Visita ao Butantan para conhecer história de imunizadores no Brasil

Muito além da CoronaVac: Visita ao Butantan permite conhecer a história de mais de 120 anos da instituição na produção de soros e vacinas que salvam vidas. Roteiro inclui três museus, macacário, serpentário, reptilário e um parque com remanescentes da Mata Atlântica. Saiba como e quando visitar!

Nunca se falou tanto do Butantan quanto agora, com a criação da vacina CoronaVac pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto paulista. Mas o Butantan já tem 120 anos de história no desenvolvimento e produção de vacinas e soros, distribuídos gratuitamente em todo o Brasil.

Então, a data oficial de fundação do Butantan é Fevereiro de 1901, com a criação do Instituto Serumtherápico, sua primeira denominação. Mas essa história, que é possível conhecer em visita ao Butantan, começa em 1899. Foi quando foram feitas as primeiras instalações do Instituto na Fazenda Butantan, zona oeste de São Paulo. 

O objetivo do governo estadual era começar a produzir no Brasil o soro para combater a peste bubônica. A doença, trazida por navios vindos da Europa, se espalhava rapidamente a partir do porto de Santos.

Assim, a técnica utilizada pelo Butantan foi a criada pelo italiano Camillo Terni, do Instituto de Messina. Terni, por sua vez, tinha se baseado na vacina desenvolvida pelo médico russo Waldemar Haffkines.

Principais contribuições do Butantan com soros e vacinas

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Fabricação de vacina contra Covid-19, a CoronaVac, no Butantan

Logo em seguida, o Butantan começou a produzir também soros usados para tratar pessoas picadas por cobras e serpentes. 

A comprovação da necessidade de um soro específico para cada tipo de veneno é uma das principais contribuições de Vital Brazil para a ciência. O médico Vital Brazil Mineiro da Campanha foi o primeiro diretor do Butantan.

Em 120 anos, foram muitas as contribuições do Butantan no desenvolvimento ou produção de soros e vacinas, que evitam doenças e salvam vidas. Entre elas estão o soro Antitetânico (1915), a vacina contra Meningite Bacteriana e o soro Anti meningocócico (1920).

Além disso, tem as vacinas contra Hanseníase (1922), Tuberculose (BCG, 1926), Influenza (1948), Antirrábica (1949), Febre Amarela (1953), Poliomielite (1962), Sarampo (1972), Hepatite B (1999), HPV (2013), Covid-19 (2021) e tantas outras. Vale mencionar também a vacina contra a Dengue, em desenvolvimento desde 2016.

Tal a importância do instituto paulista, que já recebeu as visitas de Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos da América (1913), e do Príncipe Charles (1978). Também foi capa da revista Times em 1929. É possível conferir todas as conquistas e principais acontecimentos históricos na Linha do Tempo do Butantan.

Parque e museus abertos para visita no Butantan

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Parque com remanescente da Mata Atlântica no Butantan

Ao longo do tempo, o Instituto Butantan também criou museus, parques e outras estruturas que merecem uma visita. O Instituto ocupa uma área total de 750 mil metros quadrados, chamada de Parque. Isso porque 60% dessa área possui cobertura vegetal, com fragmentos da Mata Atlântica.

No Parque do Butantan, os visitantes podem observar remanescentes da fauna e da flora em seu habitat natural. Algumas árvores do Parque são consideradas históricas, pois são tão antigas quanto o Instituto.

Mas há também as que são consideradas raras e algumas espécies ameaçadas de extinção. É possível ver cedros-rosa, jatobás e angicos-vermelhos, entre outras. O Parque abre todos os dias, das 7h às 18h. Fica na Avenida Vital Brasil, 1500. Mais informações pelo telefone (11) 2627-9300.

A entrada ao Parque do Instituto Butantan é gratuita, mas para visitar os museus Histórico, Biológico e de Microbiologia é cobrado um único ingresso. 

Assim, adultos pagam R $6 e crianças de 8 a 12 anos e estudantes pagam R $2,50. Crianças até 7 anos, adultos com idade a partir de 60 anos e pessoas com deficiência não pagam ingresso. 

A bilheteria fica na Rua Henrique da Rocha Lima, em frente ao Museu Biológico. Vale dizer que não são aceitos cartões de débito e crédito para pagamento de ingresso.

Visita ao Butantan para ver museus e prédios históricos

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Museu Biológico é o mais visitado do Butantan

Então, no Museu Biológico, os visitantes podem ver serpentes, aranhas, escorpiões, lagartos, peixes e insetos em recintos que recriam seus habitats naturais. O objetivo é mostrar que muitos destes animais, considerados “assustadores” ou “nojentos”, são importantes para os ecossistemas.

O Biológico foi o primeiro museu criado pelo Instituto Butantan. Fica na antiga cocheira de imunização, construída na década de 1920. No mesmo prédio também está o Museu de Microbiologia, inaugurado em 2002. 

A ideia do novo museu é ilustrar as bases da Imuno e da Microbiologia e revelar o que são os chamados “germes” ou micróbios. À mostra, microscópios, animações, modelos tridimensionais de microrganismos e bustos de renomados cientistas. Os museus ficam na Rua Emílio Ribas e funcionam de terça a domingo, das 9h às 16h45.

Museu Histórico do Butantan ocupa laboratório de Vital Brazil

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Edifício Vital Brazil (construído na década de 1920), abriga Biblioteca do Instituto Butantan

Já o Museu Histórico do Butantan não poderia estar em outro prédio, senão onde funcionou o laboratório usado por Vital Brazil para desenvolver suas primeiras pesquisas. Foi criado em 1981 para promover a pesquisa, a preservação e a divulgação da história da ciência e da saúde, especialmente a do Butantan.

No local, que foi uma antiga cocheira adaptada para laboratório, piso e parede são originais. Além disso, instrumentos científicos, equipamentos, móveis e outros objetos de diversas áreas do Instituto.

Também tem o Mulheres na Trilha da Ciência, que nos conta sobre algumas pesquisadoras e educadoras do Butantan. O objetivo da Mostra é retratar a importância delas para a história da saúde pública brasileira.

O Museu Histórico do Butantan fica na Rua Emil Bon Behring. Funciona de terça a domingo, das 9h às 16h45. 

Há ainda o Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, no bairro Bom Retiro, mas está fechado para reforma. Fica no prédio que abrigou o antigo Desinfectório Central. Foi construído em 1893 e reconhecido como patrimônio cultural de São Paulo.

Veja colônia de macacos indianos em visita ao Butantan

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Butantan tem única colônia de Rhesus do Brasil para visitação pública

Em visita ao Instituto Butantan, também podemos ver um macacário, um serpentário e um reptilário. Estes espaços abrigam animais utilizados nas pesquisas e produção de soros e vacinas. 

Os animais do macacário integram uma colônia de macacos Rhesus, mantida pelo Instituto desde 1929. Os primeiros animais da colônia foram trazidos da Índia para pesquisas sobre a febre amarela.

No espaço, com 236 metros quadrados, há vegetação e rochas parecidas com as encontradas na Índia. É a única colônia de Rhesus do Brasil aberta à visitação pública.

O macacário do Butantan fica na Rua Rudolph Virchow. Aberto de segunda a domingo, das 9h às 16h45.

Serpentário e reptilário abertos a visitas no Butantan

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Serpentário do Institutito Butantan recebe visitantes

No serpentário do Butantan o visitante pode ver serpentes da fauna brasileira em um ambiente semelhante ao habitat natural. Foi inaugurado em 1914 para o desenvolvimento de pesquisas sobre biodiversidade e conservação.

O serpentário do Butantan fica na Rua Rudolph Virchow. Abre de segunda a domingo, das 7h às 18h. Mais informações pelo telefone (11) 2627- 9811.

No reptilário, o visitante pode observar répteis. O espaço é dedicado a pesquisa sobre biodiversidade, biologia e conservação. Fica na Rua Henrique Rocha Lima. Aberto de segunda a domingo, das 7h às 18h.

Para obter mais informações sobre as atrações do Butantan, telefone para (11) 2627-9452. Em tempos restrições devido à pandemia de Covid-19, é aconselhável consultar sobre o funcionamento antes de ir.

Em São Paulo, você também pode gostar de visitar o Museu de Arte de São Paulo (MASP). Em nossa publicação, saiba sobre a história, o que pode ver e como obter entrada gratuita no MASP.

Referências

Texto redigido pela jornalista Michele da Costa, com informações e imagens disponíveis no site oficial do Butantan em 19/02/2021.

MASP visita gratuita: como e quando obter benefício

Saiba como e quando pode fazer uma visita gratuita ao MASP, o Museu de Arte de São Paulo, na capital. Com ingressos a R $45 por pessoa, vale muito a pena se planejar para ir em um dia de entrada gratuita para todos.

O MASP foi o primeiro museu moderno do país e hoje possui mais de onze mil obras. Entre outros atributos, o Museu paulista possui o acervo de arte europeia mais importante do Hemisfério Sul.

Mas, além da Europa sua coleção reúne obras originárias da África, Ásia e Américas. Entre elas há pinturas, esculturas, objetos, fotografias, vídeos e vestuário de várias épocas.

Assim, na mostra de longa duração “Acervo em Transformação”, que podemos ver no MASP em visita gratuita, há muitas obras de grandes artistas. Alguns destes artistas são Cézanne, Delacroix, Modigliani, Renoir, Picasso, Cândido Portinari e Tarsila do Amaral.

Visita gratuita ao MASP inclui exposições temporárias 

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“Bailarina de catorze anos”, Degas (1880). Crédito: Divulgação MASP

Além disso, podemos ver exposições temporárias, como a “Degas”, um conjunto completo de 76 obras de Edgar Degas (1834-1917). As obras são do acervo do MASP, mas não foram exibidas nos últimos 14 anos.

Entre estas obras do artista, destaca-se a Bailarina de catorze anos (1880), escultura em bronze. O  pintor, escultor e gravurista francês Edgar Degas (1834-1917) fez parte do movimento conhecido como Impressionismo.

Mas, além do conjunto de Degas, a exposição inclui fotografias em preto e branco das esculturas, feitas por Sofia Borges. Vale dizer ainda que a mostra “Degas” faz parte da programação de um ano dedicado a Histórias da Dança no MASP. Vai até 1 de Agosto de 2021 e para visitar não há cobrança de ingresso adicional.

Um pouco sobre a história do MASP

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O Vão Livre do MASP, em 1972, retratado por Agostinho Batista

A fundação do MASP foi em 1947, pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand (1892-1968), por isso o nome todo é Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Então, ele convidou o italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999) para dirigir o Museu e a arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) para fazer o projeto arquitetônico e expográfico. 

Foi Pietro quem obteve as primeiras obras para o Museu, por meio de doações da sociedade local. Mas a primeira sede do MASP foi na rua 7 de Abril, centro da cidade, até ser transferido para o prédio na Avenida Paulista, em 1968. O projeto de Lina Bo Bardi, baseado no uso do vidro e do concreto, tornou-se marco da arquitetura do século 20.

No entanto, outra marca inovadora de Lina no MASP é observada na área interna, onde as obras de arte ficam em cavaletes de cristal. Distribuídas pela sala de forma não linear, as obras convidam o visitante a criar sua própria narrativa visual.

Em São Paulo, outro museu muito interessante que pode visitar é o Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera.

Quando ir ao MASP para visita gratuita

Vídeo mostra diversidade de obras no acervo do MASP. Crédito: Divulgação MASP

Atualmente, os ingressos para entrada no MASP custam R $45 para adultos, R $22 para estudantes e pessoas a partir de 60 anos. Menores de 11 anos de idade, Amigo MASP, pessoas com deficiências e um acompanhante têm entrada gratuita em qualquer dia da semana.

A entrada gratuita para menores de 11 anos deve ser solicitada na bilheteria do MASP, mediante a apresentação do documento de identidade. Ainda, quem tiver um cartão de crédito Amex pode comprar um ingresso e ganhar outro.

Mas, às terças-feiras e em toda primeira quarta-feira do mês qualquer pessoa pode visitar o MASP gratuitamente. A entrada gratuita às terças-feiras já é tradição, mas às primeiras quartas-feiras do mês é novidade. 

Essa nova gratuidade começou no dia 3 de Fevereiro e segue até Janeiro de 2022, patrocinada pela B3, a bolsa brasileira. Para a visita, inclusive a gratuita, é necessário fazer o agendamento online no site do MASP.

Dias e horários de funcionamento do MASP

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Fachada do MASP na Avenida Paulista. Foto: Eduardo Ortega/ Divulgação MASP

O MASP abre de terça-feira a domingo, inclusive feriados. As exceções são às segundas-feiras, nos dias 24 e 25 de Dezembro (Natal), 31 de Dezembro e 1º de Janeiro (Ano Novo). 

Os horários de funcionamento do MASP são das 10h às 18h às terças-feiras, sábados e domingos; e das 13h às 19h de quarta a sexta-feira. A entrada é permitida até meia hora antes do horário de fechamento, mas é aconselhável ir com pelo menos duas horas livres para a visita.

Contudo, devido a possíveis restrições impostas pela pandemia de Covid-19, antes de ir é importante checar dias e horários de funcionamento. O MASP informa que adotou todas as medidas necessárias para uma visita segura.

O MASP fica na Avenida Paulista, número 1578, cidade de São Paulo-SP, Brasil. Mais informações pelo telefone (+55 11) 3149-5959.

Referências:

Texto e fotos da jornalista Michele da Costa (exceto as identificadas nas legendas). Com informações da Assessoria de Imprensa do MASP e disponíveis no site oficial em 10/02/2021.

O que fazer em Belo Horizonte: da Praça da Liberdade à Pampulha

Da histórica Praça da Liberdade até as curvas de Niemeyer na Lagoa da Pampulha, saiba o que fazer em Belo Horizonte. Roteiro turístico de um dia na capital das Minas Gerais.

Minha visita à cidade de Belo Horizonte começa na Praça da Liberdade, em um sábado ensolarado. Assim, o contraste do céu azul com o verde da praça e a arquitetura dos casarões históricos ao redor compõem um visual encantador!

Embora destoante de quase todo o resto, as curvas do Edifício Niemeyer também têm seu charme. O nome do arquiteto famoso não é coincidência, pois foi Oscar Niemeyer quem projetou o prédio, em 1954. Isso aconteceu dez anos depois que ele criou as obras da Pampulha.

Praça da Liberdade concentra história e cultura em Belo Horizonte

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Praça da Liberdade é eixo central do Circuito Liberdade

Então, como minha visita foi no começo de Agosto, ainda tive o privilégio de ver a Praça com seus Ipês Rosa floridos, um espetáculo! A história da Praça da Liberdade começa entre 1895 e 1897, na época da fundação de Belo Horizonte.

A cidade foi toda planejada para ser a nova capital do estado das Minas Gerais, que até então era Ouro Preto. Assim, ao redor da Praça também estão alguns dos principais prédios históricos da cidade, que abrigaram as sedes do Governo do Estado (Palácio da Liberdade) e de algumas Secretarias.

Por isso mesmo a Praça foi palco de importantes acontecimentos históricos e transformações sócio-culturais da cidade e do estado. Mas atualmente esses prédios públicos sediam museus e espaços culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil, o Memorial Minas Gerais Vale e o Museu das Minas e do Metal Gerdau. 

Essa mudança começou em 2010, com a transferência da estrutura administrativa do governo estadual para a nova sede (na região norte da cidade). Então, a Praça passou a ser o eixo central do “Circuito Cultural Praça da Liberdade”, hoje denominado “Circuito Liberdade”. A área reúne nada menos que quinze instituições, geridas pelo Estado e entidades parceiras.

Traçado à francesa ainda prevalece

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Coreto e Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade

José de Magalhães, arquiteto pernambucano, foi quem projetou a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, com seus 35 mil m2 e paisagismo de Paul Villon. O traçado original foi inspirado nos jardins ingleses, mas acabou substituído pelo modelo francês, observado até hoje.

Assim, o que mais me chamou atenção na Praça foram o charmoso coreto com estrutura metálica e o grande espelho d’água. Além disso, a imponência da alameda com palmeiras imperiais, que corta toda a Praça até o portão de entrada do Palácio da Liberdade.

Prédio do Centro Cultural Banco do Brasil em BH: lindo e acolhedor

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O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Praça da Liberdade, foi o primeiro prédio em que entrei durante minha visita a Belo Horizonte. O espaço oferece atividades culturais, como exposições de arte, apresentações de teatro, cinema e música.

No andar de cima, a gente pode conhecer um pouco da história do prédio, inaugurado em 1930 como sede da Secretaria Estadual de Interior e Justiça. Mas o que mais me chamou atenção foi mesmo a beleza das suas formas, em estilo eclético com influências neoclássicas e art déco. 

A luz do Sol transpassa janelas e vitrais, compondo visuais belíssimos. No pátio interno, um ambiente amplo e ao mesmo tempo acolhedor, onde acontecem os maiores eventos.

O autor do projeto que deu forma e encanto aos 8 mil m2 é o arquiteto Luiz Signorelli. O CCBB ocupa o prédio desde 2013 e está entre os maiores centros culturais do país.

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte é o número 450 da Praça da Liberdade. Funciona de quarta a segunda, das 10h às 22h. A entrada é gratuita, mas para alguns eventos é cobrado ingresso. Para obter mais informações, telefone para (31) 3431-9400 ou envie mensagem para o e-mail [email protected]

Memorial Minas Gerais Vale em Belo Horizonte explica origens da cultura mineira

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Então, minha segunda parada foi no Memorial Minas Gerais Vale, do lado oposto ao CCBB, na Praça da Liberdade. O museu ocupa o prédio da antiga Secretaria da Fazenda do Estado, construído em 1897. O local também é onde foi lançada a pedra fundamental da cidade de Belo Horizonte.

São três andares com 31 salas repletas de conteúdo histórico e artístico, que nos levam a uma verdadeira imersão na bela cultura mineira. Mas o visitante é quem faz seu roteiro e a interação está presente em toda a parte. 

Por isso é considerado um museu de experiências, cujo objetivo é nos fazer sentir como personagens daquela história ou obra. Para tanto, utiliza recursos tecnológicos e ambientação de época.

Interatividade e tecnologia

Um dos melhores exemplos é a sala “Panteão da Política Mineira”, onde se passam diálogos entre os principais personagens da Inconfidência Mineira. Atores dão vida aos personagens, dispostos em quadros (monitores) nas paredes.

Acomodados em confortáveis poltronas giratórias, os visitantes assistem a tudo do centro da sala. É como se a gente estivesse lá, participando dos eventos da conspiração que terminou com a morte de Tiradentes, em 21 de abril de 1792.

Outra sala que me despertou especial interesse foi a chamada “O povo mineiro”. Nela, personagens de um índio, um europeu e um africano falam sobre suas tradições, como se misturaram e compuseram a deliciosa e única cultura mineira.

A arte de Minas para o mundo

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Os Sertões, de Guimarães Rosa, representado no Ipê Rosa florido em sala do Memorial Minas Gerais Vale

Mas como não se emocionar com espaços do 1º piso, onde mais do que ver podemos sentir a arte de grandes mineiros que ganharam o mundo? Entre eles estão Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Sebastião Salgado e Lygia Clark.

O projeto de curadoria e museografia do Memorial Minas Gerais Vale é de Gringo Cardia. O acesso ao público é totalmente gratuito. Fica no número 640 da Praça da Liberdade, esquina com a Rua Gonçalves Dias.

Dias e horários de funcionamento não estavam disponíveis no site do Museu, na data desta publicação. Para mais informações ligue (31) 3308-4000.

Palácio da Liberdade e mais do Circuito Liberdade em Belo Horizonte

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Entre os locais que pretendo visitar na próxima viagem a Belo Horizonte, o Palácio da Liberdade é o primeiro da lista. Infelizmente, não consegui entrar dessa vez, mas fiquei encantada ao saber de sua beleza e importância histórica.

O projeto arquitetônico de José de Magalhães demonstra a influência do estilo francês. No interior, a decoração, móveis e objetos levam os visitantes aos tempos da 1ª República. O Palácio foi inaugurado em 1898 como sede do Governo de Minas e residência oficial do governador. 

As visitas ao Palácio da Liberdade acontecem aos sábados e domingos, das 10h às 16h. A entrada é gratuita, mas para garantir o acesso é aconselhável fazer a inscrição antecipada. Mais informações pelo telefone (31) 3224-1919.

Entre outros espaços culturais do Circuito Liberdade estão o MM Gerdau Museu das Minas e do Metal, no antigo prédio da Secretaria de Educação do Estado, a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (prédio também projetado por Niemeyer), e o Museu Mineiro.

Mercado Central para lazer e compras 

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Mercado Central de Belo Horizonte guarda delícias e história

Em Belo Horizonte, o Mercado Central é o local ideal para comprar alguns quitutes da culinária mineira, como queijos e doces. Tem um corredor só com bancas de artesanato. Mas também é ponto de encontro para o tira-gosto e a cerveja gelada do fim de semana.

Por isso, aconselho a fazer essa visita em dia de semana, pois aos sábados e domingos costuma ficar cheio. Tal estava no dia da minha visita, que mal consegui andar lá dentro, quanto mais almoçar como tinha planejado. Uma pena, pois o cheiro estava ótimo!

O Mercado Central de Belo Horizonte tem mais de quatrocentas lojas e recebe aproximadamente 15 mil pessoas por dia. Dá até para fazer uma visita guiada, mas é necessário agendar.

Fica na Avenida Augusto de Lima, 744, sede desde 1929. Aberto de segunda a sábado, das 8h às 18h; e aos domingos e feriados das 8h às 13h. Mais informações pelo telefone (31) 3274-9434 ou 3274-9497.

Obras de Niemeyer na Pampulha

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Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, com obra de Portinari em azulejos

Depois do Mercado e da pausa para um lanche, parti para a Lagoa da Pampulha. Além das belezas naturais, o local reúne obras consagradas de Niemeyer, chamadas de Conjunto Arquitetônico da Pampulha. 

Entre estas obras estão a Casa do Baile, a Igreja de São Francisco de Assis (da Pampulha), o Museu de Arte (antigo Cassino) e o Iate Clube. Destes, só não visitei o Iate Clube. O Conjunto é Patrimônio Mundial desde 2016.

Como de costume na arquitetura modernista de Niemeyer, as curvas estão presentes em tudo. Infelizmente, não pude entrar na igreja, pois estava fechada para obras, mas fiquei encantada com o que vi do lado de fora. 

Igreja da Pampulha é de São Francisco de Assis

Pesquisando depois, achei muito interessante que a Igreja da Pampulha teria sido a primeira edificação católica no Brasil a conter traços tão diferentes da tradição religiosa até então. Mais ainda em saber que a capital mineira inaugurou a arquitetura modernista brasileira, que viria a ser empregada na construção de Brasília, anos depois.

Isso porque o autor da obra (política) foi o mesmo, o então prefeito de Belo Horizonte e depois presidente do Brasil (1956-1961), Juscelino Kubitschek. Ele quem convidou Niemeyer, em 1942, para fazer o projeto de centro de lazer da Pampulha, e depois para projetar Brasília.  

O projeto da Igreja da Pampulha, construída em 1943, ainda contou com as participações de Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti, Burle Marx e Paulo Werneck. Portinari é autor do painel externo em azulejo, azul e branco, que retrata cenas da vida de São Francisco, entre outras obras da Igreja.

Como bem disse Fernando Sabino, no livro ‘Lugares-Comuns’: “(…) Tempo de Pampulha, do Niemeyer, da arquitetura moderna. Brasília nasceu ali”.

O acesso à Igreja da Pampulha é gratuito. Fica na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 3000, Pampulha. Mais informações: (31) 3427-1644. Antes de ir, consulte os dias e horários de visitação. 

Casa do Baile abriga Centro de Referência de Arquitetura

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Casa do Baile foi construída em pequena ilha artificial na Lagoa da Pampulha. Foto: Gisele Prosdocimi

A Casa do Baile, outra obra do Conjunto, de 1943 também, foi construída para ser um centro de festas da classe média, mas acabou servindo à elite. Então, passou um tempo fechada, sediou eventos da família de JK, foi restaurante e até depósito da prefeitura!

Atualmente, a Casa do Baile abriga o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, com exposições sobre o tema. A Casa é o único prédio do Conjunto construído dentro da lagoa, em uma pequena ilha artificial.

No local encontramos imagens e dados da região da Pampulha, então é um bom ponto de partida para a visita ao Conjunto. Adorei caminhar pelas linhas sinuosas da Casa e pelo jardim, criado pelo notório paisagista Burle Marx.

O acesso à Casa do Baile é gratuito. Fica na Av. Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha. Funciona de quarta-feira a domingo, das 11h às 18h. Mais informações: (031) 3277-7443 ou [email protected] 

Museu de Arte foi construído para ser cassino

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  • Belo-Horizonte-Pampulha-2-1024x768 O que fazer em Belo Horizonte: da Praça da Liberdade à Pampulha

O prédio sede do Museu de Arte da Pampulha (MAP) desde 1957 é o principal local de divulgação de arte contemporânea do estado. Mas é curioso saber que foi criado para ser um cassino. E assim foi, de 1943 a 1946, quando os jogos “de azar” foram proibidos no Brasil. 

Em seu acervo estão 1,4 mil obras, entre as quais algumas de Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Alberto da Veiga Guignard, Tomie Ohtake e Amilcar de Castro. Além disso, tem fotografias, gravuras, desenhos, documentos e audiovisual.

Mas a obra modernista também é conhecida como Palácio de Cristal, por causa dos espelhos que revestem a parede do prédio. É um local muito bonito, com algumas esculturas do lado de fora e os jardins, também criados por Burle Marx.

Tanto que foi logo ali, à beira da Lagoa, que assisti a um belo pôr do Sol na Pampulha, encerrando meu roteiro de um dia em Belo Horizonte.

O MAP fica na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, Pampulha. Mais informações: (31) 3277-7946 e [email protected] Segundo informa o site da Prefeitura, na data desta publicação, o Museu está fechado temporariamente, então consulte antes de ir.

Bares e restaurantes em Belo Horizonte

Mas, se for passar a noite na cidade, não deixe de explorar os bares e restaurantes. Aliás, um dos títulos ostentados por BH é o de “capital nacional dos bares”.

Por isso, a colega Gisele Prosdocimi, que mora na cidade, aponta os seus preferidos, em uma lista com oito bares de Belo Horizonte. Nosso agradecimento especial a ela, que nos acompanhou durante o passeio na Pampulha!

Referências: 

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Final de tarde na Lagoa da Pampulha, com Mineirão e Mineirinho ao fundo. Foto: Gisele Prosdocimi

Texto de autoria da jornalista Michele da Costa (na foto acima). Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, da Prefeitura de Belo Horizonte e do Circuito Liberdade, disponíveis nos sites oficiais em 31/01/2021. 

Devido a possíveis restrições de acesso impostas pela pandemia de Covid-19, sugerimos consultar os locais sobre o funcionamento antes de programar uma visita.

As fotos são da Michele da Costa/ Embarque40Mais, com exceção das creditadas na legenda. Todos os direitos reservados. A viagem de Michele a BH foi em Agosto de 2019.

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