pilares do Laurão, a exemplo do mural ocupado pela arte inquietante de Sara Rezende. Quem passa na Via Norte-Sul sob o Laurão é logo absorvido pela força e beleza de quatro figuras negras femininas.

Sara conta que a força feminina negra está presente em quase todos os seus trabalhos autorais, então neste, que foi seu maior mural até agora, não poderia ser diferente. “Diante da ideia de desafio e de crescimento, quis priorizar o cenário feminino”, explica.

Embora diferentes, na concepção da artista as quatro figuras são a mesma pessoa. “Elas representam nossas fases, experiências, desafios e sentimentos que a gente desenvolve. Mas gosto de abrir para interpretações diferentes”, diz Sara.

Assim, outro aspecto que chama atenção nesta obra é o fato de aparentemente as personagens não enxergarem. “Pensei na questão da gente não conseguir enxergar o que vem por aí. Por isso, coloquei objetos tapando os olhos e na última não coloquei a íris”, explica ela.

Sara Rezende considera esse trabalho como Muralismo. Com 26 anos de idade, a artista campineira ainda é nova na arte de pintar muros. Mas tem planos para ampliar esses trabalhos e contribuir para tornar as artes visuais mais acessíveis a todas as pessoas.

Falando em arte, você também pode gostar de ver sobre minha experiência visitando a Bienal de São Paulo.

Mãe África

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Obra de Leandro Kranium no Laurão

Então, outra obra no Laurão que destaca a imagem negra feminina é a de Leandro Kranium, no pilar bem atrás da antiga Banca do Bosque. A figura da mulher africana tradicional, com um Baobá ao fundo, nos lembra das nossas origens e herança ancestral.

No Portal Geledés, a árvore Baobá é descrita como “um dos símbolos fundamentais das culturas africanas tradicionais. Os velhos baobás africanos de troncos enormes suscitam a impressão de serem testemunhas dos tempos imemoriais”.

As obras do Poesia Urbana no Viaduto Laurão foram realizadas no final de Outubro de 2020, por meio da Virada Sustentável Campinas, com o tema “Refuturo”. Dessa forma, a expectativa dos organizadores da Virada é que as obras fiquem como legado para a cidade.

Um pouco da história do Viaduto Laurão em Campinas

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Inauguração do Viaduto Laurão foi em 1977

Mas afinal, por que o Viaduto São Paulo foi apelidado de Laurão? Isso aconteceu por conta do prefeito de Campinas à época da sua construção, Lauro Péricles. O viaduto foi inaugurado em 1977, marcando um período de grandes obras viárias e expansão da cidade.

Dessa forma, para o jornalista Luiz Roberto Saviani Rey, a década de 70 em Campinas foi “a era do concreto e do automóvel”, conforme artigo veiculado no site do Jornal da PUC-Campinas, em Junho de 2016. Segundo Saviani, o autor do plano para transformar Campinas em uma metrópole foi o engenheiro Prestes Maia, lá nos 1930.

Mas a execução das grandes obras viárias coube aos governos de Orestes Quércia e Lauro Péricles, entre o final dos anos 1960 e os anos 1970. E uma dessas obras foi a do Viaduto Laurão, na Avenida Moraes Salles, “sobre a depressão formada pelo leito do córrego Proença, entre o Centro e a região Leste, com mais de 350 metros”.

Referências de “Viaduto Laurão vira galeria de arte urbana em Campinas”:

Reportagem e fotos da jornalista Michele da Costa (direitos reservados). Com informações da Virada Sustentável, disponíveis no site oficial em 03/12/21, e das outras fontes já referenciadas no texto.

Michele da Costa

A jornalista Michele da Costa é autora e editora responsável pelo EMBARQUE40MAIS.COM. Do interior de São Paulo, adora conhecer lugares, culturas e contar boas histórias. Com mais de vinte anos de experiência como repórter e assessora de imprensa, encontrou no Turismo uma nova fonte de conhecimento e inspiração.

4 Comments

  1. Moro do lado do viaduto e sinto que ele foi muito humanizado com esse trabalho. Parabens pela iniciativa.

    1. Também tenho esse sentimento, Austregesilo! É como se toda a cidade estivesse representada ali, nos pilares do Viaduto Laurão. Afinal, arte urbana em Campinas é mesmo para democratizar os espaços públicos. Um abraço!

  2. Excelente iniciativa que só melhora a paisagem urbana da cidade. Só tenho uma ressalva: alguns trabalhos não fizeram um fundo de uma cor e deixaram um pedaço do cimento à mostra. Parece que o artista não fez o acabamento.

    1. Oi Luiz! Também acho ótimo ocupar com arte urbana espaços como o Viaduto Laurão em Campinas! Bem observado sobre o fundo dos muros sem tinta, também acho que ficaria melhor completo, mas talvez não tenham tido condições ou será proposital, como parte da expressão artística? Obrigado pela visita!

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