Aparecida: conhecendo a história da padroeira do Brasil

Conhecer a história de Nossa Senhora Aparecida é conhecer a história do Brasil, do povo brasileiro, sua diversidade, costumes e fé inabalável. Na imagem da santa negra, enxergamos a nós mesmos, nosso sofrimento, fruto das enormes desigualdades do nosso país, mas também nossa força e esperança. Aparecida (SP) surpreende e emociona pela riqueza de seu patrimônio histórico e arquitetônico e de sua arte, exposta até mesmo em manifestações de fé deixadas por milhões de devotos que a visitam todos os anos. Convido você a visitar ou revisitar Aparecida comigo nesta série de posts e, quem sabe, assim como eu, passar a ver essa cidade (e essa história) com outros olhos.

Por Michele (Aparecida) da Costa

Réplica da imagem de N. Sra. Aparecida
Réplica da imagem de N. Sra. Aparecida, na Basílica Velha

Qual brasileiro ou brasileira com mais de 40 anos que nunca visitou “Aparecida do Norte”, como é popularmente conhecida a cidade de Aparecida, na região do Vale do Paraíba, estado de São Paulo? Bem poucos, creio. A maioria, assim como eu, participou ao menos de uma daquelas excursões de romeiros bate e volta, que chegam de ônibus fretado ao Santuário Nacional de Aparecida no domingo bem cedinho, antes mesmo do sol raiar, e retornam no final da tarde. Fui quando criança e lembro desde o cheiro da comida compartilhada no ônibus, passando pelos vendedores de todo tipo de “lembrancinha”, do picolé colorido de itu, até as filas intermináveis para visitar a enorme (e até então rústica) Basílica Nova, a Igreja Velha no alto do morro e a “temida” Sala das Promessas.

Temida porque que me dava medo, mesmo, assim como em qualquer criança, creio, pois os objetos deixados por devotos, como retribuição à Nossa Sra. por graças alcançadas, entre os quais próteses dos mais variados órgãos do corpo humano, mostras de cabelo, dentes, fotografias de pessoas doentes e tudo mais que sua imaginação permitir, eram dispostos sem proteção, em uma sala apertada, mal iluminada e pouco ventilada. Lembro de minha mãe dizendo pra não tocar nos objetos, mas nem precisava.. rs. Apesar de amedrontada, ficava imaginando quanta história estaria guardada ali e quão rica era.

A história da santa ouvia falar superficialmente, um comentário aqui outro ali, mas sabia que o segundo nome que eu carregava comigo desde o nascimento era uma homenagem à ela. Minha mãe, que me criou sozinha, dizia que Nossa Senhora Aparecida era minha madrinha de batismo. Não compreendia muito bem isso, mas respeitava, embora nunca tenha gostado da combinação com um primeiro nome de origem francesa e um sobrenome português.

Michele no Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP
No Porto Itaguaçu, em Aparecida (SP). Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Hoje, compreendo o simbolismo desse nome, recebido por outras milhares de crianças “aparecidas”, forjado nas angústias de um povo sofrido, mas tão rico em diversidade racial, cultural e religiosa. Não à toa, a imagem da santa negra separada da cabeça, resgatada do fundo do rio por pescadores aflitos, tornou-se o maior símbolo de fé no nosso país, mesmo entre não católicos.

Mais recentemente, prestes a completar 45 anos de idade, voltei a Aparecida, percorri os mesmos lugares e outros novos e pude enxergar coisas que nem poderia imaginar. Tive oportunidade de conhecer a história em detalhes e admirar a arquitetura e arte do que se tornou o maior templo mariano do mundo (dedicado à Maria, “mãe de Deus”), o Santuário Nacional de N. Sra Aparecida, que recebe quase 13 milhões de visitantes por ano. Isso é muita gente! Mais do que a população de São Paulo (12 milhões), que é a maior cidade da América do Sul!

História: onde e quando foi encontrada a imagem de Nossa Senhora Aparecida?

Comércio n rua de acesso ao Porto Itaguaçu
Rua de acesso ao Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP, onde funciona uma feira modelo

Sabe quando a gente vai receber uma visita importante e quer (ou precisa) oferecer o melhor? Então, foi pensando assim que os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Felippe Pedroso, entre outros da então Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, lançaram suas redes nas águas escuras do Rio Paraíba do Sul, em um dia de Outubro de 1717. Precisavam de peixes para oferecer no banquete de recepção da Vila ao Conde de Assumar, de passagem para Vila Rica, onde assumiria o cargo de governador da Capitania das Minas Gerais.

Cruz no Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP
Cruz marca o ponto do rio Paraíba do Sul, no Porto Itaguaçu, onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada pelos pescadores em 1717. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

A rede não estava pra peixe, mas quando passavam pelo Porto de Itaguaçu, o arresto trouxe uma imagem (escultura) de Nossa Senhora sem cabeça. Logo depois, ao lançar a rede mais uma vez, a cabeça foi resgatada. Guardaram a imagem enrolada em um pano e continuaram a pescaria. “Dali por diante foi tão copiosa a pescaria em poucos lanços, que, receosos, ele e os companheiros, de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, se retiraram às suas vivendas, admirados deste sucesso.”, relatou o Padre José Vilella, à época, no Livro Tombo da Paróquia da Vila, sobre o episódio que ficaria conhecido como “a pesca milagrosa”.

Monumento “Os Três Pescadores”, de Chico Santeiro, no Porto Itaguaçu (Aparecida-SP).
Monumento  “Os Três Pescadores”, obra do artista Chico Santeiro de 1970

O relato é reproduzido por Tereza Galvão Pasin, no livro de sua autoria intitulado “Senhora Aparecida- Romeiros e Missionários Redentoristas na História da Padroeira do Brasil”. Não se sabe a data exata do encontro da imagem, mas estima-se que tenha sido na segunda quinzena de Outubro de 1717, quando o conde passou pela região. A imagem ficou com Felippe, por ser o mais velho, que posteriormente a deixou com seu filho, Atanásio. Em 1732, Atanásio construiu em sua casa um oratório e um altar de madeira para a Santa, onde as pessoas da comunidade começaram a se reunir para fazer orações.

Certa noite, durante uma dessas reuniões, duas velas que estavam ao lado da Santa apagaram-se e, pouco depois, reacenderam-se sozinhas, contam. Este foi considerado o segundo milagre de N. Sra Aparecida. A fama da santa milagreira se espalhou e, quando chegou ao vigário local, o Padre Vilella, ele e alguns devotos construíram uma capelinha de pau a pique para abrigar a imagem, em 1743. Foi neste ano também aprovado pela Igreja Católica o culto à “Nossa Senhora da Conceição Aparecida” e autorizada a construção de uma nova capela em sua homenagem, de madeira e ornamentos.

Qual a origem da imagem de Nossa Senhora Aparecida?

Esculturas de Nossa Senhora da Conceição
Esculturas, de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (à esquerda) e de outra N. Sra. da Conceição, no Museu de Aparecida. Foto: Thiago Leon/ Santuário Nacional

Muita gente desconhece o motivo ou mesmo o fato de que a imagem que conhecemos de Nossa Senhora Aparecida, uma santa negra, recebeu o nome oficial de Nossa Senhora (da Conceição) Aparecida, assim como a origem da imagem. Ainda não se sabe ao certo como e quando a imagem foi parar no rio, nem a origem de sua cor. Uma das possibilidades da origem é de um altar, que ficava em uma fazenda à beira do Rio Paraíba do Sul, em Roseira Velha. O altar e a imagem, que seriam utilizados por escravizados da fazenda, teriam sido levados pelas águas do rio durante um período de chuvas intensas.

Entre as teorias sobre a cor estão o contato por anos com o lodo do fundo do rio de águas escuras ou a exposição à fumaça das velas durante os anos em que ficou no altar improvisado e na capela de pau a pique; ou as duas coisas. Em 1748, quando os jesuítas vieram pregar Missões no povoado de Aparecida, já documentaram o encontro da “Imagem de cor negra” e atribuíram a possível autoria da escultura de N. Sra. da Conceição a Frei Agostinho de Jesus.

Réplica de Nossa Senhora Aparecida em altar da Basílica Velha
Réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida em altar da Basílica Velha. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

O primeiro estudo comparativo, da imagem de Aparecida com outras de N. Sra. da Conceição (padroeira de Portugal), aconteceu em 1967, por Pedro de Oliveira Neto, que conseguiu provar semelhanças artísticas comuns à época. Uma investigação realizada pelo engenheiro Ladi Biezus, doador do Museu de Aparecida, comparando as imagens, também expõe muitas similaridades. Ele pesquisou os materiais utilizados, comparou feições e características, como a posição da lua sob os pés, o sorriso, o caimento do manto e a posição da cabeça. Algumas destas esculturas estão expostas no Museu de N. Sra. Aparecida.

Imagem original de Nossa Senhora Aparecida na Basílica Nova do Santuário Nacional
Imagem original de Nossa Senhora Aparecida, guardada em nicho na Basílica Nova do Santuário Nacional. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Em 1978, durante a reconstituição da Imagem (que havia sido quebrada em uma tentativa de furto), peritos constataram que a argila usada na escultura era de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. Os pesquisadores também observaram que ela era originalmente policromada (com várias cores), tinha a pele do rosto e das mãos branca, como a tradicional imagem de N. Sra. da Conceição. Mesmo assim, os responsáveis decidiram que era melhor manter a Imagem negra, como já era conhecida.

Ainda bem, porque, para os devotos e o povo em geral, a Santa Padroeira do Brasil, país de maioria afrodescendente, sempre continuará sendo negra. A imagem que está hoje no altar da Basílica Velha é uma réplica. Desde 1982, a verdadeira imagem de N. Sra. Aparecida, esculpida em terracota (argila cozida), com seus 36 centímetros de altura, manto azul e coroa de ouro, está bem protegida em altar na Basílica Nova de Aparecida.

Primeira Capela e milagres de Nossa Senhora Aparecida

Capela de São Geraldo exterior, em Aparecida-SP
Capela de São Geraldo, na margem da Rodovia Dutra, ocupa local onde foi construída a primeira capela de pau a pique para N. Sra. Aparecida

A primeira capela, de pau a pique, foi construída em Itaguaçu, em 1743, na margem da Estrada Real (o caminho das Minas Gerais), que conhecemos hoje como Rodovia Presidente Dutra. Imagine o quanto foi estratégica essa localização para que a Santa caísse rapidamente nas graças do povo? Logo vieram também as primeiras doações de dinheiro e terras no Morro dos Coqueiros para a construção da nova Capela, inaugurada em 1745, que deu origem à primeira Igreja de N. Sra. Aparecida, hoje conhecida como Basílica Velha, ao povoado e depois à cidade de Aparecida.

Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP
Acesso ao Porto Itaguaçu, em Aparecida-SP: local tranquilo e agradável

Visitamos o local da antiga capela de pau a pique, onde hoje está a pequena Capela de São Geraldo, e o Porto de Itaguaçu. A simpática capela possui três nichos tematizados, cada um representando um pescador. No Porto, bem próximo do rio, há outra capela mais nova, onde são realizadas as missas com os romeiros. Ao lado também está o monumento conhecido como “Os Três Pescadores”, obra do artista Chico Santeiro. Bem na margem do Paraíba, uma cruz prateada marca o ponto onde a imagem foi encontrada. Um local tranquilo e agradável.

Obras no Caminho do Rosário, na margem do Rio Paraíba do Sul
Obras no Caminho do Rosário, que ligará o Santuário Nacional ao Porto Itaguaçu

Os visitantes também podem optar por fazer um passeio de barco pelo rio. O local conta com banheiros, bebedouros e espaço para acender velas, mas não há estacionamento. Uma solução para isso deve vir com a inauguração do Caminho do Rosário, prevista para 14 de Outubro de 2018. As pessoas poderão deixar o carro no estacionamento do Santuário ou da Cidade do Romeiro e seguir a pé por dois quilômetros pelo Caminho arborizado, à margem do Rio Paraíba do Sul, que terá 200 estátuas em tamanho natural, retratando os Mistérios do Rosário e passagens bíblicas do Novo Testamento.

Correntes do escravizado Zacarias, que teriam sido arrebentadas sozinhas na Capela da Santa
Milagres de N. Sra. Aparecida: Correntes do escravizado Zacarias, expostas no Museu de Aparecida. Foto: Thiago Leon/ Santuário Nacional

Entre outros fatos considerados milagres da Santa, estão o do escravizado Zacarias, em 1790, que, ao rezar perante a imagem terá tido as correntes de ferro que o prendiam arrebentadas e acabará sendo libertado pelo seu Senhor; o da menina cega de nascença, em 1874, que, depois de caminhar com sua mãe por semanas, desde Jaboticabal-SP, ao chegar em Aparecida terá enxergado a Capela da Santa e recuperado sua visão; e o do descrente cavaleiro de Cuiabá, no século 19, que terá desistido de entrar com o cavalo no interior da Igreja de Aparecida depois que a ferradura do animal ficou presa no primeiro degrau da escada de pedra. Essa pedra e as correntes de Zacarias também podem ser vistas no Museu de Nossa Senhora Aparecida.

A Princesa, o manto e a coroa da Rainha do Brasil

Bonecos de cera da Princesa Isabel e seu esposo Conde D'eu, no Memorial da Devoção.
Princesa Isabel e seu esposo Conde D’eu, representados no Museu de Cera do Memorial da Devoção

Uma história que chama atenção é relacionada à Princesa Isabel, aquela que assinou a Lei Áurea, que oficializou o fim da escravização de negros no Brasil a partir de 1888. Em dezembro de 1868, ela esteve na Capela de Nossa Senhora Aparecida para pedir que pudesse deixar um herdeiro para o trono, levando como presente um manto com 21 brilhantes, representando os estados brasileiros, que hoje está no Museu de N. Sra. Aparecida.

A princesa imperial voltou, em novembro de 1884, para agradecer pelos seus três filhos: Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz Maria e Dom Antônio. Desta vez, ofereceu uma coroa de ouro cravejada de brilhantes. Curiosamente, com a queda do Império e a Proclamação da República no Brasil, em 1889, Isabel nunca foi coroada e, consequentemente, nenhum trono herdaram seus filhos.

O manto dado pela Princesa Isabel à Nossa Senhora Aparecida
O manto dado pela Princesa Isabel à Nossa Senhora Aparecida: No Museu de Aparecida. Foto: Thiago Leon/ Santuário Nacional

Mas só em 1904, com assinatura de decreto pelo Papa Pio X proclamando “Nossa Senhora Aparecida Rainha do Brasil”, que a coroa foi colocada na imagem e assim permanece até hoje. Já o título de “Padroeira do Brasil” foi concedido em 1930, pelo Papa Pio XI, mas somente a partir de 1980 o Dia da Padroeira (12 de Outubro) passou a ser feriado nacional.

Outro relato curioso envolvendo a família Real indica que o Príncipe Regente Dom Pedro I (avô de Isabel), de passagem pela região, teria visitado a Capela de Nossa Senhora Aparecida. Acredita-se que essa visita tenha acontecido em 20 de agosto de 1822, dias antes do Príncipe declarar a independência do Brasil às margens do Rio Ipiranga (o histórico 7 de Setembro).

Algumas curiosidades sobre a Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida

Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida,
Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, construção em estilo barroco, de 1888, ano em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Obras e desvios. Além da bela arquitetura e riqueza de sua arte em estilo barroco, a Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, no Morro dos Coqueiros, guarda muitas curiosidades e relações com fatos históricos do País. Começou a ser construída em 1834, sobre as bases da Capela, passou por ampliações e reformas, que resultaram na igreja, finalmente inaugurada em 1888 (ano da abolição da escravatura) e assim preservada até hoje.

A elevada demora nas obras é creditada principalmente ao período de intervenção do Império (1805-1890), que nomeou civis para administrar a Capela e, como já era de costume, boa parte das doações foi remetida à Coroa ou desviada. O principal responsável por levar a obra à cabo foi o Frei Joaquim do Monte Carmelo, a partir de 1876, que chegou a morar na sacristia durante as obras. O mestre pedreiro foi José Vieira.

Vista do altar: Interior da Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecid
Interior da Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida, visto do altar principal. Benfeitores eram sepultados dentro da capela. Foto: Wilson Lima/ Embarque40Mais

Cemitério. Como era comum à época, “Durante cem anos, o pátio e o interior da capela foram utilizados como cemitério. Os moradores eram sepultados no pátio e os benfeitores (pessoas de posses) na capela, em seu interior, nas Campas (túmulos).”, conta Tereza Galvão Pasin, em seu livro. Como o pátio da igreja estava ficando defeituoso, devido aos tantos corpos ali enterrados, foi necessária a construção de um novo cemitério, em terreno atrás da capela, inaugurado em 1843.

Corredor lateral no interior da Basílica Velha de Aparecida
Corredor lateral no interior da Basílica Velha de Aparecida

Poeta português. Em visita à Capela, em 1860, o poeta e escritor português, Augusto Emílio Zaluar, registrou: “Entre todos os templos que temos visto no interior do país, nenhum achamos tão bem colocado, tão poético, e mesmo, permitam-se-nos a expressão, tão artisticamente pitoresco como a solitária Capelinha da milagrosa Senhora da Aparecida, (…)  A sua singela e graciosa arquitetura está de acordo com a majestosa natureza que a rodeia e com a montanha que lhe serve de pedestal…”.

A reprodução também consta do livro de Tereza Pasin, entre vários outros relatos de visitantes ilustres, fatos e curiosidades sobre a história da Santa, de 1717 a 2013. O livro foi editado em 2015, pela Editora Santuário, e já está em sua terceira reimpressão.

Obras de arte no interior da Basílica Velha de Aparecida
Obras de arte no interior da Basílica Velha de Aparecida

Quebrada e reconstituída. Outro fato que merece registro aqui é de quando a imagem de Aparecida foi quebrada em diversos pedaços, devido a um acidente durante uma tentativa de furto, em 1978, por um jovem de 19 anos, que a retirou do altar da Igreja e a deixou cair durante a fuga. Pouco depois, a imagem já havia sido restaurada no Museu de Arte de São Paulo (MASP), pela artista plástica Maria Helena Chartuni, que até hoje é a única pessoa responsável pela manutenção.

Vitral na Basílica Velha de Aparecida
A beleza e simbologia dos vitrais na Basílica Velha de Aparecida

Redentoristas. Vindos do Santuário de Altötting da Virgem Negra, na Baviera (Alemanha), em 1894, padres Missionários Redentoristas são os responsáveis pela administração do Santuário de Aparecida até hoje. O título de “Episcopal Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida” foi concedido em 1893.

Altar que abrigou a imagem de N. Sra. Aparecida
Primeiro altar que abrigou a imagem de N. Sra. Aparecida na capela do Morro dos Coqueiros, construída em 1745. Na Basílica Velha

Patrimônio. Tal a importância da Basílica Velha, que o prédio foi tombado como monumento de interesse histórico, religioso e arquitetônico pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), em 1982. A área interna da Igreja também é muito bonita! O altar mor e o retábulo foram esculpidos na Itália, em mármore carrara. Abaixo dele, encontra-se o corpo de São Vicente Mártir, presente do papa São Pio X, ao elevar o templo à categoria de Basílica, em 1908.

Há arte espalhada por todo o canto, da ornamentação do piso, passando pelas pinturas nas paredes e teto até vitrais, objetos e quadros, como o conjunto de quatorze pinturas da Via-Sacra, de autoria do Redentorista alemão Maximiliano Schmalzlas. Um dos objetos mais antigos e interessantes é o primeiro altar que abrigou a Imagem de N. Sra. Aparecida na pequena capela do Morro dos Coqueiros, construída em 1745.

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Continua.. No segundo post da série:
Santuário de Aparecida: um templo de fé e cultura, o jornalista Wilson Lima escreve sobre a arte na Basílica Nova. Confira!

Principais locais a visitar para conhecer a história de Nossa Senhora Aparecida:

Porto Itaguaçu, onde a imagem foi encontrada

ONDE: Rua João de França Mota, s/n, Aparecida-SP.

QUANDO: De segunda-feira a domingo, das 6h às 18h.

QUANTO CUSTA: Acesso gratuito ao Porto. Somente o passeio de barco pelo rio Itaguaçu é cobrado: R$ 13 (adulto), crianças de 6 a 12 anos e pessoas com mais de 60 anos pagam R$ 9. Obs.: É necessário o mínimo de 15 pessoas para a partida do barco. O passeio tem duração de 20 minutos, é autorizado pela Marinha do Brasil e conta com guia.

Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida

ONDE: Praça Nossa Sra. Aparecida, número 01, Centro de Aparecida-SP.

QUANDO: De segunda a quinta-feira, das 7h às 20h; de sexta-feira a domingo, das 7h às 21h.

QUANTO CUSTA: Acesso gratuito.

Museu Nossa Senhora Aparecida

ONDE: 2º andar da Torre Brasília, no Santuário Nacional de N. Sra Aparecida (Avenida Dr. Júlio Prestes, s/n, Ponte Alta, Aparecida-SP).

QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30; sábado das 7h às 18h; domingo das 7h às 15h30. Feriados das 8h às 16h30.

QUANTO CUSTA: R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia entrada). Obs.: É possível adquirir um combo especial que dá direito a visitação ao Museu, Mirante da Torre e Cúpula da Basílica por R$ 15,00.

Memorial da Devoção à Nossa Senhora Aparecida

(Cinema 3D sobre a história de N. Sra. Aparecida + Museu de Cera, com cenários e personagens históricos).

ONDE: No Santuário Nacional de Aparecida (Avenida Dr. Júlio Prestes, s/n, Ponte Alta, Aparecida-SP), ao lado da Praça de Alimentação 2.

QUANDO: De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados das 8h às 19h; domingos das 7h às 18h.

QUANTO CUSTA: R$ 15 (crianças até 5 anos não pagam).

  • Michele da Costa é jornalista e autora do Embarque40Mais. Além do texto, as fotografias e vídeos são de autoria dela, com exceção das creditadas a outros autores na legenda. Todos os direitos autorais estão reservados.
  • O Embarque40Mais visitou Aparecida-SP em Agosto de 2018, a convite do Santuário Nacional, que ofereceu hospedagem e alimentação no Hotel Rainha do Brasil, ingressos para atividades e transporte na cidade. Esclarecemos que, mesmo viajando a convite, o relato expressa exclusivamente nossa experiência e opinião sinceras, como de costume. Além do livro de Tereza Pasin, mencionado no texto, para a redação do post contamos com dados fornecidos pela Assessoria de Comunicação do Santuário Nacional.

Belo Horizonte ganha letreiro gigante do orgulho mineiro

Letreiro gigante em frente ao estádio do Mineirão "I amineiro"
“I amineiro” foi inspirado no monumento de Amsterdã. Foto: Mineirão/ Agência i7

O aniversário é do Mineirão, mas o presente é de todos os mineiros e simpatizantes desse povo que esbanja graça e generosidade! No mês em que completa 54 anos, o Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG), recebe na Esplanada um letreiro gigante com a frase “I AMINEIRO”. O letreiro é inspirado no famoso monumento de Amsterdã (Países Baixos) e, assim como o primo holandês, certamente será um novo ponto turístico e cenário para belas fotografias. 

A estrutura de 2,26 metros de altura e 13m de comprimento, inaugurada na quinta-feira, 19/09, é resultado de parceria entre o estádio e a loja do Museu Brasileiro do Futebol, da marca “I amineiro”. O objetivo é ressaltar o orgulho de ser do estado de Minas Gerais. O letreiro, produzido em aço carbono e pesando mais de uma tonelada, ficará na Esplanada Sul por tempo indeterminado.


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Letreiro é nova atração turística

Para a gerente de comunicação do Estádio Mineirão, Ludmila Ximenes, a atração é um presente para a população que frequenta o Gigante da Pampulha. “A Esplanada já está consolidada como um dos melhores espaços para o lazer, a prática de esportes e realização de eventos na cidade. O letreiro será mais uma grande atração para o belo-horizontino e o turista que frequenta o local”, comentou Ximenes.

O sócio da marca “I amineiro” Paulo Bastone, responsável pela instalação do letreiro na Esplanada, explicou a proposta do novo monumento. “O letreiro é um presente para o Mineirão e para todos os mineiros. A marca surgiu do orgulho de carregar as nossas origens por todo o mundo (…). Então tivemos a ideia de criar um ponto na cidade para que as pessoas pudessem registrar isso”, contou.

O primeiro evento que contará com a presença do letreiro no Mineirão é o jogo do Campeonato Brasileiro entre Cruzeiro e Flamengo no sábado, 21. A partir das 14h, o torcedor cruzeirense que acompanhará o confronto já é aguardado para registrar sua presença na Esplanada ao lado do novo marco. Já o público atleticano terá a oportunidade de fotografar a novidade no próximo dia 26, dia da semifinal da Sul-Americana.

Sobre a Esplanada do Mineirão

Com 80 mil m² construídos, a Esplanada do Mineirão é considerada um dos melhores locais para a prática de esportes como skate, patins, corridas e caminhadas em Belo Horizonte. O local é ideal também para a realização de shows e espetáculos. A Esplanada ainda conta com uma bela vista privilegiada para a Lagoa da Pampulha. O acesso do público é feito pelas entradas norte e sul, por meio de escadarias e rampa suaves.

O local funciona diariamente, das 7h às 22h, podendo ter o horário alterado devido a jogos e eventos no estádio e possui dois acessos. A entrada da Esplanada Sul é pela Avenida Coronel Oscar Paschoal, próxima à Avenida Catalão. A entrada da Esplanada Norte é pela Avenida Antônio Abrahão Caram.

  • Com informações da Assessoria de Imprensa do Mineirão. Foto: Mineirão/ Agência i7.

JetSmart é 4ª low cost estrangeira autorizada a operar no Brasil

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorizou, nesta terça-feira (27/08), a subsidiária argentina da companhia aérea low cost JetSmart a operar no Brasil. A companhia pertence ao fundo norte-americano Indigo Partners. A intenção da empresa é iniciar a operação de rotas internacionais entre a Argentina e o Brasil.

A JetSmart é a quarta low cost estrangeira a obter autorização para operar voos em território nacional e deverá ser a quinta empresa a se instalar no Brasil desde que a legislação foi alterada pelo governo. A mudança desregulamentou a franquia de bagagem e permitiu a operação de empresas com até 100% de capital estrangeiro. As outras três low cost são a europeia Norwegian, a chilena Sky Airlines e a argentina Flybondi.

Atualmente, a JetSmart possui onze aviões Airbus A320 e opera no Chile, Peru e Argentina. Anunciou a aquisição de doze aeronaves Airbus A321xlr, com o objetivo de fazer voos diretos de longa distância. Assim, deverá ser a primeira empresa aérea da região a operar esse modelo e caminhar rumo à marca dos 100 milhões de passageiros em 2026.

Sobre a Indigo Partners

JetSmart é controlada pelo fundo de investimento norte-americano Indigo Partners, uma empresa de capital privado focada em aquisições e investimentos estratégicos em companhias aéreas e setores relacionados. A empresa, fundada por Bill Franke, está sediada em Phoenix, Arizona, Estados Unidos.

  • Com informações da ANAC e da JetSmart.

Aldeia de Paraty recebe turistas em local paradisíaco

Além de conhecer a cultura dos Pataxó Hã-hã-hãe, visitantes da aldeia indígena que fica em Paraty, Rio de Janeiro, podem usufruir de trilhas e uma linda cachoeira em meio à mata preservada, além de uma praia praticamente deserta! O nome da aldeia, “Iriri Kãnã Pataxi Üi Tanara”, que significa “Minha aldeia é a natureza”, espelha o trabalho de proteção e preservação do Meio Ambiente cultuado pelo grupo.

Mudas de árvores nativas foram plantadas na mata, de onde retiram sementes e fibras para a confecção de artesanato, como colares, pulseiras, cocares, cestas e até arco e flecha. Justamente no dia da nossa visita, celebravam três anos da aldeia. Eles chegaram ao estado do Rio de Janeiro há quatorze anos, vindos do litoral sul da Bahia, lugar de origem dos Pataxó.

Celebração em aldeia de Paraty
Grupo Pataxó Hã-hã-hãe celebra três anos da aldeia em Paraty

Dispersados nas áreas urbanas do litoral fluminense, o grupo com aproximadamente cem Pataxó Hãhãhãe conseguiu se reagrupar na terra ocupada em Paraty. Apohinã Pataxó, liderança da aldeia que nos recebeu, disse que eles entendem aquelas terras como “o lugar reservado pelos ancestrais para a preservação do seu povo”. A reivindicação de posse da área está em estudo na Funai (Fundação Nacional do Índio).

Cachoeira, rio e praia em aldeia indígena de Paraty

Cachoeira em meio à mata na aldeia em Paraty
Cachoeira de águas cristalinas envolta por mata preservada

Esse lugar, conhecido como Iriri, é mesmo especial! Cortado pela Estrada Rio-Santos, de uma lado está uma belíssima cachoeira cercada de mata nativa. Do outro, uma praia paradisíaca, onde deságua um rio de água limpa e dourada, com a Serra do Mar a refletir sobre as águas. “Todos os turistas são bem-vindos!”, diz Apohinã, mas esclarece que do lado da aldeia onde está a cachoeira não é permitido ingerir bebida alcoólica nem fazer fogueira.

O objetivo é preservar a mata e as nascentes de água. Já na Praia essas atividades são permitidas. Aos fins de semana e feriados as bebidas são colocadas à venda por eles, inclusive. As visitas podem ser feitas todos os dias da semana, das 8h às 17h. A única contribuição requerida pela aldeia para a visita é de R$ 10, pelo estacionamento de cada veículo. No lado da cachoeira também é possível comprar artesanato produzido por eles.

O que fazer em Paraty: visitar praia paradisíaca em aldeia indígena
Praia do Iriri, em área dos Pataxó Hãhãhãe em Paraty-RJ

Durante a nossa visita, uma turista pediu a Apohinã a aplicação de rapé para o descongestionamento das vias aéreas superiores. A aplicação de rapé pelas narinas, tradição indígena que utiliza pós à base de produtos naturais, pode ter diversos fins medicinais, conforme a necessidade da pessoa. Os Pataxó Hãhãhãe também se preparam para receber turistas que queiram passar uma ou mais noites na aldeia, em barracas ou redes de dormir, mediante uma contribuição financeira, a combinar.

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Como visitar a aldeia dos Pataxó Hãhãhãe em Paraty:

Onde fica: Rodovia Rio-Santos (BR 101), a 30 km de Paraty sentido Rio de Janeiro. Há placas de sinalização das entradas: à direita para a cachoeira e à esquerda para a praia. Essa foto do Google Maps vai te ajudar a identificar a entrada.

Quando ir: Todos os dias, das 8h às 17h. Sugiro combinar a visita antes com uma das lideranças. Contato: Página da Aldeia no Facebook.

Quanto custa: R$ 10 por veículo pelo estacionamento. Outros itens, como alimentação, bebidas, aplicação de rapé e artesanato, a combinar.

Publiquei aqui no blog mais três posts sobre essa viagem a Paraty, cidade do litoral do Rio de Janeiro que obteve recentemente o título de Patrimônio Mundial pela Unesco. Em um deles, relato outras experiências, com dicas completas sobre o que fazer em Paraty. Confira!

Referências:

  • Texto autoral e fotos de Michele da Costa e Wilson Lima/Embarque40Mais: todos os direitos reservados.
  • A viagem do Embarque40Mais a Paraty aconteceu entre 15 e 19 de Maio de 2019.

© 2019 Embarque40Mais

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